terça-feira, 3 de agosto de 2010

Era uma casa muito engraçada...


As casas americanas são quase como blocos de montar. As paredes são de madeira e vem pré-preparadas, só colocá-las de pé. Exatamente como é mostrado no Extreme Makeover Home Edition. Eu acreditava que aquilo era feito porque o programa tem exatamente sete dias para reconstruir uma casa. Mas não. Todas são daquele jeito. Paredes de um material fino e aparentemente tão inseguro. Ouve-se cada passo no andar de cima.

As casas de bairro de classe média são todas sobrados e ainda têm o basement, que seria, ao pé da letra, o porão, mas na verdade é um andar inteiro embaixo da casa. Todas com ar condicionado e aquecedor, e carpete no chão. As cozinhas têm sempre ilha no meio, lava louças, forno elétrico separado do fogão, geladeira de duas portas com dispenser de água e gelo. Todas elas têm o quarto da laundry, o que seria a lavanderia, com máquina de lavar e secar roupas - que saem quentinhas e supostamente sem vincos. Não se passa roupas. E não existe tanquinho, aquele pra se esfregar roupa na mão ou colocar de molho.

As casas não têm muros nem portões. Uma menina de cinco anos que uma amiga cuida, quando veio em casa, perguntou por que nós precisamos de cerca no quintal se não temos cachorros. Uma dúvida sensata pra quem está acostumada a abrir a porta dos fundos e dar de cara com o quintal do vizinho. Mas com a piscina aqui de casa, uma cerca meia-boca era o mínimo de privacidade que se pode conseguir. Além disso, a casa é toda cheia de janelas enormes, cortinas abertas. Quando cheguei, me sentia exposta!

A expressão "A grama do vizinho é sempre mais verde" deve ter sido inventada aqui. É uma disputa de quem tem o jardim mais bonito, com gramado cortado meticulosamente, uma vez por semana. Pode ter o tanto de flores que quiser, que nenhum vândalo vai passar e arrancar. Pode largar brinquedos espalhados na frente da casa, carro estacionado na rua, que vão amanhecer no mesmo lugar. Mesmo assim, todas as casas têm sistema de alarme.

Caminhar na rua, quando não se conhece bem o bairro, é pedir pra se perder. As casas parecem todas iguais. Para agravar, além de sinuosa, a mesma rua tem dois nomes, um sentido west outro sentido east (ou south e north).

Quando se acostuma com a falta de privacidade e em dar de cara com vizinho toda vez que sai pro quintal, é até bonito ver todas as casas enormes, sem aqueles muros altos as separando. Tenho até receio de me sentir muito emparedada quando voltar pro Brasil.

2 comentários:

VIVI disse...

Amei Brenda... todos os seus posts sao otimos... vc escreve o que todo mundo gostaria de saber, e de quem ta aqui ta sentindo e passando... amei...
Ah, eu estava presente na hora da pergunta...rs
Bjao e PARABENS!

Stela disse...

Oie Brenda! Adorei este post! É muito interessante ver os detalhes das casas que vemos na TV e nos filmes! É até engraçado! uahuahauha
Bjao