terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Extension approved

Agora é oficial. Minha extensão foi aprovada!

"Hi Brenda, your extension was approved on December 16th. You should
receive a packet in the mail with your new DS 2019 very soon"

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dez meses

Desde 2006, os meus anos disputam qual foi o melhor de todos. 2006 (além de ter sido meu primeiro ano no curso de Jornalismo) já começou, logo em fevereiro, com o melhor dia da minha vida: o show do U2 no Morumbi. Pouco depois, em junho, entrei para o voluntariado do canal local Net Cidade, em Americana - que na época ainda era Vivax 21. Dediquei todo meu tempo livre em aprender - coisas que nem a faculdade me ensinou -, e conheci amigos fantásticos que quero e vou levar pra vida toda. Melhor ainda foi ter todo o tempo dedicado reconhecido em prêmios de Melhor Repórter e Revelação na nossa comemoração de fim de ano. Também foi o ano em que fiz minha tattoo.

Em 2007, eu consegui meu estágio na rádio municipal de Santa Bárbara d'Oeste. Outro ano rico em aprendizado. E foi durante ele, também, que me apaixonei de verdade pelo meu curso da faculdade.

Após morar quase a vida toda em apartamento e dividir quarto por 18 anos com meu irmão, em 2008, eu e minha família nos mudamos para a casa dos nossos sonhos. E eu pude decorar meu próprio quarto (com direito até a parede roxa). Foi o ano de assistir stand-ups em teatros municipais.

2009 já bastaria só pelo fato de eu ter realizado um dos maiores sonhos da minha vida: adotar um cachorro. Amelie entrou pra família em abril e ganhou todos nós instantaneamente. Mas além disso, eu e meu grupo da faculdade ganhamos o Prêmio Losso Netto de Jornalismo da Unimep, como melhor Trabalho de Conclusão de Curso do ano. Nosso tema: CQC, o que significa que tivemos de entrevistar a equipe do programa. Editor, produtor, diretora, Rafael Cortez e Danilo Gentili. Não só me formei no curso que eu amava de paixão, como o concluí da melhor maneira possível.

Foi em 2009, também, que eu descobri o programa de au pair e passei a segunda metade dele enrolada em todos os processos necessários para fazer parte dele - no tempo que a monografia não me consumia. Teste na agência, preencher formulários, visto, match com a família... E depois de tudo estar certo para a viagem, era unânime a opinião de todos: "2010 vai ser o ano da sua vida". Eu nunca duvidei disso (bem... talvez levemente no meu primeiro mês aqui, durante a adaptação). Mas eu acho que nada que me dissessem ou que eu pudesse imaginar me prepararia para o que este ano viria a significar pra mim.

Graças a Deus, os anos têm sido bons comigo, mas 2010 me deixa sem palavras. Nunca achei que fosse possível realizar tantos sonhos em 365 dias. Desde os maiores (o de morar em outro país) aos de infância (conhecer a Disney), os culturais (os shows, as peças na Broadway, Cirque du Soleil) aos turísticos (NY, LA, Las Vegas, Washington DC), ou até mesmo os mais bobos, simples (andar em montanhas-russas loucas, dirigir numa viagem longa, conseguir entender e ser entendida em inglês, ver neve). É uma lista sem fim.

O ano acabou e, como de costume, não consigo acreditar o quão rápido tudo passou. Para todos que me avisaram: vocês estavam certos. 2010 foi o ano da minha vida.

PS: completei dez meses aqui no dia 22, estou poucos dias atrasada com o post.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

I want to be a part of it

Passei um segundo final de semana em Nova York. Um dia e meio é suficiente para colocar em prática uma lista do-que-fazer-enquanto-estiver-na-Big-Apple, pra quem está disposto a andar muito, mesmo estando muito frio.

Eis a minha lista/viagem:

1) Assistir a (mais) uma peça na Broadway. Desta vez, a escolhida foi "Chicago". É maravilhosa, engraçada, mas mesmo assim ainda não ganha de Billy Elliot.


2) Visitar os pontos da cidade famosos pelos enfeites de Natal. Esse era um sonho antigo meu, ver a árvore do prédio Rockefeller e todos aqueles cenários de filmes americanos. Verdade seja dita, não é nada de tão glamoroso, mas não deixa de ser lindo como qualquer cidade com enfeites e luzes natalinas.



3) Atravessar a ponte do Brooklyn. Foi necessário quebrar a cabeça e pedir informações pras pessoas (algumas que sabiam tanto quanto a gente) de que metrô pegar pra chegar no começo da ponte. (Metrô em Nova York é um tanto difícil de entender, bem diferente de Washington DC.) Conseguimos, então, chegar na extremidade que começa no Brooklyn e a atravessamos até Manhattan. Acredito ter sido o meu momento mais emocionante nas minhas três visitas à NY.


4) Sair a noite. A ideia inicial era balada, mas acabou não rolando. Fomos, então, passear no Village, andando de barzinho em barzinho. Paramos nuns três, fugindo da chuva. Todos bem pequenos, pouca luz, e rock/punk de fundo musical. (Não entendo por qual razão, mas não tiramos nenhuma foto por lá!)

5) Conhecer a Grand Station. É claro que é um ponto turístico famoso da cidade e um lugar muito lindo, no entanto minha vontade de visitar a estação era pelo simples motivo de ver o lugar em que Alex, Melman, Marty e Gloria, de Madagascar, resolveram fugir de NY.


6) Reencontrar pessoas queridas. Das 16 meninas que vieram comigo e com a Ana Paula no mesmo dia para os EUA, umas cinco delas moram perto de NY. Conseguimos nos encontrar com três - queridíssimas - delas. (Meninas, vocês são umas fofas! Foi ótimo revê-las! Obrigada pela estadia, Thici!)


Só faltou mesmo conhecer o prédio de Friends (que fica no Village, e eu só descobri isso hoje). Próxima viagem para NY já está marcada para abril, pra assistir ao show do My Chemical Romance. Pretendo, nesse mesmo final de semana, ver o musical "Spider Man - Turn Off the Dark", que estreou há pouquíssimo tempo, com direção de Julie Taymor (Across the Universe) e músicas de Bono Vox e Edge. Básico. Os ingressos estavam absurdamente caros por ser um espetáculo bem recente. Ficou pra próxima.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Weekend course 2 - I'm half way there

Ter dúvidas sobre a decisão de estender o programa é normal, mas incomoda. Aliás, qualquer dúvida é incômoda - e dependendo da decisão a se tomar também pode ser bastante. Nesse final de semana, no entanto, provei a mim mesma que realmente quero ficar esses seis meses extras.

Fui ao segundo e último curso para au pairs na faculdade em Baltimore. Como já mencionei, as aulas não são lá grandes coisas, e não me interessam muito a não ser o fato de que me darão os créditos exigidos pela Au Pair in America. Seis créditos completos por dois finais de semana de aulas entediantes.

Para completar o curso, cada au pair precisa comprovar dez horas de trabalho voluntário em alguma organização relacionada ao tema das aulas, mais um texto de cinco páginas sobre a experiência na área. Pratiquei todo meu talento de "encher linguíça", que deixaria qualquer dos meus professores de jornalismo de cabelo em pé (de decepção), para escrever sobre o tantinho de experiência que eu tenho em Turismo e Hospitalidade.

O trabalho não foi o problema, já que a coordenadora do curso não os lê de verdade. Só garante que cada au pair não escreva nem uma linha a menos na quinta página. O trabalho voluntário, entretanto, foi bem difícil de conseguir e só fui resolve-lo completamente - com certificado preenchido e assinado - na noite de sexta-feira anterior ao final de semana.

Como agravante, minha família americana havia recebido uma carta da Au Pair in America, na quinta-feira, dizendo que só poderia enviar nossos documentos para o governo americano autorizar a extensão após receberem o comprovante dos meus estudos. A possibilidade de não conseguir meus créditos - e por consequência a extensão - me despertou um desespero surpreendente. Esse tipo de situação - quando ainda há dúvida sobre uma decisão - sempre desperta em mim a fé no destino: o que tiver de ser será.

Mas aos poucos, eu já tinha acumulado planos para os seis meses a mais que pretendo passar aqui. Minha matrícula para as próximas aulas do curso de intérprete já está paga e elas só terminarão em março (um mês depois de completar um ano nos EUA). O ingresso para o show do My Chemical Romance em Nova York em abril já está comprado. Ainda tenho esperança de conseguir ir à premiere do último filme da série Harry Potter em julho. Não visitei nem metade da minha lista-de-cidades-americanas-que-eu-quero-conhecer, nem completei a minha lista de shows-nos-EUA.

Pensar em ir embora sem colocar tudo isso em prática me pareceu o mesmo de desistir no meio do caminho. De missão não cumprida.

Depois de um final de semana sonolento, frio de doer, passado inteiro dentro de salas de aulas, eu dei mais um passo para conseguir minha extensão. Completei meus seis créditos. Agora a decisão é do governo americano.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nove meses


Em Las Vegas, Ana Paula, Michelle e eu subimos na torre do hotel Stratosphere, de mais de 350 metros. Só percebo o quanto tenho medo de altura quando preciso passar por situações como essa. É apavorante. Foi pisar fora do elevador, e minhas pernas começaram a tremer. Prevendo meu pavor, comprei apenas um ticket para escolher entre as três atrações da torre. Já havia visto sobre os brinquedos em um documentário sobre montanhas-russas e parques de diversões. Eles são bem simples, fraquinhos, se não fosse o fato de estarem todos pendurados a beira da torre.

Cheguei a sentar na cadeira da Insanity, mas amarelei. Levantei antes mesmo de fecharem a trava, alegando "I'm a chicken" para o funcionário (quase um equivalente a "Eu sou uma covarde", termo aprendido com o McFly de "De Volta Para o Futuro" - Nobody calls me chicken). O único brinquedo que consegui ir foi o Big Shot (semelhante ao elevador do Playcenter), que é até pequeno - já fui em piores. Mas a altura do prédio me fez sofrer pra decidir realmente enfrentá-lo. Os funcionários foram bem pacientes, me esperaram "dominar" o medo, resmungar alguns palavrões em inglês, enquanto minhas amigas tentavam me encorajar (já sentadas no brinquedo).

Lembro bem de pensar que seria uma vergonha ter chegado até ali e não ter coragem o suficiente de tentar, de enfrentar o pânico. E como é difícil enfrentar o pânico. É uma sensação tão humilhante. É raiva de não conseguir me controlar mesmo sabendo que é uma oportunidade única. Quantas vezes estarei no topo do hotel mais alto de Las Vegas? E foi quase me arrastando, que consegui sentar na cadeira. Fui, gritei, xinguei, abri os olhos e, meu Deus, que vista foi aquela. Las Vegas ao anoitecer. Foi a melhor recompensa depois de ter quase chorado de medo e mesmo assim conseguido enfrentá-lo. Foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na minha vida.

Mas não mais difícil que decidir ficar nos EUA por mais seis meses. E foi por este motivo que resolvi contar o incidente na Stratosphere. As sensações são exatamente as mesmas. É uma oportunidade única. Quantas vezes terei a chance de morar fora - ainda mais nas condições em que vivo? Quantas vezes terei um visto aceito? Quantas vezes terei 20 poucos anos num outro país que não o meu? Quantas vezes poderei estudar nos EUA? Posso continuar por páginas e mais páginas...

No entanto, a saudade de tudo e de todos, o medo de estar atrasando minha vida, minha carreira, de ter tomado a decisão errada, me fizeram pensar realmente em não ficar. Eu não quero ir embora com a sensação de não ter tentado, nem que fosse pelo tempo mínimo de extensão possível. E por isso, hoje, ao completar nove meses morando nos EUA, que eu completo exatamente metade do meu caminho. Half way done.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

As quatro estações

Sempre achei estranho quando os americanos diziam que eles tinham as quatro estações do ano. Qualquer país as tem. Por este motivo, entendia a afirmação como mais uma arrogância americana. Mas, após passar nove meses aqui e presenciar todas as mudanças - no clima e "visual" - do lugar, agora entendo o que eles queriam dizer.

Cada estação é completamente diferente uma da outra, e as características são extremas. Se é inverno é muito, muito frio. E, claro, neva. A paisagem fica branquinha, as árvores desfolhadas, e todas as pessoas cobertas de camadas e mais camadas de roupa.



A primavera é levada ao pé da letra: "renovada vegetação". As árvores ganham as folhas de volta e ficam carregadas de flores. E tudo muda do branco para o extremo colorido. É o período das alergias atacadas.



O verão foi minha maior surpresa: é quente. Muito quente. Vinda de país tropical, eu não esperava sofrer com o calor que faz nos EUA. É abafado, grudento. Cada bairro tem uma piscina coletiva, e elas só são abertas durante os três meses da estação. É o único período do ano em que o bronzeado das pessoas é verdadeiro. As escolas americanas fazem as férias de verão, todos os estudantes passam os três meses de folga. E o dia acaba mais tarde com o horário de verão, como o nosso. O pôr do sol começa às 19h30. A estação é aproveitada ao máximo.

E a atual e minha preferida: o outono. No Brasil, essa estação sempre foi indiferente pra mim, mas aqui tudo vira uma palheta de cores quentes. As árvores se colorem de vermelho, laranja e amarelo - e, consequentemente, o chão e tudo que fica embaixo delas. Em poucas semanas, as árvores estarão todas peladas. Enquanto isso acontece lentamente, a temperatura cai drasticamente. É no começo dessa estação que o horário de verão acaba e o pôr do sol começa às 17h30.

As estações demarcam tudo que acontece no país: temporada de shows, períodos escolares, promoções. Matrículas para os cursos de outono. Calendário de shows de primavera. Férias de verão.

PS: Um adendo muito importante - que eu deveria ter inserido em todos os meus posts - é que todas as descrições e características que escrevo aqui são do lugar em que vivo, na Virginia. Nada pode ser generalizado, uma vez que os EUA é um país grande e diversificado, como o nosso. Ainda mais depois de conhecer Los Angeles, na outra costa do país, que é completamente diferente da região em que moro.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Loirinha bombril

Uma amiga minha, a Michelle (última da direita, na foto abaixo), gravou um vídeo de 36 segundos no hotel Stratosphere, em Las Vegas, de uma outra amiga, a Ana Paula, num dos brinquedos da torre (assunto para outro post que pretendo escrever ainda esse mês). Enquanto o vídeo era gravado, um casal de senhores loiros de olhos azuis começou a puxar conversa, talvez interessados na língua que estávamos conversando. (Detalhe para que entendam a história: a Michelle é do sul do Brasil, loira de olhos azuis.)

No começo do vídeo (0:02), dá pra ouvir a mulher perguntar (a mesma questão de sempre) "What country are you girls from?", pra qual eu respondo "Brasil". Pouco depois (0:30), o marido pergunta: "Is it most of the brazilians all dark skin?" ("A maioria dos brasileiros não tem pele escura?). E a resposta vem um pouco indignada: "Não, somos todos diferentes. É um país bem grande, como o seu". Mas o vídeo só pega metade do que eu digo.

São exatamente situações como essa que me fizeram escrever o post Pride and Prejudice. Não um recado a ninguém em específico, mas sim indignação com pequenas atitudes de várias pessoas desconhecidas. No fim, entendo esse tipo de pergunta como pura ingenuidade, porque para fazê-la sem nem pensar que pode ser considerada preconceito ou ignorância é porque a pessoa realmente tinha isso como verdade. E é até bom que essas situações aconteçam, para que seja possível mudar o pensamento errôneo sobre o país e nossa cultura. E eu nem sou lá uma brasileira patriota. Mas é bem irritante.

Brasileiras

Essa crioula tem o olho azul
Essa loirinha tem cabelo bombril
Aquela índia tem sotaque do sul
Essa mulata é da cor do Brasil


Para e repara bem na foto. Somos todas brasileiras, cada uma de um estado. Completamente diferentes uma da outra. E mesmo conseguindo distinguir brasileiras no meio da multidão (qualidade adquirida morando nos EUA), é isso que mais gosto entre nós: temos a mesma nacionalidade, mas possuímos características físicas individuais e únicas, diferente do que acontece em inúmeros países. Não somos todas, por exemplo, loiras de olhos claros; ou morenas de cabelos negros.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Parte 3: A noite de quarta-feira








A noite de quarta-feira, 3 de novembro, merece um post a parte pela sucessão de acontecimentos inesperados que nos ocorreram.


No nosso primeiro dia em L.A., depois de caminhar metade da cidade pra conseguir uma foto boa com a placa de Hollywood (e só conseguir uma meia boca - que eu postei na "Parte 2"-, conquistada a muito custo, depois de várias tentativas no meio da rua, tirada pela Juliana - Obrigada, Jú!), com os pés doloridos de andar, resolvemos parar comprar champanhe numa loja de esquina e ir beber na piscina do hotel.


Enquanto estávamos sentadas a beira da piscina, três caras passaram e começaram a puxar conversa. Aí veio a frase mais escutada da semana passada: "De onde vocês são?" (estaríamos ricas se tivessemos ganhado um dólar pra cada vez que respondemos a essa pergunta). A resposta "Brasil" causou a mesma reação de sempre com um adicional: um deles disse que era músico e que um dos singles dele vai ser trilha de uma novela brasileira e sair no CD Summer Hits em 2011. No entanto, não sabemos até agora em qual canal, porque mesmo pesquisando na internet, o cara não conseguiu lembrar o nome - nem do canal, nem da novela. Em todo caso, o cantor é Ali Pierre e a música é Live It Up. Até tiramos foto com ele caso fique famoso no Brasil. (As meninas tiraram muito sarro de mim porque não estava usando calça na foto. Era na piscina, pô! Estava de biquini.)

Logo depois, fomos nos arrumar pra ir à uma balada que um dos três nos sugeriu, na rua Hollywood Blvd, a mesma do nosso hotel. Não sabíamos, no entanto, que pra chegar até o lugar dava mais de 20 minutos de caminhada. Na andança, passamos na frente de uma festa em um albergue e um francês chamou a gente pra entrar. Entramos de bicão. As meninas cantaram "Dancing Queen" no Karaoke (foto). No final da música, fingiram que era meu aniversário e começaram a cantar Happy Birthday para mim. Até fiz uma ponta no palco quando elas resolveram cantar "As Long As You Love Me" dos Backstreet Boys. E fomos embora. Mas não antes da Michelle derrotar o campeão - até então - invicto de tênis de mesa.



Partimos então para o destino inicial, a tal balada Drai's. Pegamos a fila (um tanto pequena, pois era quarta) nos preparando mentalmente para gastar $20 de entrada, até que um tal de Nick chega na gente e diz que podiamos entrar de graça porque ele era promoter da festa. Tudo que precisavamos fazer era falar muito bem do club por aí. Pegamos o elevador com ele - a festa é na cobertura de um hotel - e uma amiga perguntou:




-Esse club é bom?

-Drai's? (Cara de incrédulo) Vocês conhecem a banda LMFAO?



Pausa para explicação: se você vai a clubs norte-americanos, já ouviu com certeza absoluta alguma música dessa banda. A "Shots" é dessas que toca em toda santa festa. Eles têm participação na música "Outta Your Mind" do Lil Jon e na "Gettin' Over You" do David Guetta.


-Conhecemos!

-Eles têm contrato com o club. Estão aqui todas as quartas.

-AAAAAHHHHHH!





E eles estavam mesmo lá. Até fizeram uma apresentação meio playback de duas músicas. No meio da balada, escutamos um cara pegar o microfone e dizer "Queriamos agradecer por terem colocado nossa música como hit número um no país" e começa a tocar "Like a G6" (outra obrigatória em playlist de festa americana). Momento para mais um berro coletivo. A banda Far East Movement (foto) também estava na Drai's. O club é daqueles bem de VIP, com piscina e mulheres de salto alto - e nós de sapatilhas. Retribuindo o favor do promoter Nick: se por acaso for para Los Angeles, vá à Drai's. É muito, muito boa. Pronto, propaganda feita.


Diferente de quase todas as festas nesse país, que acabam à 1h30, a da Drai's acabou às 2h30. Voltamos a pé na coragem. Antes, parei na rua pra tirar foto da cobertura do Hotel W do lado de fora. Um carro de polícia parou do nosso lado e os policiais, sérios, perguntaram se tinhamos permissão para tirar foto do prédio. Quiseram saber de onde eramos (mais um dólar). E quando eu já estava quase pegando meu ID para mostrar, achando que podia estar realmente encrencada, os guardas começaram a rir. Estavam tirando com a nossa cara descaradamente. Minha amiga ainda pergunta: "Se eu te comprar uma Donut, você me deixa tirar uma foto com você?".


Para finalizar a noite, vi - pela primeira vez nos EUA - uma barata. Uma não, três, na mesma rua.



PS: A novela em que a música "Live It Up" de Ali Pierre vai ser parte da trilha é a próxima Global "Insensato Coração".

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Parte 2: Califórnia



Depois da estadia de dois dias e três noites em Las Vegas, fizemos o caminho de carro de volta para Los Angeles na manhã de terça-feira, com uma parada de uma tarde e um pôr-do-sol em San Diego - onde pisei pela primeira vez nas águas geladas e cheias de algas bizarras do Oceano Pacífico.

Welcome to the Hotel California

Sempre ligo músicas a momentos especiais da minha vida. Uno música ao lugar, companhia, cheiros, sentimentos e imagino, na minha cabeça, uma cena montada e editada para filme. É assim desde criança. E os melhores desses momentos quase sempre acontecem quando estou dentro de um carro. No trajeto de Las Vegas a San Diego, pouco depois de passar a placa de divisão entre os Estados de Nevada e Califórnia, mudamos a estação da rádio e pegamos o começo de "Hotel California" do Eagles. Cena de filme. Ainda seguida, durante as próximas horas da viagem de carro, pelas músicas "California Gurls" da Katy Perry e "Dani California" do Red Hot Chilli Peppers. Só faltou mesmo a "California" do Phantom Planet, tema de O.C. - que viria bem a calhar com um dos acontecimentos posteriores da viagem. California here we come.

Los Angeles

L.A. foi um tanto decepcionante. Esperava todo o glamour que se vê na TV e se espera de uma cidade que abriga todos os astros e famosos. Mas a cidade passaria facilmente por uma metrópole brasileira. A calçada da fama é literalmente uma calçada. Pode ser ingenuidade da minha parte, mas eu esperava algo mais limpo, iluminado, em destaque na cidade. Mas é realmente só um monte de estrelas com nomes espalhadas pelas ruas, pelas quais todos passam sem notar. É fácil distinguir turista no meio da multidão: quem caminha olhando para o chão - e eventualmente para pra tirar foto quando encontra o nome de algum ídolo. Com exceção da calçada em frente ao Chinese Theater - onde as premieres acontecem todas as noites - que é mais bonita e tem as marcas de mãos e pés com as respectivas assinaturas dos famosos.


É comum esbarrar em gravações. Enquanto caminhávamos na Hollywood Blvd escutamos tiros um bloco a frente: estavam gravando uma cena da série policial Southland, com o ator Benjamin McKenzie, o Ryan Atwood de The O.C., no meio da rua. E durante a nossa caminhada em busca do melhor ponto para tirar fotos com a placa de Hollywood ao fundo (num sobe e desce de morros a pé até anoitecer), vários prédios tinham um aviso na porta de que seriam usados como cenário de gravações naquela mesma noite.

Fizemos um tour naqueles ônibus de dois andares. Passamos por prédios importantes - como o Capitol Records -, o cemitério dos famosos (onde estão enterrados Marylin Monroe e Heath Ledger), estúdios (Paramount Pictures, Nickelodeon, KCET, NBC), lugares que serviram de cenário de filmes (a boate de "Striptease", a casa do Iron Man, e o club em que John Travolta e Uma Thurman dançam em "Pulp Fiction"), e Beverly Hills, que na verdade é uma cidade a parte e não um bairro de Los Angeles, como eu imaginava. Tem até prefeito, posto policial, shopping a parte. Essa sim é o glamour em plena forma.

As praias

Fizemos os passeios às praias de ônibus. As viagens são demoradas, mas não há o que reclamar do transporte público de L.A., com exceção do mau humor dos motoristas. Passamos uma tarde em Santa Monica, a praia do píer com o parque de diversões. A água é gelada de doer, mesmo assim algumas das meninas se atreveram a entrar no mar. No mesmo dia, passamos rápido por Venice Beach, que a noite é casa de mendigos e um povo estranho. Na tarde seguinte, fomos pra Malibu (a casa do Charlie Harper de Two and a Half Men), cheia de golfinhos nadando próxima a costa.

As praias são lindas como toda deve ser, e calmas como nenhuma do Brasil. Pouca gente (tudo bem, era no meio da semana) e nenhum vendedor. Álcool é proibido. No entanto, qualquer uma delas passaria por uma das praias brasileiras mais simples. Nada demais. E deve ser por isso que os gringos se encantam com o litoral brasileiro.

Fotos: San Diego, Santa Monica e Malibu.


É uma viagem cansativa, corrida e é claro que uma semana não é suficiente pra fazer/conhecer tudo. E não ter nada planejado foi, sim, a melhor opção. Até mesmo porque em seis meninas não é fácil agradar a todas, mas nos viramos muito bem. Foi sem dúvida a viagem da minha vida e uma das melhores semanas ever.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Parte 1: Las Vegas



Las Vegas é tudo de lindo nessa vida. Foram necessárias cinco horas dirigindo de Los Angeles até a cidade iluminada do Estado de Nevada numa paisagem desértica/montanhística. Cinco horas exaustivas no volante de uma minivan alugada, após uma hora de escala em Atlanta e mais cinco horas de voo para a Califórnia, o outro lado do país. E depois de tantas horas de viagem (e poucas de sono), Las Vegas parece uma miragem no meio do deserto.

Aposto que passa pela cabeça - como chegou a passar na minha - por que não pegamos um voo direto para Las Vegas? Mas o trecho de carro é quase uma obrigação pra quem viaja pra Califórnia, e acabou sendo diversão a parte. Eu que dirigi durante a ida e foi mais uma das situações em que me coloquei a prova. É claro que o meu GPS me dá uma sensação de poder e segurança. Mesmo assim, me orgulho de ter sido motorista por metade da viagem.


A cidade é de fazer brilhar os olhos, com o perdão do trocadilho (Las Vegas é bastante conhecida pela iluminação dos prédios). A parte turística é basicamente uma grande avenida, a Las Vegas Blvd (chamada também de Strip), cheia de resorts com casinos, baladas, shows, espetáculos e muita, muita luz. Ficamos num hotel bem luxo, o Monte Carlo. Andar pela Strip pode ser bem legal de dia, mas a graça mesmo é a noite, com todos os prédios acesos.

Passamos o final de semana do Halloween por lá, então aproveitamos pra sair na noite do sábado (na Tao) e do domingo (na Palms). Entramos de graça nas duas. Se você for mulher em Las Vegas e conseguir os contatos certos, é bem fácil conseguir entrar em baladas como VIP. Ainda mais tendo amigas au pairs que já fizeram a mesma viagem e já sabem as manhas e o nome/telefone de promoters. Antes de ir pra balada no domingo, fomos assistir ao espetáculo do Cirque du Soleil, Zumanity. É maravilhoso, como todo show do Cirque deve ser, mas com mais nudez que qualquer outro. É uma representação bizarra do sexo em apresentações de bambolês, tecidos acrobáticos, dança, nado e humor.

Jogamos nas máquinas do casino do hotel (eu ganhei $5). Fomos na torre do hotel Stratosphere (assunto para um outro post). Assistimos ao show de jatos de águas no lago do hotel Bellagio (aperte play na página do site pra entender do que estou falando). Bebemos na rua (que é proibido por lei em quase todas as cidades dos EUA, mas não em Vegas). Conhecemos o hotel Caesars Palace, onde foi gravado o filme "Se Beber Não Case". Entramos numa capela dessas que o povo casa bêbado. Andamos a Strip toda a pé.

Em suma, quase tudo que uma viagem à Las Vegas exige.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A véspera

Mala pronta. Claro, naquelas... Vou acabar achando espaço pra mais algumas coisinhas (talvez até desnecessárias). Já entende-se que não sou nem um pouco boa em fazer malas, mesmo quando se trata de uma viagem de uma semaninha.

Quão clichê é ter uma péssima semana antes das férias? O mais velho esqueceu a mochila no meu carro e foi pra escola sem lanche. O pai americano resolveu ficar preso no trabalho justo no dia em que eu tenho aula. Tive de trabalhar extra uns dois dias. Os meninos resolveram brigar mais do que o normal. E a paciência escorrendo ligeira pelo ralo... É tão comum sentir-se esgotada antes da folga. Faz a viagem até parecer necessidade e não opção.

Mas aí, na manhã da véspera, recebo uma mensagem no celular: "Forgot to tell you, there is something cool for you at the freezer". Abro o congelador e encontro um envelope com meu nome escrito. Dentro, um cartão de agradecimento ("Muito obrigada por cuidar tão bem dos nossos meninos. Tenha uma ótima viagem!") e o pagamento pelas horas extras - dinheirinho muito bem vindo na véspera das férias. Diga o que quiser, mas eu funciono melhor quando meu trabalho é reconhecido.

Em seguida, pergunto em voz alta "Quem vai estar na Califórnia amanhã!?" e os meninos apontam pra mim. "Quem vai sentir falta da Brenda"? Os dois apontam pra eles mesmos. Ganho ainda abraços e beijos extras de cada, pra valer por uma semana inteira ausente em casa.

São esses detalhinhos que fazem a volta a rotina não ser tão dolorosa no fim das férias.

A viagem

Sem planos concretos, pra variar. Temos hotéis e carro reservados e é isso. No entanto, estamos programando essa viagem há meses que deu pano pra umas cinco mangas. No geral, seremos seis brasileiras fazendo uma das obrigações de au pair nos EUA: conhecer Los Angeles e Las Vegas. Dirigir no deserto. E como serei eu que alugarei o carro, confesso que, por enquanto, estou mais preocupada com os detalhes de seguro, GPS, e as cinco horas no volante que ainda não aproveitei a sensação de véspera de viagem por inteiro.

É claro que vamos revezar a direção; não ter um itinerário não limita nossas opções e faz da viagem mais espontênea; e tudo se resolve no final. Mas não seria eu mesma sem me preocupar por antecedência. A gente aprende a viver com nossos defeitos imutáveis...

Halloween

Perderei o "Trick or Treats" dos meninos aqui pela vizinhança, mas já tive oportunidade de ve-los usando as fantasias de Jango Fett e Darth Vader. As meninas e eu estaremos em Las Vegas no dia 31 de Outubro. Acredito ser um lugar interessante para se passar o Halloween e é a parte da viagem que mais tem me deixado ansiosa.

Fantasia já está na mala, junto às blusas, saltos altos, câmera e o resto das coisinhas que consegui decidir levar comigo. Que o que ficar não faça falta.

Até comecinho de novembro!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Oito meses


Comemorei o oitavo mês aqui na maior festa de tinta do mundo, Day Glow Party, no club Ibiza em DC. Quatro ambientes diferentes, DJ's diferentes (inclusive o DJ Manifesto, do qual viramos fãs depois do sábado, dia 16), e tinta "voando" pra todos os lados. Todo o aperto e desorganização que não passei nos shows nos EUA, passei ontem. Digno de fim de show no Brasil.


A festa era under 21, o que significa que era permitida entrada de jovens acima de 18 anos. Americanos adolescentes são loucos. As meninas são drama queens. É duro generalizar, mas é o que se vê.

Foi bem divertido, mesmo com todos os poréns. Parece que todos estão uniformizados, vestidos de branco. No fim da festa, não há uma única roupa não tingida de laranja, verde, pink e amarelo neon.

Flight back home

Eu não tinha intenção de escrever sobre isso hoje (22). Até porque, eu prometo a mim mesma evitar ao máximo os mimimi's ou posts emocionados. Mas foi impossível depois de receber, exatamente no meu eight-months-anniversary day, a carta do Au Pair in America com as informações para marcar meu voo de volta para o Brasil, caso eu decisa não estender o programa.

Agora não tem mais escapatória. Os meses passaram num piscar de olhos, e depois de fugir da decisão de ficar mais ou não, com a desculpa de que "ainda falta muito", eu vou ter de dar uma resposta. Tenho um mês para acertar todos os papéis, seja qual for minha decisão.

São nos aniversários da minha estadia aqui que eu caio na real o tanto que eu estou longe de família e amigos. É meio surreal. Graças às facilidades da internet e à possibilidade de ve-los pela webcam, a falta deles é um pouco enganada, o suficiente para não sofrer de saudades o tempo todo. Mas quando paro pra pensar que já estou aqui há oito meses, a distância e saudade cai que nem pedra na cabeça.

Mas pensar em ir embora, surpreendentemente, causa resultado bem semelhante agora. Deixar essas crianças não vai ser fácil.

Deixar a vida aqui não vai ser fácil.

PS: comecei a escrever esse post no dia 22, quando completei oito meses aqui nos EUA. Hoje, dia 25, completo oito meses na casa da família americana.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Weekend course


Uma das opções para as au pairs da região que precisam preencher os créditos exigidos pelo programa é um curso de final de semana na faculdade Sojourner-Douglass, em Baltimore (MD). Os temas são poucos e aleatórios.

Três motivos podem levá-lo a optar por ele: o assunto do curso realmente lhe interessa (o menos possível de todos); estudar nos EUA não é importante e você só está preocupado em preencher os créditos; ou - a minha opção - você escolheu um curso que lhe interessa, mas o maledetto não conta créditos, e então é forçado a consegui-los da maneira mais rápida.

Doeu o coração gastar minha bolsa paga pela família americana em dois desses cursos de finais de semana. O primeiro deles foi no primeiro de outubro, nos dias 9 e 10. Eu e minha amiga Cecília rumamos para Baltimore - pouco mais de uma hora de minha casa, de carro - na manhãzinha de sábado para fazer o check-in no hotel (incluso no preço do curso) e entrar a tempo na primeira aula, às 9 am.

É claro que tento tirar proveito de todas as coisas que decido fazer e não foi diferente dessa vez. Absorvi tudo o que pude das aulas, mas, infelizmente, não eram "grandes coisas". O tema Hospitality and Tourism pode ser bem interessante quando bem aproveitado. No entanto, a intenção clara dos professores era fazer com que as aulas - todas de duas horas de duração - passassem rápidas e indolores, sem muito esforço e conteúdo.

Um agravante: se deixar para selecionar suas aulas nos últimos dias (é você quem monta a programação), pode acabar tendo de frequentar temas bem desnecessários como "Money 101" (aprenda como usar as moedas e escrever cheques norte-americanos) e "Children's Literature".

Foi quase como uma segunda integração (das que toda au pair tem de fazer em NY). Um monte de au pairs do mundo todo tendo aulas juntas, com a diferença de ter pouquíssimas brasileiras - rara ocasião, me senti única. Foi até divertido, com direito a jogar Uno no bar do hotel com alemãs, francesa, brasileiras e um male au pair brasileiro.

Pra variar, melhor parte do fim de semana foi voltar dirigindo pra casa ao entardecer do domingo. A ponto de até gostar de ficar presa no trânsito na região de Bethesda pra ter tempo de observar o céu avermelhado. No começo de dezembro, estaremos lá de novo para o segundo e último final de semana do curso. Com roupas de inverno na mala.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pride and Prejudice

Perdão Jane Austen, mas o título vem bem a calhar com o que está entalado na minha garganta. Na verdade, é um acúmulo de atitudes e desdém de alguns norte-americanos difícil de engolir. Eu posso apostar minha coleção de all star de que todas as au pairs vindas de um país do terceiro mundo já passaram ao menos uma vezinha por situações semelhantes de preconceito ou simplesmente ignorância. De insultar o orgulho e a inteligência. Portanto, I'm very sorry, but this post has to be in english so the people who need to read it can understand.

We are not in the USA for the money. Making a budget can be one of the reasons some of us came to be an au pair, but in just rare exceptions that's the main porpose. Being Brazilians doesn't mean we're poor.

You don't need to talk to me slowly or like I have some kind of problem. I can speak your language (unlike most of you, that doesn't even know portuguese is Brazil's oficial language). Speaking in english about me beside me, thinking that I can't get what your saying, is foolishness. And don't be afraid to get close, have a conversation with me as normal, civilized people. I don't have any contagious disease just for being a foreigner.

I've been asked if we have bears in Brazil, if we celebrate Christmas, people were surprised 'cause I knew who were the Power Rangers. You may not recognise it, but not knowing anything about other countries is ignorance. Lack of respect for the rest of the world.

And just to make things straight, I'm not talking about my host family or about their relatives. They're being really nice to me since I got here and I'll always be grateful for that.

Pronto, tendo tudo isso vomitado, prometo não escrever outro post revoltado tão cedo.

PS: I don't like to stereotype. Not all the americans act like that, of course.

domingo, 3 de outubro de 2010

C'est la vie


As vezes o destino dá um sopro de sorte na rotina, e você vai parar num resort digno de cinema em Palm Beach, Flórida, sem gastar um tostão. Estava a trabalho, é verdade. Mas quem se importa em trabalhar de cara para o mar, depois de passar uma manhã tostando no sol e calor pegajoso do sul americano?

É daquelas situações que sempre quis estar mas nem pensava em sonhar por ser um tanto fora do alcance (ou orçamento). Deixar acontecer nem sempre é tão ruim ou conformista. Aos poucos vou aprendendo a não sofrer por antecendência.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tecla SAP

Essa é para mim a magia das línguas...

Estávamos em onze pessoas, e na sala ao lado uma mulher falava alto. A voz era clara mesmo separados pela parede. Todos escutávamos a mesma coisa, no entanto, eu era a única que conseguia compreender o que a voz dizia. Meu cérebro era o único a dar significado às palavras, a decodificá-las.

A mulher falava em português. Eu era a única brasileira na sala.

Todos nós temos o mesmo vocabulário em nossas línguas. Palavras. Significados. Verbos, substantivos, adjetivos, advérbios. Objetos, cores, dias da semana, meses. É no modo que movemos os lábios, movemos a língua, puxamos o som da garganta... Pronunciamos. E pronto! O resultado pode ser absolutamente irreconhecível.

É quase como se o ouvido fosse treinado. Num dia, o que você ouve é só uma sequência de sons desconhecidos. E depois de estudar, o ouvido converte o barulho em linguagem. É apertar a tecla SAP na mente.

Uma das metas na minha vida - porque isso exige tempo e esforço absurdos - é conseguir treinar meu ouvido em pelo menos três línguas diferentes. Viajar pelo mundo, entender e ser entendida.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Além da capa


Eu e todas as amigas brasileiras que tenho aqui temos poucas semelhanças. Somos e fazemos partes de diferentes grupos sociais. Diferimos em gostos, culturas, costumes, gírias, personalidades, humor e, principalmente, Estados. Só nos conhecemos porque - por várias razões - compartilhamos o mesmo desejo de morar fora.

O destino fez com que nos conhecessemos em outro país, porque de maneira nenhuma nossos caminhos se encontrariam no Brasil. E mesmo que, por uma ventura do acaso, nos esbarrassemos por lá, não passaríamos das primeiras impressões, tão acostumadas estamos em julgar o livro pela capa. Buscamos semelhanças nas possíveis novas amigas, e dificilmente fugimos do conhecido, do seguro.

Estando em outro país, no entanto, as opções são limitadas e somos forçadas a superar as primeiras impressões. Não estou dizendo que sou obrigada a tolerar as amizades que conquistei aqui, ou que elas são obrigadas a me aturar. Pelo contrário, não só aprendemos a aceitar as nossas diferenças, como passamos a achá-las fatores de unicidade. São elas que tornam as meninas que conheci aqui tão especiais.

E esse é um dos meus principais aprendizados adquiridos na experiência de ser au pair.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sete meses

Completo hoje sete meses nos EUA. E o menino mais velho que eu cuido completa hoje cinco anos de vida. É emocionante o quanto se presencia no crescimento de uma criança em poucos meses. Ele sabe escrever agora e me enche de orgulho. Foram horas copiosamente, tarde após tarde, praticando letras juntos na mesa da cozinha. Eu estava lá, no ponto de ônibus, esperando com ele no primeiro dia do prézinho. Ele entrou, foi e voltou sozinho que nem gente grande.

O mais novo tem três anos. Idadezinha complicada. Cheia de "conquistas", no entanto. Eu o vi aprender a nadar, a usar a privada (e, graças ao bom Pai, não precisar mais de fraldas), a escrever o próprio nome (esse por mérito exclusivamente meu), ir ao primeiro dia de aula na vida dele.

Já vi o gosto dessas crianças mudar a cada mês, em relação a brincadeira, comida, medo, filmes, amigos... E até o fim da minha estadia, vou presenciar mais umas centenas de mudanças. E apesar de soar exagero, as vezes, eu sinto amor de mãe (ou talvez de irmã mais velha) por esses meninos. São nove horas diárias de convívio como au pair - e o resto das horas como membro da família. E querendo ou não, pra se realizar um bom trabalho é necessário se passar por mãe e cuidar deles como filhos. Com o carinho e broncas e proteção e castigos e incentivos. Tudo no seu devido momento. E, sem falsa modéstia, I am a hell of a good au pair!

A maioria de meninas au pairs que conheço diz que, depois dessa experiência, começaram a pensar seriamente se querem ou não ter filhos. Eu tenho certeza que sim.

Estudos

Finalmente, comecei a estudar. Nunca pensei que os estudos seriam um dos meus maiores problemas aqui, mas, aparentemente, ter o inglês bom limita as opções. Entende-se como quase fato que au pair vem para os EUA com o objetivo de aprender inglês, e não aperfeiçoá-lo. De qualquer forma, minha intenção inicial era, sim, estudar inglês. Quando cheguei aqui, no entanto, tanto meus pais americanos quanto a minha counselor me disseram que seria perda de tempo. As aulas de "inglês como segunda língua" que praticamente toda au pair da região frequenta, infelizmente (e isso é unanimidade), não são boas.

Foi uma batalha para conciliar preço, horário, créditos (aqueles que toda au pair tem obrigação de estudar durante o ano e não é qualquer escola/curso que conta) e, a parte mais difícil, algo que me interessasse. Não há muitos cursos em comunicação na região, e as universidades que os têm são absurdamente caras. Para agravar, a counselor, que supostamente está aqui para nos dar auxílio, não foi de muita ajuda. No final das contas, decidi satisfazer um dos meus interesses particulares/profissionais e comecei hoje um curso de intérprete, Spoken Language Interpreter. As aulas, entretanto, não valerão créditos, o que significa que eu ainda preciso preenche-los de alguma forma que eu ainda estou trabalhando para resolver.

Mudaram as estações

De qualquer forma, tive um verão incrível - que infelizmente acabou ontem. Agora é começar a se preparar para o frio.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Segredo

No meu último post, sobre a Lady Gaga, eu disse que ela é um dos melhores exemplos da lei da atração. De que quando se acredita de verdade em alguma coisa, você acaba atraindo-a. Revendo ontem, no canal Fuse, uma super entrevista no programa "Lady Gaga: On The Record", ela dá uma resposta perfeita que resume exatamante O Segredo e explica porque eu acho que essa mulher merece estar na posição que está hoje:

It's sort of like a mantra. You repeat it to yourself everyday: "Music is my life. Music is my life. The fame is inside of me. I'm going to make a number one record and put number one hits". And it's not yet, it's a lie. You're saying a lie over and over and over and over again. And then one day, the lie is true.

domingo, 12 de setembro de 2010

Gaga Uh Lala


Vi a Lady Gaga pela primeira vez no dia 13 de julho de 2008, apresentando ao vivo a música "Just Dance" no concurso Miss Universo. Lembro-me de pensar "Que doida é essa?" com aquela calça colada, blusa amarela berrante com ombreiras. Toda plastificada. Mas também me lembro de A-DO-RAR a música (até hoje a minha preferida dela). Pouquíssimo tempo depois, assistindo no youtube, ao, na época, lançamento das Pussycat Dolls "I Hate This Part", achei sem querer o vídeo da cantora que estava abrindo os shows da turnê delas: "Just Dance", da Lady gaga. Levei alguns minutos pra me lembrar de onde conhecia aquela música.

A partir daquele momento, viciei. Procurei vídeos com outras músicas e letras dela. No mesmo dia, ouvi "Love Game", "Poker Face", "Paparazzi" e "Beautiful Dirty Rich". Gostei de todas. Consequentemente, baixei o álbum "The Fame". Em uma semana o sabia todo de cor e salteado. Assisti a todos os episódeos do canal dela no youtube, enquanto ainda tentava se divulgar e ganhar espaço na mídia, fazendo showzinhos em clubs. Posso dizer que sou fã da Gaga antes da fama monstro.

Ela significou a quebra de um dos meus preconceitos: mulheres na música (um tanto contraditório de minha parte, pra quem tocou bateria por quatro anos). Depois dela, passei a ouvir PCD e Paramore - sem o pensamento machista de que mulher em bandas é tudo poser.

Eu sei que muito do que se atribui à Gaga se atribui a outros grandes nomes da música - como à Madonna. A receita não é inédita. No entanto, ela se encaixa no que pode se classificar na categoria "artista". O pacote completo. Ela é cantora, escreve as próprias músicas, é estilista das próprias roupas... As letras das músicas delas são tão pessoais e transparentes que chega a ser constrangedor, invasivo ouvi-las. Confissões descaradas sobre a obsessão pela fama, dinheiro e sexualidade. Até mesmo nas letras mais bobas como a de "Boys Boys Boys", acerta na medida perfeita na futilidade.

Lady Gaga é um dos melhores exemplos da força d'O Segredo: quando se acredita em algo com todo o coração, um dia, vai se realizar. Ela simplesmente queria ser star. É prova também de que quem tem talento, não desiste dos sonhos, acredita no próprio potencial e sabe se promover vai acabar sendo famoso. Um monte de clichê, eu sei. Mas é assim que eu a enxergo.

Essa visão só se fortificou depois de assistir ao show, em Charlottesville, VA. Além de ser uma mega produção, diferente de qualquer um que eu já tenha assistido (só não perde pra U2, é claro), a Gaga é uma front woman fantástica. É emocionante ve-la onde está hoje. Nasceu para estar em um palco. Ela pergunta durante o show para a platéia: "Do you think I'm sexy?" e emenda dizendo que nem sempre ela foi popular, que sofria bullying na escola. É sincero a emoção dela de ter conseguido atingir a posição em que está e ver a ovação dos fãs. E os fãs são um show a parte, fantasiados de Lady Gaga.


Uma das músicas do repertório é uma inédita do CD que está pra ser lançado, "You and I". Depois de ouvi-la ao vivo, eu só tenho a dizer que estou na espera ansiosa pela próxima bizarrice de Lady Gaga, por que ela é capaz de muito mais e "she's not going anywhere".

domingo, 5 de setembro de 2010

Dame mas gasolina!


Frentista é uma profissão inexistente nos EUA. Você coloca gasolina no seu próprio carro. É só passar o cartão de crédito, esperar a bomba ser liberada e começar a abastecer. E pronto, tanque cheio. Se tiver de pagar com dinheiro é só pedir para o atendente da loja de conveniência liberar a bomba pra você. Parece super simples - e é -, mas desastrada que sou, precisei de ajuda nas duas primeiras vezes que abasteci meu carro.

E como vai dinheiro em gasolina... O preço do combustível regular varia entre $2,44 e $2,80. E foi em busca desse valor mais baixo que eu e uma amiga, Vivi, paramos num posto na cidade vizinha hoje. Saí do carro, passei meu cartão e de repente me assustei com um barulho alto. O homem abastacendo ao lado esqueceu de retirar a bomba do carro e arrebentou a máquina. Ia levando a bomba com ele.

Eu falei alto, em português, para Vivi o que tinha acontecido e rimos. No intervalo do homem entrar na loja de convenência e voltar com um funcionário para ajudá-lo, eu paguei pela risada. Quando acabei de abastecer, tirei a bomba do carro, mas o gatilho enroscou e o combustível continuou a sair. Tomei um banho de gasolina e não conseguia desenroscar o negócio. Gritei pra Vivi me ajudar e na hora do desespero, saiu "socorro" ao invés de "help". Até que uma alma bondosa, um senhor que tinha acabado de estacionar, veio me ajudar e fez a gasolina parar de vazar - esguichar seria a palavra mais correta. E a pior parte é que paguei pelo combustível desperdiçado.

Quando o homem voltou com o funcionário do posto, o chão estava lavado de gasolina e foi a vez dele de rir. E aposto que pensamos a mesma coisa: "Ainda bem que outro atrapalhado me ajudou a não passar tanto ridículo".


Só rindo...


PS: A foto é uma típica de au pair, nas primeiras vezes abastecendo o próprio carro.

domingo, 22 de agosto de 2010

Seis meses


Meio ano. Metade do caminho. Para comemorar a data, um prego resolveu se atarracar no pneu traseiro do meu carro. Precisei ligar pros pais americanos irem me socorrer, esperando por quase uma hora na cidade do lado da minha. Para manter o costume, Ana Paula estava comigo. Chegamos juntas aqui e comemoramos juntas - dentro do carro inabilitado embaixo de um sol infernal - os seis meses na terra do tio Sam. Com a gente, a nova au pair húngara que completou 24 anos (pelo horário na Hungria) enquanto esperávamos pela ajuda mecânica. Que situação!

Time goes by so fast

As vezes parece que passou tão rápido, as vezes parece que estou aqui há uma eternidade. Certas coisas são tão fáceis de acostumar. Sempre me pego pensando em situações e conversas que me aconteceram no Brasil, antes de me mudar, como se tivessem sido em inglês. Parei de converter mentalmente o dólar pro real antes de comprar algo. Quando voltar, terei de reaprender a dirigir um carro manual, e a cama de solteiro vai parecer pequena depois de passar um ano dormindo numa queen size. O arroz e o feijão, tão simplezinhos, me fazem muita falta. O closet já tem coisas suficientes pra umas três malas.

Half way done. Seria o momento pra fechar pra balanço. Lembrar dos bons e maus momentos, o que me motiva e desmotiva. Pesar os prós e contras de ficar mais um ano. Sim, eu preciso tomar essa decisão o quanto antes possível. Vai ser a decisão mais difícil da minha vida.

Enquanto não preciso dar a resposta, aproveito como se não houvesse amanhã.

domingo, 15 de agosto de 2010

It's all about the music, baby

Sempre acreditei que dinheiro gasto em shows é dinheiro bem gasto. É uma das coisas mais sensacionais do mundo. Pulo, grito, canto junto, pareço louca. No dia seguinte, minhas canelas doem e eu não tenho voz, mas minha alma está lavada. E tenho a sorte de poder dizer que já vi quase todas as minhas bandas preferidas ao vivo.

Cada show que consegui ir no Brasil foi uma vitória. Os ingressos estão cada vez mais caros, e ainda precisei arranjar transporte já que não dirijo até São Paulo, uma hora e meia longe da minha cidade. Mas cada um deles significou um sonho realizado. Vi Backstreet Boys aos 12 anos no auge do meu vício por boy bands. Linkin Park aos 15.

O melhor dia da minha vida: show do U2 aos 17. Eu e meus tios fomos pra São Paulo de manhãzinha, conseguimos comprar ingressos de cambistas enquanto esperávamos na fila. Entramos no Morumbi e descobrimos que a Hot Area estava aberta. Assistimos ao show na grade do palco, vi o Bono Vox a um metro de distância. Inacreditável! Ah, e com Franz Ferdinand como banda de abertura (antes mesmo de eu virar fã deles). Coisa básica.


Aos 19, consegui ir ver The Used, - uma banda de Utah, EUA, que quase ninguém conhece pela qual fui um tanto viciada - em São Bernardo do Campo. Foi uma luta achar com quem e como ir, uma vez que todo mundo que eu conhecia não sabia sobre a banda ou simplesmente não gostava nadinha deles. Aliás, foi um choque saber que iriam tocar no Brasil, no ABC Pró HC. Lembro que saí gritando que nem doida pela casa quando li sobre o show na internet.


Em 2008, vi o Iron Maiden pela primeira vez, no estádio Palestra Itália, com a família toda. Essa é uma das bandas preferidas do meu pai, cresci escutando o som deles. No mesmo ano, consegui, finalmente, - depois de mais de quatro vindas deles pro Brasil - ver The Calling, em Campinas. Na verdade, era quase o show solo do Alex Band, mas valeu muito a pena, com direito a foto e CD autografado.


EUA

Pelas bandas de cá, consegui assistir a quatro shows até agora: Pearl Jam, Iron Maiden, Kings of Leon e Maroon 5. A diferença entre assistir a um show no Brasil e um aqui é bem gritante. Pra começar, eu consigo ir dirigindo, já que a local de shows é a 20 minutos da minha casa, e os ingressos são bem mais baratos. As pessoas chegam no lugar sempre na hora marcada e é na hora marcada que o show vai começar. Fui no mesmo lugar pra assistir aos quatro shows, Jiffy Lube, e mesmo no gargarejo, as pessoas tem cadeiras pra sentar. Não existe aperto, empurra-empurra, briga por lugar perto do palco... No quesito organização, é uma lavada!

No entanto, é um tanto entediante. Se você está nas cadeiras mais pro fundo do lugar, não pode levantar pra assistir ao show, porque um sem graça atrás de você pode te pedir pra sentar. Afinal, se tem cadeira, é pra assistir sentado. As pessoas não pulam ou gritam como no Brasil. (Simplesmente não me entra na cabeça como alguém pode ver um show SENTADO!!!!). E se estão em pé, eles dançam.

Já ouvi o Bruce Dickinson pedir "Scream for me, São Paulo" e "Scream for me, Washington D.C." e não há como negar que a resposta no Brasil foi bem mais animada. A platéia acompanha cada solo de guitarra da banda com um coro de "Ôooo". Aqui, nada.

No show do Pearl Jam - o primeiro que eu fui nos EUA - comecei a pular e cantar junto e consegui sentir olhares virando pra mim. Com certeza, pensaram que eu estava bêbada, mas não, esse é o jeito que eu sei curtir um show. Aqui, parece tudo muito formal. Não é a toa que os artistas gostam de se apresentar no Brasil. É uma loucura.

Fan service

Uma menina uma vez me ensinou a expressão "fan service": coisas que os integrantes da banda fazem durante o show só pelo entretenimento da platéia. Vi um fan service em plena forma no show do The Used, quando o vocalista, Bert, beijou o guitarrista, Quinn, na boca. São gestos, brincadeiras, piadas com a única intenção de deixar os fãs loucos.
Adam Levine, vocalista do Maroon 5, é master nessa arte. É um front man completo daqueles que conversam com as fãs das primeiras fileiras, faz piada do nada, separa a platéia em duas partes e pede pra cantarem frases separadas da música. Extremamente carismático (e sexy, diga-se de passagem). Ele é o Maroon 5. Uma única coisa que me implica nessa banda é a mesma em relação a Nickelback: são muito comuns. As músicas são feitas na receita certa pra tocar na rádio e grudar na cabeça e é isso. Não é nada que se sobressai e vai ficar pra sempre. Não quer dizer que eu não curta o som deles, só realmente acho comum.

Ao contrário de Kings of Leon nas duas formas: eles têm um som bem único mas não são nada carismáticos. A única frase que eu lembro de ouvir o Caleb Followill dizer durante todo o show foi "Are you ready to sing?" antes de começarem a tocar "Sex on Fire". Mas não tem como negar que foi um dos melhores shows que eu já vi. Tudo combina perfeitamente, até mesmo o distanciamento deles com a platéia. Parece que você está assistindo a uma sessão de jam deles, meio como um intruso. Estão ali pra tocar pelo gosto que eles têm por isso e é só. Uma palavra para definir a banda e a música que fazem: sexy. Simples assim.

Independente do lugar, os shows que eu fui foram algumas das melhores experiências que eu já vivenciei.

PS: Dream Theater abriu o show do Iron Maiden nos EUA; Owl City abriu o do Maroon 5. As fotos e os vídeos linkados nesse post são dos shows que eu fui. Minha voz está misturada na gritaria!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Era uma casa muito engraçada...


As casas americanas são quase como blocos de montar. As paredes são de madeira e vem pré-preparadas, só colocá-las de pé. Exatamente como é mostrado no Extreme Makeover Home Edition. Eu acreditava que aquilo era feito porque o programa tem exatamente sete dias para reconstruir uma casa. Mas não. Todas são daquele jeito. Paredes de um material fino e aparentemente tão inseguro. Ouve-se cada passo no andar de cima.

As casas de bairro de classe média são todas sobrados e ainda têm o basement, que seria, ao pé da letra, o porão, mas na verdade é um andar inteiro embaixo da casa. Todas com ar condicionado e aquecedor, e carpete no chão. As cozinhas têm sempre ilha no meio, lava louças, forno elétrico separado do fogão, geladeira de duas portas com dispenser de água e gelo. Todas elas têm o quarto da laundry, o que seria a lavanderia, com máquina de lavar e secar roupas - que saem quentinhas e supostamente sem vincos. Não se passa roupas. E não existe tanquinho, aquele pra se esfregar roupa na mão ou colocar de molho.

As casas não têm muros nem portões. Uma menina de cinco anos que uma amiga cuida, quando veio em casa, perguntou por que nós precisamos de cerca no quintal se não temos cachorros. Uma dúvida sensata pra quem está acostumada a abrir a porta dos fundos e dar de cara com o quintal do vizinho. Mas com a piscina aqui de casa, uma cerca meia-boca era o mínimo de privacidade que se pode conseguir. Além disso, a casa é toda cheia de janelas enormes, cortinas abertas. Quando cheguei, me sentia exposta!

A expressão "A grama do vizinho é sempre mais verde" deve ter sido inventada aqui. É uma disputa de quem tem o jardim mais bonito, com gramado cortado meticulosamente, uma vez por semana. Pode ter o tanto de flores que quiser, que nenhum vândalo vai passar e arrancar. Pode largar brinquedos espalhados na frente da casa, carro estacionado na rua, que vão amanhecer no mesmo lugar. Mesmo assim, todas as casas têm sistema de alarme.

Caminhar na rua, quando não se conhece bem o bairro, é pedir pra se perder. As casas parecem todas iguais. Para agravar, além de sinuosa, a mesma rua tem dois nomes, um sentido west outro sentido east (ou south e north).

Quando se acostuma com a falta de privacidade e em dar de cara com vizinho toda vez que sai pro quintal, é até bonito ver todas as casas enormes, sem aqueles muros altos as separando. Tenho até receio de me sentir muito emparedada quando voltar pro Brasil.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Cinco meses


O celular desperta às 8 am. 8:30 am (porque é assim que os americanos escrevem as horas) não é um horário ruim para se começar a trabalhar. Até porque tem sido difícil deitar antes da meia noite. Arrumar-me, dar uma olhadinha rápida na internet para não perder o costume. Mandar e-mail diário para a mãe. Subir para o andar de cima.

Preparar café da manhã. Meu e deles. As crianças. Passar o dia com duas criaturinhas que mal batem na cintura. Tem horas tão gratificantes, que a vontade é apertá-los até a bochecha cair da cara.

- Eu quero doce!!! (Em inglês)
- Como se diz??? (Em inglês)
- POR FAVOR! (Em um português de "R" puxado)

E tem hora que a vontade é descabelar-me. Exige muita paciência, não nego. Acreditarei até o fim que esse é meu maior aprendizado dessa experiência toda. Deixar de ser uma pessoa impaciente.

Quebrar as unhas brincando de Lego. Tomar um solzinho na piscina. Dirigir mais de meia hora para nos juntarmos às crianças de outras amigas au pairs.

Dirigir. São nas horas que estou dentro do carro, de janelas fechadas, ar condicionado ligado, minha playlist tocando, cantando, vendo aquele monte de árvores, áreas verdes, casas... que eu mais agradeço por estar aqui.

Gastar meus fins de tarde e as noites da semana com diversos passatempos: correr, fazer as unhas, Wal Mart, Hallmark, Target, junk food, cozinhar, shopping, TV, So You Think You Can Dance, e, é claro, minha fiel companheira internet. Reservo esse período do dia para matar quem me mata. A saudade. Msn, redes sociais e o salva-vidas Skype.

E então, chegam eles. Os finais de semana. Eu adoro minhas semanas, mas são os findes que fazem tudo valer a pena. Ter um estado (e por que não um país?) inteirinho pra conhecer. Qualquer lugar que vá é novidade. E mesmo que visite pela segunda (terceira, quarta...) vez, a sensação de viagem, de turista realizado, vai estar sempre presente. É surreal estar na capital da maior potência mundial. Ver de perto o que só conhecia por TV, foto, imaginação. Ouvir o DJ na balada dizer: "We are in the most powerful city in the world"! Balada. Nunca fui muito de ir em clubs, mas aqui parece ser exigência. Fim de semana e balada são quase sinônimos. E isso me diverte. São nesses ambientes que é possível reparar na cultura e comportamento americanos na melhor de suas formas. São delas que saem as melhores histórias.

E o domingo será sempre o mesmo em qualquer parte do país: melancólico, nostálgico, com cara de fim de festa.

E começa tudo de novo...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Where dreams come true


Nunca achei que teria problemas em escrever sobre uma das únicas certezas na minha vida: de que um dia eu iria para a Disney. Quando se sonha com algo desde criança, a consequência natural é uma hora - seja lá quando - concretizá-lo. Mas tudo que rascunhava aqui me parecia clichê demais. Dizer que é preciso acreditar nos sonhos, que eles não envelhecem, ou tentar explicar o quão mágico é aquele império de Walt Disney - e que também não há idade para viajar pra lá - seria repetir o já falado.

Portanto, direi apenas - um dos clichês - que a Disney é, literalmente, um lugar onde os sonhos se tornam realidade.

Essa viagem me ensinou muito sobre realizações de sonhos. Não me preocupo mais em quando se concretizarão, mas sim em continuar a acreditar neles. Eles virão na hora ideial e de forma natural. E assim que tem de ser.

Brenda