sábado, 31 de dezembro de 2011

So long 2011

Terminei 2010 escrevendo como os anos têm sido bons comigo desde 2006. Hoje, no último dia de 2011, eu posso acrescentá-lo na disputa. Passei mais da metade dele nos EUA, ainda de intercâmbio. Conheci Miami e Chicago, e viajei pela segunda vez para a Disney. Como não podia ser diferente, fui a shows: Sweetlife Festival (The Strokes, Lupe Fiasco, Girl Talk e outros), Mumford & Sons, U2, Black Eyed Peas, Blink 182. E não um, mas DOIS shows do My Chemical Romance, minha banda do coração.

Logo após acabar meus dias como au pair, recebi parte da minha família na minha casa americana, e compartilhei o sonho da minha mãe de conhecer os Estados Unidos. Uma viagem de quase 10 dias pela Virginia, Washington DC e Nova York, ao lado dela e de meu irmão, fechou minha experiência na América.

E então foi o momento de rever família e amigos após 18 meses fora. E mesmo depois de perder quase três meses numa depressão pós intercâmbio (e procurando curar minha cachorra adoecida), 2011 ainda tinha planos para me surpreender: consegui ocupar minha mente com meu primeiro trabalho em tradução e redação.

(Observação: mudei de cor de cabelo em menos de dois meses mais vezes que Ramona Flowers em Scott Pilgrim.)

Agora, nos últimos momentos que me restam deste ano tão bom, mais uma vez, eu sou muito grata por tudo que conquistei e me foi proporcionado. No entanto, minha consciência grita, como para não me deixar esquecer, que à meia noite, quando 2011 virar 2012, eu vou deixar pra trás o último ano em que eu vivi nos EUA. E me dói pensar que isso agora é parte do passado. E que os detalhes se tornarão, a cada dia que passa, memórias vagas.

Mas não é isso que acontece com tudo que a gente vivencia na vida? E se dói agora é porque foi bom enquanto durou, quase como no fim de um relacionamento que terminou sem brigas. Simplesmente porque tinha de terminar. O intercâmbio me fez outra pessoa e me agregou coisas que nunca aconteceriam se eu continuasse por aqui. 2012 é o ano da volta a vida real. E isso me aflige do mesmo tanto que me intriga.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Estudar nos EUA: Hotcourses Brasil

Já mencionei inúmeras vezes aqui que a parte mais legal de ser au pair é ter a oportunidade de estudar nos EUA. Já falei também como muitas meninas acabam deixando de lado essa parte do programa quando se adaptam à vida americana. Também não é novidade que não é fácil decidir o que cursar: é preciso achar uma instituição na área em que irá morar; checar se ela oferece aulas reconhecidas pela sua agência e dará os créditos necessários no programa; e, acima de tudo, saber se elas acrescentarão algo ao seu inglês ou seu profissional.

A melhor opção é já ter uma ideia de tudo isso antes de viajar para os EUA. Eu mesma só encontrei o curso que me interessava seis meses depois de me mudar. Existem algumas formas de pesquisar os estudos, uma delas não só descobri recentemente, como estou escrevendo/traduzindo como freelancer: Hotcourses Brasil.

Neste site, você pode pesquisar cursos pela área, nível de ensino e país. Por exemplo, assim que eu fiz o match com a minha família, eu poderia ter encontrado todas as instituições da Virginia, achado as que têm campus próximo a minha casa, e pesquisado os cursos disponíveis em cada uma delas. (A NOVA, uma das faculdades que eu cursei, está listada no site.) Ou até mesmo já procurar pela área (jornalismo ou língua inglesa, no meu caso) e achar as instituições que a oferece no estado da Virginia.

No Hotcourses, tem como procurar as instituições de cada estado norte-americano e ainda acessar as avaliações de estudantes que já as cursaram, seja de graduação, pós-graduação, doutorado ou, os mais procurados pelas au pairs, cursos de inglês (geral, para negócios, preparatório para exames, online, executivo, entre outros). Uma sugestão para as au pairs que estudaram nos EUA é deixar uma avaliação da instituição no Hotcourses Brasil para ajudar na decisão de futuras intercambistas.

Você pode começar a procurar seu curso agora pelo Course Finder aqui no lado direito do Few Miles.

Outros posts de dicas para futuras au pairs: De au pair para au pair e FAQ.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Farewell Party

Nessa foto, as minhas amigas estavam chegando em casa, todas juntas, para a minha festa de despedida. A famosa e temida Farewell Party que toda au pair tem antes de ir embora. Pra qualquer menina, esse tempo todo morando pelas bandas do tio Sam significa novas amizades. Mais do que isso, significa amigas que serão levadas pro resto da vida. E depois de me despedir de várias delas que voltaram para o Brasil antes de mim - a ponto de ser a veterana entre todas que ficaram, foram chegando e entrando para o círculo de amizades -, chegou a minha vez de ser o alvo dos "a gente se vê no Brasil".

As cinco brasileiras e a húngara se organizaram para chegar reunidas em casa para a janta que os pais americanos estavam preparando (taco pie, o meu prato preferido), com balões, cartões, fotos e cartaz com mensagens de despedida. Só essa imagem aí da foto já me fez encher os olhos de lágrimas. Abrir a porta para essas meninas que significam tanto para mim reforça a certeza de que tudo valeu a pena.

Minha mãe e meu irmão já estavam na Virginia há dois dias e eu já não era mais au pair há quase uma semana. A reuniãozinha foi uma comemoração dos 18 meses bem sucedidos. A cozinha daquela casa nunca ouviu tanto português. Antes das minhas amigas deixarem a casa - e após aproveitarmos da hot tub no quintal pela última vez, - os pais americanos puxaram o coro de "speech, speech, speech". Então, a minha host mom me fez chorar com um discurso de agradecimento pelo um ano e meio que passamos juntos e pelo cuidado que tive com os dois pequenos. E me concedeu o posto de melhor au pair que a família já teve (eu fui a quinta, se contarmos as que nem conseguiram completar um ano). Eu retribuí o discurso e o agradecimento. Minha família americana tinha seus defeitos, como todas as outras que eu conhecia, mas não consigo imaginar lugar e companhia melhor para ter passado esses meses todos.

Melhor disso tudo foi poder reunir num lugar só todas aquelas pessoas (remanescentes) que fizeram parte da minha vida americana e apresentá-los para parte da minha família. Minha mãe, depois da festa, me disse que eu "estava em boas mãos, em relação a família e a amigas". Eu que o diga.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Civic Tour: My Chemical Romance e Blink-182

A volta do intercâmbio pode ser tão complicada quanto a ida. Não nas mesmas proporções. Igual quantia de neuroses, motivos diferentes. Enquanto tento resolver a revolução que se passa na minha cabeça, pensei em escrever os posts pendentes sobre os acontecimentos nos meus últimos dias de Estados Unidos. (E não deixar meu blog tão abandonado só porque estou de volta. Afinal, criei sentimentos por ele depois de todos esses meses.)

O primeiro assunto: meu último - melhor e mais importante - show. A Honda Civic Tour completou dez anos de estrada. Blink-182, depois de muito tempo inativo, foi escolhido para comemorar o marco da primeira década de turnê. E para abrir o show do trio, chamaram -nada mais, nada menos que - MY CHEMICAL ROMANCE. (Obrigada, deus da música ao vivo, por ouvir minhas preces.)



Mais uma vez, eu estava sozinha e consegui ingresso para a fileira A/cadeira 1, separada do palco apenas pelo pequeno espaço em que as pessoas ficam em pé. Para abrir o show de abertura (?), a banda Manchester Osquestra tocou por meia hora. Não prestei muita atenção em tudo, mas ficou marcado uma das falas do vocalista: "We are a good band. You just don't know about it yet". We'll see, my man, we'll see. O show do MCR foi sensacional (afirmação redundante, devo dizer), mas curto. Muito curto. Metade das músicas do setlist do show de maio. No entanto, tive sorte da banda ignorar os dois singles principais do Danger Days (Na Na Na e SING) e tocar minhas duas músicas preferidas do novo (não tão mais novo assim. Quando sai o próximo, MCR?) álbum: Planetary (GO!) e DESTROYA. E mais umas duas músicas que não estavam no outro setlist. A Civic Tour preparou umas distrações para o público: logo no comecinho, alguns balões gigantes foram jogados na platéia, e passados de mão em mão até chegarem no palco, onde Gerard os estourava (e confetes caíam de dentro de cada um deles) enquanto cantava.


Meia hora depois de MCR deixar o palco, Blink-182 entrou para tocar mais de 20 músicas por duas horas. O show é divertido. Não bastasse as músicas teenager-feelings-forever, Mark Hoppus e Tom DeLonge se tiram e interagem com a platéia o tempo inteirinho. Um exemplo: num dos intervalos entre uma música em outra, DeLonge diz...

Tom: Our next song...
Mark: Wait! We need to work on our band communication. We can't start playing right now. Travis is getting a band-aid cause his thumb looks like a ham sandwich. No wait, his thumb looks like your mom after a Friday night.

Ou então, logo após encerrar uma música...
Tom: Why are you staring at me, you perverts!??? I'm giving my everything! Isn't it enough?

Ou ainda as famosas musiquinhas de DeLonge "It would be nice to have a blow job" e "I wanna fuck a dog" (a qual a platéia começa a cantar junto e ele diz "It's like a dream come true you guys singing this back to me").


Não só essa música foi acompanhada pelo público. Blink-182 é uma banda imortal. Todos presentes respeitaram e curtiram o show do My Chemical, mas a maioria esmagadora estava lá pelo Blink. Sabiam todas as letras de cor, jogavam bonecas infláveis e peças íntimas no palco, usavam máscaras do Boomer (personagem de DeLonge no clipe "First Date"), tinham cabelos tingidos de verde ou roxo. Essa comoção faz qualquer show ser ainda mais emocionante. E para ser um pacote completo, Travis Barker fez seu solo de bateria, no bis, numa armação a parte do palco, passando acima do público e virando de ponta cabeça. Ao terminar o show, Hoppus sentou na beira do palco e entregou todas as suas palhetas na mão de fãs. E eu saí me despedindo da casa de shows que me proporcionou tantas memórias nesses meses.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

See you, USA

Eu tenho tanto pra escrever. Tanta coisa que aconteceu nesse mês. Sobre a visita da minha mãe e meu irmão. Sobre o show do Blink 182. Sobre terremoto e furacão. Mas o que me falta de tempo hoje, minha última tarde nos EUA, vou ter de sobra na minha volta ao Brasil.

E eu só tenho a agradecer o dia em que resolvi virar au pair e vir passar esses 18 meses na América. Melhor época da minha vida. Achei que estaria triste por deixar tudo pra trás. Estou. Mas eu levo tudo comigo. Estou bem, preparada para rever tudo e todos.

Não quero que isso seja um adeus, é só um SEE YOU SOON, UNITED STATES OF AMERICA. I love you and I will be back.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

The windy city of Chicago

Como resolução de fim de programa, decidi que ia para Chicago. No entanto, minhas amigas daqui não estão nesse mesmo ritmo frenético de fazer e conhecer tudo em pouco tempo, porque ainda lhes faltam muito para acabar o ano de au pair. Portanto, a decisão ficou entre ou não vou, ou vou sozinha. Fui sozinha!

Pela primeira vez viajo me, myself and I - da mesma forma que encarei shows sozinha aqui - e não é nenhum bicho de sete cabeças. Pelo contrário, é desafiador e até um tanto libertador. Entretanto, um final de semana é suficiente - tanto é, que me peguei entediada umas duas vezes e acabei ligando pra bater papo com as amigas.

Chicago é uma cidade linda. Cheia de prédios enormes e sofisticados dividindo as ruas com construções antigas - inclusive a linha de metrô que faz uma volta completa pela downtown - a região chamada de Loop. Mais uma vez, não tenho o que reclamar do transporte público. A cidade tem até trolley (aqueles bondes/ônibus) de graça fazendo o caminho centro-Navy Pier. Mesmo usando metrô e ônibus em algumas ocasiões, fiz o Loop e a Michigan Ave inteira a pé. E visitei a maioria dos pontos principais que não exigiam gasto (com exceção do Skydeck, que custa $17 a visita).

Como estadia, repasso a dica valiosa de uma amiga: Hostelling International. Um albergue SUPER bem localizado (a dois blocos do Grand Park), grande, limpo e barato (e é uma rede espalhada pelo mundo todo).

Lollapalooza

Deu de calhar ir para Chicago no mesmo final de semana do festival de música Lollapalooza. A cidade estava lotada. Como resolvi viajar de última hora, quando comprei a passagem de avião, os ingressos para os três dias de shows já estavam esgotados. Até tentei achar ingresso para o sábado, em frente aos portões do Grand Park, mas tinha muita procura e pouca oferta. Cheguei a encontrar um para o domingo. Meu voo de volta, no entanto, era às 21h (com um caminho de uma hora de metrô até o aeroporto O'Hare), o que significava ter de sair do festival antes das melhores bandas tocarem (leia-se Arctic Monkeys, Deadmau5 e Foo Fighters).

Aceitei que o Lollapalooza não ia acontecer pra mim esse ano. Mesmo estando em CHICAGO no MESMO fim de semana do festival. Resolvi não gastar o pouco tempo que tinha atrás de ingressos, e fui conhecer a cidade. Carregando comigo a minha recém comprada câmera fotográfica, aqui estão algumas das fotos da viagem.





















Fotos: 1) Wrigley Building 2) Forever Marilyn monument 3) Chicago Theatre 4) Roda gigante do Navy Pier 5) Michigan River 6) The Bean 7) John Hancock Observatory 8) Harold Washington Library Center 9) A vista de Chicago no Skydeck.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

I'm coming home

Finalmente, com míseros 29 dias restantes na terra do tio Sam, recebi o itinerário do meu voo de volta (que é feito pela Au Pair In America). Saio dos EUA no dia 31 de agosto às 18h, e faço escala em Atlanta (GA). De lá, parto às 21h20 para chegar em Guarulhos, SP, às 8h15 do dia 1º de setembro.

A minha última semana aqui será a mais corrida de todas porque, além de estar viajando, também servirei de guia para duas pessoas extremamente especiais. Minha mãe e meu irmão virão conhecer um pouco dos USA antes do meu retorno, nos dias extras que são me dados após o término de programa. Na função de au pair, me restam só 17 dias.

Voltarei de Nova York com menos de um dia de intervalo entre o meu voo de partida. Dormir? Só nas 11 horas que passarei dentro do avião (se a ansiedade me permitir). E só no avião pra ficha começar a cair.

domingo, 31 de julho de 2011

Black Eyed Peas

Ontem (30), retornei ao mesmo local em que vi Strokes e Mumford & Sons, mas dessa vez para a grande festa que é o show do Black Eyed Peas. Duas horas de fila, mais duas no gramado esperando debaixo de sol, até o DJ Poet, que fez abertura, começar a tocar. E então, os quatro integrantes do Black Eyed Peas tomaram o palco e daí foi dançar sem descanso. Não há banda que faça músicas pra dançar como eles. Músicas daquelas que quando começa a tocar em club ou em qualquer festa todo mundo grita, acompanha, sabe de cor. E não há um single deles que não pega e vira hit. Portanto, o show é repleto de músicas conhecidas.



Estávamos em quatro brasileiros, e acabamos trombando com mais uma, múnida da bandeira do Brasil. Quando Will.i.am começou a falar sobre o novo vídeo da banda, gravado em nosso país, gritamos o mais alto possível enquanto o resto do povo estava quieto prestando atenção no que ele dizia. Quase no final do show, antes de começar a tocar "Where is the love", Will.i.am comentou sobre diferentes nacionalidades e culturas, conversou com um chileno que estava na grade, e em seguida disse "Vi que tem um grupo de brasileiros ali no fundo. Todo lugar que vamos, tem sempre alguém levantando uma bandeira brasileira. Quem é do Brasil, grita! Se vocês nunca foram para o Brasil, vocês PRECISAM ir. É lindo... Lindas mulheres e música". E nós, lá no fundão, gritando até perder a voz.


Na parte solo do Will.i.am, ele ataca de DJ. No entanto, quando sobe a mesa de som, onde está o computador? Não estava no lugar que deveria estar. O cantor/produtor/ator pede para diminuirem o som e começa a cantar "Where's my computer?" repetidamente, até que alguém da produção sobe ao palco e instala o bendito. Will.i.am então, na arte do improviso, canta um rap sobre a situação que faz tudo parecer proposital, parte do show. Quando o set termina, ele diz: "Quando vi que meu computador não estava na mesa, eu surtei. Mas foi bom porque pude usar meu free style. Obrigado por me acompanharem". Depois desse incidente, virei super fã de Will.i.am.

Fergie tem também seu momento solo no palco: cantou "Big girls don't cry". A mulher é linda e teatral, cheia de caras e bocas. Os quatro integrantes se provocam durante o show, dançam juntos, fazem graça, dão o microfone para fãs cantarem pedaços da música. É um show bem divertido.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

De au pair para au pair

No final da minha estadia de 18 meses, acredito ter alguns palpites e dicas para quem planeja ser au pair ou já está se preparando para vir para os EUA pelo programa. Permitam-me dar 12 pitacos nos planos alheios, e, quem sabe, ajudar a responder algumas dúvidas comuns:

1) NÃO DESISTA LOGO NO COMEÇO. Essa é a mais importante de todas. No primeiro mês nos EUA, sofri de homesick BRABA e pensei muito em voltar. Não o faça. Só eu sei o quanto me arrependeria, e - por céus, já leram alguns dos meus posts? - o quanto eu perderia de não ficar. Tente entrar em contato, antes de partir do Brasil, com a sua local counselor. Peça a lista de au pair da sua região e já marque de sair no seu primeiro final de semana. Não dê chance para a homesick.

2) NÃO TRAGA MUITA ROUPA. É claro que vamos achar que roupa nunca é suficiente e é um tanto deseperador pensar em fazer uma mala para uma viagem de um ano e não trazer quase nada. Mas o óbvio é que você irá comprar uma quantia absurda de coisas aqui. Portanto, traga pouca roupa e junte mais dinheiro. (E se puder ainda adicionar algo a este tópico: Faça uma visita a Forever XXI na sua primeira semana.)

3) NÃO SE ASSUSTE COM O COMPORTAMENTO DAS CRIANÇAS. Não importa a idade que você escolheu cuidar ou a rotina que terá, crianças dão trabalho. Vão fazer manha, chorar, responder... Todas as idades têm suas vantagens e desvantagens. Talvez o melhor conselho que eu possa dar (e exigência número um desse programa) é NÃO GOSTA DE CRIANÇAS, NÃO TENTE SER AU PAIR. Dê tempo ao tempo, e aos poucos pega-se o jeito em cuidar dos pequenos.

4) Em adendo ao número 3, CRIE UM BOM RELACIONAMENTO COM OS PAIS DAS CRIANÇAS. Eles serão seus responsáveis, chefes e família durante a estadia nos EUA. São os host parents que fazem a experiência muito mais agradável. E quando a relação é boa, "aguentar" as crianças no começo torna-se mais tolerável.

5) NÃO EVITE BRASILEIRAS. É óbvio que ter SÓ amigas que falam a sua língua atrasa a melhora no inglês. Mas elas são essenciais. Serão amizades criadas pra levar pra vida toda. Serão suas companheiras de viagens, baladas, homesick, bads, risadas, ressacas. Um pedaço do seu país nos EUA.

6) APRENDA INGLÊS. Pode parecer bem boba a dica, mas já vi meninas irem embora com pouquíssima melhora no idioma. Tenha amigas brasileiras, fale em português, mas não deixe de estudar o inglês. Converse bastante com a família americana, crie amizades de diferentes nacionalidades, frequente lugares em que será obrigada a só conversar no idioma. E, principalmente, ESTUDE. Quando a au pair se acostuma com o lugar, cria o seu grupo de amigas, e começa a criar a rotina na nova casa, acaba deixando de lado a parte mais legal desse programa: a oportunidade de estudar nos EUA. (Digo por experiência própria.) E, por céus, não tenha VERGONHA de falar em inglês. Todas estamos aqui para aprender - ou você não colocou na sua letter a frase clichê de au pair que você queria "improve your english"?

7) SER AU PAIR NÃO É SÓ FESTA. Au pair trabalha. Conheço casos e casos de meninas que vieram pra cá pelo programa e não aguentaram o tranco porque achavam que era só festas e viagens. Sim, são MUITAS festas e viagens, mas também é muito trabalho. Não venha só pelo oba-oba para não cair do cavalo.


8) Talvez em contradição com o número 7, VIDA DE AU PAIR É FÁCIL. Trabalhar é a parte mais importante do programa, exige muita paciência, e lhe é depositada muita responsabilidade. O que não difere de nenhum outro serviço aqui ou em qualquer país. No entanto, é lhe dado casa, comida e, em muitos casos, carro (as vezes, zerinho, como o meu) - e em alguns raros casos, até gasolina e GPS. Dessa forma, o salário de au pair, que não é nenhuma maravilha, dá e sobra pra viver muito bem.

9) Seja um dos muitos casos, e ESCOLHA UMA FAMÍLIA QUE TENHA UM CARRO SÓ PARA A AU PAIR. Acredite, é essencial. Não dá pra viver em nenhum canto dos EUA sem ter um carro ao seu dispôr (a não ser, talvez, nas capitais).

10) VIAJE. Guarde um pouco de dinheiro e use-o para o máximo de viagens que puder. Passagens de avião aqui são absurdamente baratas se comparadas às do Brasil. Eu viagei bastante e mesmo assim acho que poderia ter aproveitado mais. Planeje bem suas férias e gaste conhecendo lugares diferentes.

11) FAÇA ALGO DIFERENTE A CADA FINAL DE SEMANA. Mesmo que algumas au pairs precisem trabalhar nos finais de semanas, neles estará o tempo para explorar o lugar em que vive. Coma em novos restaurantes, vá a novos clubs, visite novos museus e parques, conheça novas cidades, dirija por um novo caminho, faça novas viagens de carros, frequente novos ambientes, vá a jogos de diferentes esportes... A lista é infinita. O problema é que quando nos acostumamos com a rotina, ela vira, bem... Uma rotina! Não deixe isso acontecer nos finais de semana. Planeje-o com antecedência, mesmo que os planos acabem mudando

12) CLUSTER MEETINGS SÃO CHATOS. Essa regra tem suas exceções, mas você vai perceber que está muito ocupada saindo com suas amigas brasileiras e fazendo algo novo a cada final de semana para participar das reuniões de au pairs da sua região. Com sorte, na sua agência - como é na Au Pair In America -, fazer parte das cluster meetings não será obrigatório. Cheque essa informação antes de vir pra cá.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Um ano e cinco meses

Um ano e cinco meses de USA. E só mais um exato como au pair. Meu programa acaba dia 22 de agosto, mas, como toda participante, tenho o direito de passar 31 dias extras no país com o propósito de viajar. Eu vou usufruir dez dias desse período e eles têm o potencial de serem os melhores vividos nos EUA. São planos ainda em progresso, mas que realizarão um dos meus maiores sonhos desde que cheguei aqui.



As gavetas do meu quarto já foram esvaziadas, a pilha de coisas que ficarão cresce a cada dia, e duas malas já estão quase abarrotadas por completo. Em menos de um mês, eu vou precisar mudar de quarto pra dar lugar a nova au pair que vai ocupar o meu posto nessa família. Uma mexicana de 18 anos. Uma certeza nesse programa é essa: toda au pair é substituível. E é um tanto triste porque é impossível não se apegar as crianças e depois ter de deixá-las com uma nova pessoa.



Só eu sei o quão atribulado agosto vai ser, e isso é ótimo. Todos os planos e compromissos estão tomando conta da minha atenção e dedicação, o que me faz esquecer um pouco da volta. Do deixar os EUA. Ainda tenho duas viagens e dois shows agendados no tempo que me resta. Deixar a Virginia e tudo o que eu criei aqui pesa o mesmo tanto na balança quando penso em reencontrar tudo que posso chamar de meu: minha família, meus amigos, minhas cachorras, minha casa, meu quarto, minha cidade, meu país.



Talvez a partida não seja tão dolorosa porque uma coisa sempre foi certa na minha cabeça. Um dia, eu volto pra morar nos EUA.



PS: na foto, a bagunça do meu quarto numa dessas faxinas e arrumação de malas.

sábado, 16 de julho de 2011

Thank you, J.K. Rowling

Comecei e apaguei esse parágrafo inúmeras vezes e ainda não consigo achar as palavras certas pra explicar o quanto Harry Potter marcou minha vida. Lembro-me de ler um dos livros a luz de abajur, de madrugada, durante os dois meses que moramos na casa da minha vó, enquanto nosso apartamento era reformado. Lembro-me de passar horas deitada no chão frio da lavanderia do antigo apê, para não incomodar meu irmão no quarto em que dividíamos, ou pra não acordá-lo com meu choro. Lembro-me de estar sentada à beira da praia do Guarujá tomando sol, grudada em um dos livros, emprestado de um amigo. Da espera por um dos Natais, porque sabia que o quinto dos livros, recém-lançado, seria um dos meus presentes. Lembro de cada discussão animada com qualquer um que resolvesse me dizer que não gostava dos livros.


Harry Potter, além de ser a coleção dos meus livros preferidos, criou memórias e marcou inúmeros momentos e fases por dez anos da minha vida. Era fã aos 13. Sou fã hoje, aos 23. E depois de assistir ao último filme da série, eu só consigo, incredulamente, repetir a mim mesma: ACABOU. É como se deixasse pra trás uma parte grande do que já vivi. E não seria mais certo ter coincidido de assistir às duas partes de "Harry Potter e as Reliquias da Morte" nos EUA pra que me marcasse mais uma vez. O desfecho da série reservado para a mais especial fase da minha vida.


Eu ri e, por Deus, eu muito chorei. A surpresa ao descobrir que Sirius Black não era o traidor do segredo. O diálogo entre Dumbledore e Harry Potter sobre a profecia, na sala dos diretores. As piadas dos gêmeos Weasley. A morte do Fred... Só mesmo quem tem o DOM de escrever para criar um apego tão grande entre personagem e leitor, a ponto de fazer parecer real a perda deles.


J.K. Rowling é um gênio. E eu sou grata pelos dez anos de magia. Literalmente.

domingo, 10 de julho de 2011

Sobre Vans e Havaianas

Com os dias contados para a volta, preciso começar a comprar não só as lembrancinhas para família e amigos mas também meus desejos de consumo que seriam dificilmente adquiridos no Brasil. Para colocar em prática algumas dessas compras, aproveitei as sales do feriado Fourth of July e fui a um dos outlets da Virginia.


Uma das principais paradas: a loja da Vans. Quase tudo lá é vendido no esquema "Buy 1, get 1 50% off". E como quase tudo lá já é barato, é possível comprar duas camisetas por $15 ou dois tênis por $30. E lá fui eu escolher mais duas camisetas da marca. Só no caixa, reparo na promoção de mochilas "Buy 1, get 1 FREE". Resultado: eu e meu irmão ganhamos mochilas da Vans por $19,90 as duas. No entanto, mesmo após provar alguns deles, engoli o desejo consumista e resolvi não comprar mais nenhum dos sapatos.


Algum tempo depois, andando por uma imensa loja de sapatos no shopping, as Havaianas que calçava arrebentaram sem chance de conserto. Foi a segunda das cinco havaianas que tinha aqui comigo - três trazidas e duas enviadas (no aniversário de 2010) do Brasil - a me deixar na mão. (DICA DE AU PAIR: Havaianas são um item indispensável na mala. Não ocupam muito espaço, são confortáveis, combinam com tudo, e fazem muito sucesso nos EUA.)


Resultado: saí da enorme loja de sapatos, andei descalça de volta até a loja da Vans e me dei de presente um par de tênis da marca. Motivo maior que esse eu não acharia.


PS: Ainda estou sem câmera fotográfica, portanto a foto meia boca foi tirada com o iTouch.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Símbolo Perdido e passeios de turista em Washington D.C.

Consegui, finalmente, riscar da minha lista alguns pontos turísticos de Washington D.C. pelos quais já havia passado, mas não de forma apropriada. Dessa vez gastei mais de cinco minutos dentro da Library of Congress, a Biblioteca do Congresso, e fiz o tour para visitantes dentro do Capitol, o capitólio.



Pouco antes de deixar o Brasil, depois de já ter feito o match com a família americana da Virginia, comecei a ler "O Símbolo Perdido" (Dan Brown), lançado em 2009. A história toda do livro se passa em Washington D.C., em prédios famosos da capital norte-americana, e cidadezinhas ao seu redor. Relendo o livro, agora em inglês, reacendi a curiosidade sobre o mundo subterrâneo e os segredos escondidos na cidade, que o autor descreve. Agora, ao caminhar pelo National Mall (o gramado que liga o Capitol ao Licoln Memorial, separados pelo Washington Monument - todos mencionados no livro), imagino as passagens e os imensos galpões subterrâneos, o basement e o subbasement do Capitol, o compartimento que distribui os livros da Biblioteca do Congresso para os diversos prédios ao seu redor.


Vários endereços e lugares descritos no livro hoje me são comuns e familiares. O Dulles International Airport fica a dez minutos de casa; já visitei o Botanical Garden e alguns dos 19 museus do Smithsonian Institution; passei pelo Memorial Maçônico - George Washington Masonic Memorial - na cidade de Alexandria (VA); a estação L'Efant Plaza é na linha de metrô laranja que me leva da minha cidade na Virginia à Washington D.C, já coloquei meus pés no rio Potomac, no Occoquan Park (VA)... E depois do novo passeio pela capital dos EUA, conheci dois dos pontos mais mencionados no livro: a Rotunda do Capitol, com a pintura "A Apoteose de Washington" no teto (foto do início), e a sala de leitura da Biblioteca do Congresso. Lugares maravilhosos, com visitas de graça e sem necessidade de agendamento prévio, que devem ser incluídos em qualquer passagem pela cidade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

De volta ao fazer de malas...

Fiz as primeiras das minhas malas da volta. A grande e roxa que trouxe do Brasil - me deu tanto trabalho quando cheguei nos EUA - enchi com quase todas as minhas roupas de inverno. Mais da metade, coisas que adquiri aqui. A segunda e menor das malas da vinda - uma sem rodinhas, que precisa ser carregada e\ou arrastada incomodamente - eu lotei de sapatos. As botas e os tênis que já estão sem uso agora no verão.

E o fazer dessas malas serviu para provar o tanto que acumulei em um ano e quatro meses. O que na vinda fizeram caber tudo que escolhi trazer comigo para outro país, hoje não carregam nem metade do que tenho. É um ajuntamento de CD's, livros, sapatos, acessórios, papéis, bolsas, souvenir, roupas... E mais roupas (bendita Forever XXI).

Cabe a mim comprar mais uma mala enorme e rezar para que as coisas se encaixem.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Salt Water Taffy

Espalhadas pelo Boardwalk de Ocean City, encontram-se lojas de doces chamadas Candy Kitchen de fazer brilhar os olhos. Balas e chocolates de todos os tipos, enormes pirulitos, e outras diversas guloseimas. Achei entre elas, um doce que há tempo tinha vontade de experimentar: salt water taffy. A curiosidade sobre a bala criou-se por causa de um episódeo do seriado Friends. E agora posso responder as perguntas de Phoebe: "WHAT THE MOTHER CRAP IS UP WITH THIS STUFF? Is it a gum? Is it food? What's the deal?"

São balas coloridas de sabores sortidos, grudentas, de mastigar. Doces, mas sem exagero, com gosto bem suave - com exceção da de menta -, o que faz com que elas não sejam enjoativas. São gostosas, mas nada fora do normal. Ao voltar de viagem, esqueci a caixa de doce no porta-malas por três dias seguidos; quando as encontrei, estavam todas derretidas. O calor não as estragou, mas o embrulho está grudado e pegajoso em todas as balinhas...

domingo, 26 de junho de 2011

Ocean City

Como se um show do U2 como comemoração de aniversário não fosse suficiente, eu e minhas amigas resolvemos encher uma mochila e partir para a praia por um final de semana. Ocean City é uma cidade praiana de Maryland, estado vizinho da Virginia, a três horas de casa.

Até agora, foi minha praia preferida nos EUA, colorida, barulhenta e movimentada. Além disso, antes de começar a areia, tem uma passarela bem comprida, a Boardwalk, com inúmeros bares e lojas, que dá o ar e a cara que uma praia deve ter. Passamos manhã e tarde de sábado deitadas na areia. E a noite, ficamos direto, suadas e cheirando a bronzeador, para passear pela orla toda e conhecer o parque de diversões no píer da praia. Bem coisa de filme. Até andamos na roda gigante.

Uma dica para viagens de au pairs pelos EUA: a rede de motéis 6 é limpa e confortável o suficiente e provavelmente a opção mais barata para passar uma ou duas noites.

No domingo, ainda conseguimos passar mais umas duas horinhas na praia antes de levantar acampamento e voltar para casa.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um ano e quatro meses: IT WAS A BEAUTIFUL DAY

O dia 22 de junho de 2011 marcou meu 16º mês morando nos EUA, meus 23 anos de idade, e uma das melhores noites da minha vida. O presente de Natal que ganhei dos pais americanos levou seis meses para ser usado: um par de ingressos para o show do U2, da turnê 360° - que passou pelo Brasil em abril -, em Baltimore (MD). Calhou de cair justamente no dia do meu aniversário.

Como de costume, peguei o trânsito de ficar trancada dentro do carro por três horas, mas dessa vez tinha com quem dividir a ansiedade. Perdemos o show de abertura da Florence and the Machine. Escutavamos o vozeirão da mulher de dentro do carro, enquanto achavamos um lugar para estacionar na bagunça. Ainda assim, conseguimos um lugar ótimo, com uma só pessoa nos separando da grade do palco que circula a inner área. Mais uma vez, os shows nos EUA provam ser bem mais sossegados que no Brasil: sem aperto e empurra-empurra. Mesmo chegando relativamente atrasadas, foi tranquilo passar pelas pessoas que já se aglomeravam em volta do palco. Algumas delas até cederam os lugares para nós porque minha amiga é bem baixinha (sim, mais baixa que eu).

E a história se repete. Em 2006, assisti a Vertigo Tour em São Paulo e consegui aos poucos chegar pertinho de quatro caras que mais admiro no mundo da música. Show do U2 nunca é um simples show. É um espetáculo. A banda certamente tem complexo de grandeza, conseguem criar um evento maior, melhor, de cair o queixo a cada turnê. A estrutura do palco de (dã!) 360° e a iluminação são absurdas. As passarelas que ligam o palco central ao círculo que contorna a inner área se movem o tempo todo durante as duas horas de show e levam o Bono (que não para um minuto) para todas as partes da estrutura. O setlist é montado complementado e intercalado com os vídeos no telão e as mensagens do Bono, e muda de leve a cada show. Pontos altos: "Beautiful Day", "Where The Streets Have No Name", "One", e a minha preferida "Walk On". Apesar de preferir a versão original de "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight", o remix da música foi uma das melhores partes do show porque Bono, The Edge, Adam e Larry passeiam pelo círculo, pertinho de onde eu estava.


E depois, a sensação de pós-show de alma lavada e corpo quebrado. Uma noite memorável de aniversário. Um sonho de uma noite de verão em Baltimore. A última coisa que Bono Vox falou antes de deixar o show foi "Don't forget about us". Nem se quisesse, Bono. Nem se eu quisesse...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Stars and Stripes

A bandeira americana é o símbolo maior do patriotismo nos EUA. Encontra-se uma a cada esquina, em qualquer lugar. São expostas nas varandas das casas, penduradas nas janelas. Estão ali sem motivo maior algum a não ser exaltar "Sou americano. Eu amo e me orgulho do meu país".

No dia 14 de junho, os norte-americanos comemoram o Flag Day. Hoje, ao chegar da escola, o menino mais velho veio todo contente mostrar um livrinho que ele e os alunos da classe do Pré montaram com a historinha da criação da bandeira:



"Betsy Ross - Stars and Stripes
Long ago, our country fought a war to be free.
America need a flag.
The people say that George Washington asked Betsy Ross to make the first flag.
There were 13 states in the new nation.
They say Betsy Ross made one star for each state.
They say Betsy Ross made one stripe for each state.
Today there are 50 states.
Today our flag has 50 stars and 13 stripes.
The American Flag is symbol of our country.
June 14 is Flag Day.
We remember the story of Betsy Ross and her flag."

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mumford & Sons

Ir sozinha a shows já não é muito agradável. Ficar presa no trânsito de Washington D.C. e fazer um caminho que normalmente levaria uma hora em três agravam um pouquinho mais. Se isso não bastasse, estacionar o carro a 1km da casa de show, o Merriweather Post Pavilion, e correr desesperada porque o show já tinha começado foi a cereja do bolo da saga até o show do Mumford & Sons, em Columbia (MD).

Minha admiração pela banda é recente, só os conheci na apresentação de "The Cave" ao vivo no Grammy deste ano, no dia 13 de fevereiro. Foi amor à primeira vista. A música entrou imediatamente entre as minhas preferidas de todos os tempos. Comprei o álbum "Sigh No More" e me viciei na banda de folk formada por Marcus Mumford (voz e violão), Ben Lovett (teclado), Country Winston (banjo), e Ted Dwane (contrabaixo), todos nos seus 20 e poucos anos. Checando a agenda de shows deles nos EUA (a banda é britânica) com frequência, finalmente foi adicionado uma data perto de onde moro. Sem conhecer ninguém que gostasse da banda, resolvi ir sozinha nesse também.

Perdi as três primeiras músicas do show de ontem (09): "Sigh No More" (que eles começam a capela e depois explodem numa música de letra mais linda do mundo), "Roll Away Your Stone" e "Winter Winds". Sem frescura, eu tenho vontade de chorar de lembrar que perdi JUSTO essas! Enquanto corria para chegar no lugar, os acompanhava aos berros sozinha. O show é curto, com apenas 14 músicas no setlist. E mesmo depois de todos os esforços de Murphy de ferrar com a minha noite, o show de Mumford & Sons valeu a pena.

Foi de longe o mais lotado e animado que fui nos EUA. A banda é muito querida, o público gritava e aplaudia o tempo todo com muito entusiasmo, acampanhava todas as músicas com palmas. A banda demonstrava a gratidão e espanto pela ovação. O tecladista da banda, Ben Lovett (comentário de menininha: lindo de morrer), até disse "This is, by far, the biggest gig we've ever done". Eles são mestres em começar músicas apenas com violão e vozes, e no primeiro refrão explodir em música, acompanhados por uma iluminação fantástica (bem similar ao do show de Kings of Leon). E todos eles são multitarefas: tocam diversos instrumentos, revezam na bateria, cantam. É claro que o ponto alto do show foi "Little Lion Man" e "The Cave" (que fecha o show, a única tocada no bis). "Thistle and Weeds" e "Dust Bowl Dance" foram outros momentos marcantes. Além disso, incluíram no setlist quatro músicas novas, e só tenho a dizer que estou ansiosa pelo próximo álbum.

Para fechar a noite, minha câmera quebrou e me deixou na mão apenas com meu iPod. Não tenho fotos decentes, só poucos vídeos de péssima qualidade e uma camiseta com as datas da tour americana deles, a "Gentlemen of the Road", que comprei na barraquinha oficial da banda. Esse vai ficar só pra mim e minha memória. No entanto, saí de lá com uma promessa: eu vou vê-los de novo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre viagens e músicas

Eu já ouvi "Empire State of Mind" em Nova York, "California Gurls" na Califórnia, e "I'm in Miami Bitch" em Miami. Já dancei "Party in the USA" em várias festas nos EUA. Beatles vai sempre me fazer lembrar de Nova York. "Like a G6" do Far East Moviment vai ser sempre a cara de Los Angeles e "Down On Me" do Jeremih a cara de Miami.

É a música marcando minhas viagens, como faz com tudo e todas as fases da minha vida.

Coincidência musical

No hotel em Los Angeles, num caso contado em um post anterior, conhecemos o cantor pop americano Ali Pierre que, como ele nos previu, acabou pegando no Brasil. A música "Live It Up" é trilha da novela global "Insensato Coração" e parte de um dos CD's Summer Hits.

Em Miami, esbarramos com um grupo de argentinos em uma das baladas, e um deles (o segundo da esquerda para a direita na foto do site oficial) é guitarrista de uma banda (segundo eles) famosa na Argentina, a Fetzet. O plano do hermano era apertar a campainha da casa do Iggy Pop, em algum lugar de Miami, e entregar o CD da banda pessoalmente.



Caso ouvirem da banda por aí algum dia, fica marcado aqui que eu e minhas amigas demos sorte para estes artistas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Key West

Key West (FL) é uma cidadezinha no extremo sul dos EUA, na pontinha da Flórida, a pouco mais de 200 km de Miami. Para chegar nela, é preciso dirigir por três horas por pontes, inclusive uma de sete milhas, e passar por diversas outras ilhas, conhecidas por Florida Keys. Pegamos um ônibus de tour na quarta de manhã, antes do sol nascer e passamos uma tarde por lá, andando a pé de norte a sul da ilha, na companhia de um sol de rachar.

A cidade é destino de quem procura atividades na água: snorkeling, parasailing, pesca, passeios de barco. Nós, no entanto, resolvemos ficar por terra. Além da avenida principal, a Duval Av., com opções de restaurantes (inclusive um Hard Rock Cafe) e lojas - e algo a se comparar com as nossas feirinhas de praia, que eu tanto adoro -, três pontos precisam ser visitados.

O primeiro deles é o ponto que marca o extremo sul dos EUA e apenas 90 milhas de Cuba.

O segundo é a placa de 0 (zero) Miles da highway US 1, que começa (ou termina) ali e vai até o Canadá.


E o terceiro é a casa do autor norte-americano, que ajudou a tornar a cidade um ponto turístico dos EUA, Hernest Hemingway.


Key West é muito charmosa (uma das minhas cidades preferidas até agora), com casinhas antigas e muita gente andando nas ruas. As praias, no entanto, não são o ponto forte, usadas apenas para as atividades aquáticas. A ilha é chamada de Conch Republic, por ter sido fundada por imigrantes vindos de Bahamas conhecidos pelo nome de Conchs. Em todos os restaurantes, são servidos dois pratos típicos da cidade: Conch Fritters (bolinhos de mariscos) e Key Lime Pie (torta de limão, mas não tão boa quanto a nossa brazuca.


Vale muito a pena dar uma escapada de Miami para conhecer a ilha, mas não compensa passar mais que um final de semana.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Um ano e três meses: I'M IN MIAMI BITCH!

Permitam-me escrever sobre meu décimo quinto mês na terra do tio Sam com alguns dias de atraso: comemorei-o durante minha semana de férias (as últimas como au pair) em Miami. Oito dias no sol escaldante da Flórida.

Ficamos num hotel bem simples e barato em Miami Beach (ou North Beach), de cara com a praia. Único detalhe é que a parte realmente divertida da cidade, onde encontra-se toda a muvuca (lojas, restaurantes, bares, clubs), é em South Beach, pouco mais de 70 blocos de onde estávamos hospedadas. Resultado: ônibus pra ir e voltar de praia e balada todos os dias. Digo só que até o último dia já éramos experts no transporte público de Miami.


A cidade é conhecida pelos shoppings baratos, destino de muitos comerciantes brasileiros (aliás, tem mais brasileiro em Miami que no Brasil). Decidimos não desperdiçar nosso tempo com compras, portanto fomos em apenas um dos shoppings, o Dolphin Mall (o mais conhecido deles, o Sawgrass, era muito longe de onde estávamos e precisariamos alugar um carro). No entanto, para chegar no shopping, que supostamente (como nos explicou a mulher da recepção) era o mais próximo do hotel, nos levou duas horas dentro do ônibus para ir e mais duas para voltar. Além disso, os preços milagrosos que são prometidos não diferenciavam em nada em relação aos outlets que frequentamos na Virginia. Decepcionante... Pelo menos, demos uma voltinha básica na Downtown.


Com exceção desse episódio, Miami foi uma ótima experiência. Aproveitamos muito a praia, passeamos pela Lincoln Rd e Ocean Drive, duas ruas principais de South Beach com muitos restaurantes e lojas. Conhecemos o estúdio de tatuagem do Miami Ink (Infelizmente, não me tatuei. Uma estrela simples, vazada e preta, no pé iria sair por $350. Doeu a alma). Compramos lembrancinhas diversas. Eu e uma amiga, a Michelle, fizemos parasail (DEMAIS!). Saímos a noite, inclusive no Nikki Beach, o club mais conhecido de Miami. Alugamos bicicletas e fizemos toda a South Beach. Bebemos os drinks enormes dos restaurantes da Ocean Drive. Fomos pra Key West (tema para um próximo post). No fim dos oito dias, não dormiamos direito por uma semana, mas o corpo bronzeado e o bolso vazio indicavam uma viagem bem aproveitada.

Memorial Day weekend


Segunda (30) foi o feriado Memorial Day, um dia para relembrar os soldados americanos que morreram em guerras civis. Não sabiamos, no entanto, que, durante o final de semana que o antecede, Miami recebe turistas de todo o país "adeptos" do hip-hop, em música e, principalmente, estilo. Homens de calças caindo, cuecas a mostra, boné de lado. Mulheres disputando quem chama mais atenção, com roupas inimagináveis. Na maioria gritante, negros. As ruas ficaram tão abarrotadas de gente que, durante o final de semana e feriado, algumas ruas são fechadas, complicando - e aumentando - o trânsito. Minha amiga gravou vídeos do pessoal na rua: Vídeo 1 e Vídeo 2.


Única coisa que atrapalhou nossos planos foi o de ir em diferentes baladas. Estavam tão lotadas que desistimos de frequentá-las e acabamos indo num mesmo bar/club três noites. Devido ao público, as atrações escolhidas para o final de semana são estrelas do hip-hop. No sábado (28), teve show do Drake e Lil Wayne, mas não arrumei companhia para assisti-los.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

31 de agosto de 2011

Família e amigos, a data é essa. Recebi agorinha a carta de confirmação da Au Pair In America; dia 31 de agosto eu estou de volta! Fim da vida de au pair na terra do tio Sam.

Deu de chegar hoje, véspera da minha última semana de férias nos EUA. Destino: Miami (FL). Oito dias debaixo do sol escaldante, passando o tempo em Miami Beach. E eu só tenho a dizer que eu estava precisando muito dessa folga. E do calor.

Só torcer para o mundo não acabar amanhã e arruinar a vacation.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Killjoys, make some noise [2]

Na tão esperada terça-feira, só consegui sair de casa às 17h30 para pegar o metrô para Washington DC. Quase duas horas depois e duas trocas de linha, cheguei na estação para o 9:30 Club. A fila já virava duas esquinas do quarteirão do bar, que é bem pequeno. Entrei na fila exatamente na hora em que abriram as portas e em pouco tempo já estava lá dentro, tentando decidir de que lado tinha mais chances de me aproximar da grade. Até o fim dos shows das duas bandas de abertura, The Architects e Thursday, já tinha me posicionado há seis cabeças do palco e ali fiquei quase todo o show. Sendo empurrada para os lados.

Foi a primeira vez que assisti a um show nos EUA no povo, no meio da bagunça, portanto retiro as reclamções de que americanos não sabem curtir um show. Ou talvez é preciso estar no lugar certo com a banda certa. Outra coisa indiferente entre os países são os fãs da banda: um bando de meninas adolescentes. Só sei que nunca cantei "I'm not okay" com tanta sinceridade. Sem jantar, em pé por horas, um aperto descomunal, suada da cabeça aos pés... Estava tão fraca que nas primeiras músicas lutava para me manter em pé no empurra-empurra. Mal conseguia acompanhar as músicas cantando. E eu sabia to-das.


Da metade do show para o final, me encaixei num lugarzinho pouco mais sossegado quase na berada da multidão, e ali consegui aproveitar o resto decentemente.


O show


E depois da confusão com ingressos, de ir sozinha pela primeira vez a um show, e a espera de anos, My Chemical Romance ao vivo é a recompensa perfeita. Eles são fantásticos. Gerard Way é um frontman único. E como mudam o setlist a cada show, tive a sorte de ouvir um perfeito, com músicas dos quatro álbuns (as minhas duas preferidas do Black Parade e as duas do novo CD) . Poderia citar pelo menos umas 10 músicas deles que gostaria de ter visto ao vivo, mas sei que seria impossível. Dos singles que realmente foram deixados de fora (que inclusive estavam no setlist do show de lançamento do Danger Days), eu senti falta de "Famous Last Words" e "The Ghost of You" (uma das minhas preferidas da banda).


Setlist do show em Washington DC


1. Look Alive, Sunshine

2. Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na Na)

3. Thank You For The Venom

4. Planetary (GO!) [Preferida do Danger Days]

5. Hang 'Em High

6. Mama [Preferida da Black Parade]

7. The Only Hope For Me Is You

8. House of Wolves

9. Summertime

10. I'm Not Okay (I Promise)

11. Vampira Money [Com introdução igualzinha ao CD]

12. DESTROYA [Preferida do Danger Days]

13. Welcome To The Black Parade

14. Teenagers

15. SING

16. Vampires Will Never Hurt You [Pirei nessa!]

17. Helena [Emocionante!]

18. Cancer [Preferida do Black Parade]



Encore


19. Our Lady of Sorrows

20. Bulletproof Heart


E para finalizar a noite, me encostei na grade, logo depois da banda deixar o palco, e insisti até o segurança achar uma palheta do Ray Toro no palco e me dar. Final perfeito para o show perfeito.


PS: Fotos e vídeos para um próximo post.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Killjoys, make some noise [1]

Pra falar sobre a odisséia até o show do My Chemical Romance, eu preciso começar pelo começo, em 2008. Show deles em São Paulo e eu - esgotada de dinheiro após o do The Used (dezembro de 2007) e Iron Maiden (janeiro de 2008), e sem companhia - não consegui ir. Via entrevistas e pedaços do show na TV e chorava. Meus amigos e família, é claro, diziam ser digno de emo - apelido que me atormentou por muitos anos por curtir a banda. Foi, na verdade, dor de fã desiludida.

Quando assisti ao show online deles em Los Angeles de lançamento do novo álbum Danger Days, era novembro de 2010, e só então me caiu a ficha que eles deveriam estar em turnê pelos EUA. Chequei o site oficial, e não deu outra. Ingressos pro show em Washington numa terça a noite esgotados. Apelei pra New York, num sábado, em abril de 2011. Companhia eu sabia desde então que não conseguiria. Aqui, sem diferença nenhuma do Brasil em 2008, não conhecia ninguém que gostasse da banda.

Tive quatro meses de espera. Deixei pra acertar albergue em cima da hora. Dois dias depois, o hostel me mandou um e-mail cancelando a reserva sem uma explicação sensata. Foi então que a mãe americana sugeriu uma mudança de planos: vender o ingresso de NY no eBay e comprar um para o show esgotado em DC, em maio. Paguei quase o dobro no novo ingresso, e acabei nem conseguindo vender o que já tinha. Não ficaria mais revoltada se não fosse pelo dinheiro que gastaria com a viagem de final de semana pra NY. Ônibus, hotel, comida. Saiu na mesma.

Mais duas semanas de espera.

Virei fã de My Chemical Romance, no finalzinho de 2005, quando eles apareceram com Helena. Quando já estavam estourando no mundo todo com o visual preto e vermelho, de cara pálida e ollheiras, do Three Cheers For Sweet Revenge, o segundo - e ainda meu preferido - álbum da banda. Foi amor a partir daí. Ia pra faculdade com a minha camiseta do desenho do casal ensanguentado da capa do CD, e sempre recebia olhares de desconfiança. O visual, no entanto, mesmo um tanto mórbido e dark, sempre foi algo que me atraiu na banda: inventam uma história completa a cada trabalho, nas letras, na divulgação, nos vídeos, no "uniforme" para os shows. Criam verdadeiros personagens a cada álbum. MCR é daquele tipo de artista que de genial para piada é um pulo. Daquelas bandas que você curte tanto (claramente, os acha geniais e não uma piada) que gostaria poder fazer com que as pessoas as enchergassem da mesma forma.

Gosto das músicas do Black Parade (2006) - não tanto quanto os outros dois primeiros álbuns - mas não gosto do visual. E depois de quatro anos sem lançar nada novo, o Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys não poderia ser resultado melhor pela espera toda. A banda inteira com o look reformulado, novos (e fantásticos) "uniformes" (as jaquetas criadas por Colleen Atwood - que SÓ ganhou o Oscar de Costume Design este ano por "Alice no País das Maravilhas"), Gerard de cabelo vermelho. E as músicas, é claro, muito boas.

Gerard Way, vocal, é uma história a parte. Desses casos de artistas tão talentosos que chegam a ser totalmente excêntricos. Ele é o responsável pela criação de todo o visual da banda. Formado pela Universidade de Artes Visuais de Nova York, também é quadrinista (autor de The Umbrella Academy, com arte do brasileiro Gabriel Bá). Desenhou a capa do álbum Three Cheers, as jaquetas e os personagens do vídeo "Na Na Na". Pacote completo no quesito talento. Além disso, Gerard tem propósito desde a criação da banda em ajudar com a música jovens "desperançosos", da mesma forma com que o MCR já o salvou duas vezes (quando era depressivo e alcoólatra).

E foi ontem, dia 10 de maio de 2011, que eu finalmente vi um show do My Chemical Romance, em Washington DC.

(continua no próximo post)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sweetlife Festival

Antes de realmente começar o post, só queria exteriorizar um pensamento que tive ontem a noite. Certo seria classificá-lo na categoria "ISSO ESTÁ MESMO ACONTECENDO?". The Strokes surgiram quando eu assistia muito MTV Brasil, na minha pré-adolescência. O "novo rock" da banda , que na época chamaram de despretencioso, os fez subir em todas as paradas possíveis, inclusive nas brasileiras. Não sei quantas vezes assisti o vídeo de Last Night no falecido Disk MTV. Julian Casablancas jogando o microfone, empurrando os membros da banda tocando ao vivo. Cinco moleques, na época. Nunca imaginaria que dez anos depois, muito tempo passado a minha fase emetevê, eu iria ver um show dos Strokes num festival de música nos EUA, na região de Washington DC.

Pronto. Ontem (01), fui ao Sweetlife Festival, em Columbia (MD), um evento que celebra a vida e a comida saudáveis, com a apresentação de dez bandas/artistas de estilos diferentes no Merriweather Post Pavilion. O lugar tem um espaço grande em volta do gramado, onde foram montadas várias tendas de produtos naturais, todas destribuindo brindes (óculos, bastões de neon, salgadinhos, camisetas, adesivos).

Chegamos logo no comecinho, ao meio dia. Estendemos cobertores no começo do gramado e ali ficamos o dia todo, intercalando com algumas voltas pelo lugar. Assistimos a todas as atrações, mesmo só conhecendo a principal (última a se apresentar no evento, claramente). Três delas (além da dos Strokes) foram muito boas.


A banda Walk The Moon, da cidade Cincinnati, tem um show bem animado. O vocalista começou a apresentação dizendo que nunca tinham tocado tão longe da cidade deles. Pelo jeito, foi o primeiro de muitos, porque a agenda de shows no site oficial deles tem datas em Los Angeles e até em Londres. Gostei do estilo e das músicas da banda.

Lupe Fiasco é um rapper com umas letras meio motivacionais. Gritando (e pedindo pra platéia gritar) "Hip Hop saved my life" durante todo o show, Fiasco diz coisas do tipo "Se você conhece alguém em depressão, ajudem-o a não desistir de lutar". A banda que o acompanha é muito boa, ele consegue segurar a atenção das pessoas o show todo, até mesmo durante um "discurso" de uns cinco minutos sobre o poder da juventude. "Ok, I'll shut up now" e volta ao setlist. Eu não o conhecia, mas várias das músicas tocadas foram acompanhadas com as pessoas cantando junto.

O melhor de todos foi, sem dúvida, o do DJ Gregg Michael Gillis, mais conhecido pelo nome artístico Girl Talk. Foi o show mais animado da minha vida. Ele faz uns mashups incríveis com músicas que NUNCA imaginaria combinar uma com a outra, de estilos completamente diferentes. Miley Cyrus, Black Sabbath, Bon Jovi, Ludacris, 50 Cent, Lady Gaga, Black Eyed Peas, Justin Timberlake... Girl Talk usa música de muita gente e a mistura fica perfeita. Com balões, confetes, e fãs dançando no palco o tempo todo, o show é uma grande festa. Não há palavra melhor para descrever . Não há um indivíduo parado.


E depois de um dia inteiro de shows - todos pontuais, seguindo a risca o lineup -, finalmente, às 20h55, entra a atração principal: The Strokes. Não foi dos melhores, me desculpem a sinceridade. É muito bom, mas curtíssimo, não passou de uma hora. Julian Casablancas estava absolutamente de arrasar: óculos escuros, o cabelo (como sempre) propositalmente sujo e desarrumado, jaqueta de couro. No entanto, o front man não é carismático. Chega até aparentar ser bem tímido. O setlist, com apenas 16 músicas, misturou clássicas com músicas do novo álbum Angles, como deveria ser. Mas eu nunca saí de um show tão triste como o deles. Não tocaram a minha música preferida da banda (uma que entraria fácil num top 10 músicas-da-minha-vida), You Only Live Once. Desacreditei. O show acabou e eu fiquei lá, plantada, olhando desmontarem o palco, esperando por um bis. E nada. NUNCA vi uma banda sair do palco e NÃO voltar para um bis. Não sei se era regra do festival, se estavam sem tempo... Só sei que me decepcionei nesse aspecto. Justiça seja feita, Reptilia é uma música MUITO boa ao vivo. Last Night fechou o show e foi bem emocionante. As novas Taken For a Fool (Casablancas errou um pedaço da letra) e Gratisfaction são duas das minhas preferidas do Angles e arrasaram no show. Com certeza, entretanto, não foi dos melhores shows da minha vida.

Mas o domingo foi maravilhoso. Um desses por mês e eu seria feliz para sempre. Nem a garoa constante e o friozinho chegaram perto de estragar o festival.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Shut up and sing it with me

Álbum do My Chemical Romance tocando no carro.

Gerard: "... Shut up and sing it with me, na, na, na, na..."
Mais velho: Por que ele pode falar "cala a boca"?
Eu: É, é feio mesmo. Ele fala alguns palavrões nesse CD. Acho melhor ouvirmos outra coisa.

Mudo do álbum para a rádio.

Ludacris: "... And I love the way you shake that ass. Turn around and let me see them pants." (Pelo menos era a versão censurada de "Tonight" e Enrique Iglesias cantava "loving").

Eu: Quer saber, vamos desligar esse negócio.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um ano e dois meses

Pela primeira vez nesse tempo todo, eu gostaria de não "precisar" escrever aqui sobre mais um mês vivido. Tudo que rascunhar vai soar repetitivo. O pacote da Au Pair In America chegou e eu preciso fechar data e detalhes sobre meu voo de volta até meio de maio. Minha família americana também já recebeu as informações necessárias para começar o próximo processo de match. O meu coração está apertado e eu estou apreensiva por diversos motivos que já divaguei a exaustão neste blog. Portanto, evitarei-os neste post. Até quando conseguir...

Neste 14º mês consegui fazer algumas coisas diferentes que acabei perdendo ano passado. Por ser muito verde ainda na região, recém chegada, tentando me adaptar a mudança e rotina, deixei de participar de alguns programas. Este ano, consegui riscá-los da minha lista de coisas-a-serem-feitas-antes-de-voltar.


A primeira delas foi ir à Washington D.C. durante o Cherry Blossom Festival, que marca o início da primavera. Todas as árvores florescem e uma programação de shows, feiras, paradas toma as ruas da cidade por duas semanas. Qualquer lugar que vá, encontrará cherry blossoms brancas e rosas, de deixar qualquer foto maravilhosa. O National Mall, no entanto, é o ápice do evento. Estive em D.C. em todas as épocas do ano, mas esta é a mais bonita para se visitar a cidade (disputa acirrada com o outono, quando a cidade é tingida de vermelho e laranja).

O segundo item riscado foi o baile da Academia Naval de Annapolis, capital de Maryland - estado vizinho, que divide Washington D.C. com a Virginia. Uma festa com banda e DJ no ginásio da escola para os alunos e qualquer um que comprar os ingressos de $10. Este evento merece uma explicação a mais.


Os futuros oficiais da Academia são, na maioria esmagadora, meninos entre 18 e 22 dois anos de idade, presos a uma rotina rígida de aulas e treinamentos. O baile é um dos eventos realizados pela escola para que eles possam ter um pouco de diversão durante o ano. E é comum que todos os clusters de au pairs da região sejam convidados para a festa. Por quê? Um monte de meninas estrangeiras.


A minha certeza sobre a insistência na participação das au pairs foi confirmada quando uma amiga me enviou o e-mail que a counselor dela mandou para todas as meninas do cluster, intitulado "Naval Academy Ball tips". Dentre as dicas dela:

-Mantenha em mente que estes aspirantes da marinha não podem casar ou assumir filhos enquanto alunos da escola. Baseada nesse fato, tome decisões seguras.


-Os aspirantes da marinha estarão de uniforme. Quanto mais listas no ombro do uniforme, a mais tempo eles estão na escola. Um aluno com nenhuma lista terá, provavelmente, 18 ou 19 anos. Isso significa que não terá acesso a carro e é sujeito a regras rígidas para os finais de semana, o que o dificultará de visitá-la.


-Converse/socialize com alunos com mais listas na manga do uniforme. Eles são os veteranos da escola e têm carros MUITO legais - isso é símbolo de status pra eles.


-Os aspirantes da marinha são típicos meninos: levemente arrogantes e convencidos. Eles são assim porque acreditam ser o melhor que o exército americano tem a oferecer. Escute a tudo que eles têm a dizer, mas acredite na metade.


-Divirta-se, mas lembre-se de que garotos são garotos mesmo que pareçam DEMAIS em uniforme da marinha.


Quase desisti de ir de tão ridículas estas dicas são. Mas ignorando a parte fútil do evento e focando nas partes boas: Annapolis é uma cidadezinha histórica muito bonita dos EUA. A Academia Naval - a qual já havia feito uma breve visita em julho de 2010 - é um lugar grande e encantador. E o baile seria, com certeza, uma programação completamente diferente para o final de semana. Liguei o botão do foda-se, comprei um vestido novo na Forever XXI, e resolvi ir com mais três amigas.
(Detalhe: entramos de graça. Um blog publicou a informação errônea de que era possível comprar ingressos na entrada do evento, mesmo estando esgotados na venda online. O aspirante da porta teve "piedade" das quatro au pairs sem ingressos e nos deixou entrar sem pagar.)

Como a maioria dos alunos são menores de 21, bebidas alcóolicas não são permitidas na festa. E como eles têm uma rotina rígida de aulas, o baile termina à meia noite em ponto. Todos os aspirantes da marinha têm de estar (e manter-se, durante toda a noite) uniformizados. Foi quase uma volta aos bailinhos do ensino fundamental. Os meninos ficam confabulando em grupinhos, decidindo quais meninas pedirão pra dançar. E até agora a única festa black tie americana de qual fiz parte. Foi divertido mudar os ares e valeu a experiência, mas o baile não é grandes coisas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Return Flight Information‏

Praqueles que diziam cedo pra pensar na volta, a Au Pair in America acaba de prová-los errados. Recebi o e-mail "Return Flight Information": "Since it's almost time to select your flight home, you will soon receive information about your return flight in the mail. Please read all the information and request your Flight no later than the deadline listed".

Em pouco tempo, terei a data exata da volta ao Brasil. E agora não há extensão que adie.

Departure flight

Por coincidência, hoje, reencontrei a pasta de fotos que meu pai tirou pelo celular no aeroporto em São Paulo, no dia da minha viagem, em fevereiro de 2010. As últimas tiradas com minha família e a primeira tirada com as brasileiras tão queridas. Parece que foi há décadas.