sábado, 22 de janeiro de 2011

Onze meses

Acordei depois de uma rara noite de 10 horas de sono e agradeci mentalmente por absolutamente tudo. Aproveito dias como esses, em que eu acordo consciente de tudo a minha volta e dos pequenos detalhes. No simples 'ser feliz' ou na sorte que se tem. De viver, de morar fora, de ser satisfeita em ser quem é.

A um mês de completar um ano nos EUA, eu me sinto em casa. Essa semana, ao estacionar em frente a garagem com a pequeno, perguntei:

-Onde estamos?
-Na nossa casa! (O "nossa" sempre me espanta. Sim, eu MORO aqui.)
-Nossa casa! Eu tenho duas: uma aqui e uma no Brasil.

Nos primeiros meses, quando ainda não tinha dado para acostumar chamar a casa de minha, eu planejava o final de semana todo para sair na sexta e voltar domingo a noite. Hoje, eu não me importo dizer não pra uma programação e ficar a toa em casa. Ainda mais com o frio de -5°C que tem feito. É não ter a pressa de viver tudo num só final de semana, porque ainda tenho tempo para gastar antes de ir embora.

Quando imaginaria um dia ter receio de voltar pra casa. Quanto mais fica, mais se enraiza e mais assustador é a volta. A rotina antiga, a vida real, ao deixado, ao mal-terminado, e a tudo que precisa ser criado do zero. Eu tenho sete meses para adiar o arrumar de malas, o planejar da vida, as despedidas. Mas, ao mesmo tempo, tenho mais sete meses pra crescer raízes. Pra me acostumar a chamar aqui de casa.

Anyway, enquanto o tempo passa...


Minhas aulas do curso de Spoken Language Interpreter - o qual se eu quisesse terminar inteiro, infelizmente, teria de ficar aqui até 2013 - essa semana. Dessa vez o tema é "Vocabulary and Terminology". Essas são as que eu realmente queria cursar. Já preciso começar a decidir como conseguirei os três créditos de estudos exigidos pela Au Pair in America para os próximos seis meses.

Algumas meninas partiram (para tão esperada e temida "volta pra casa"), outras chegaram. Não é tão simples ocupar lugares das amigas, mas essa é uma das únicas certezas em ser au pair. O "tchau" e o "bem-vinda" constantes. Felizmente, nos últimos dois casos - na despedida que está por vir - foi só um "até logo", porque elas são de São Paulo.

Já começam os planos para a próxima e última semana de férias que terei, a lista-do-que-fazer-antes-de-ir-embora já está escrita, espero ansiosamente pela primavera...

E a vida continua.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Arts and Crafts

Preocupada em ter com o que distrair os meninos durante as curtas férias de final de ano, eu pesquisei alguns sites de artes, recortes e artesanatos para crianças. Os pequenos se empolgaram com as ideias que eu achei e acabamos fazendo algumas coisinhas no nosso tempo livre. Muito bonitinho os ver orgulhosos com os resultados. São coisas bem simples e fáceis de fazer, e que não exigem talento em artes - escasso, no meu caso. Muito diferente do caso da minha tia Sandra, super talentosa, que me passou o site Family Fun (de onde tirei a maioria dos "projetos"), e a quem esse post é dedicado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Holidays


De alguns anos pra cá, a magia natalina deixou de aparecer com a força de antigamente e deu lugar a deprê de fim de ano. O Natal sempre foi minha data preferida - mais do que meu próprio aniversário -, e é, pra mim, sinônimo de família. Achei que por estar longe de casa e de todos a bad ia ser pior, mas inexplicavelmente não foi. Resolveu dar uma pontinha no dia 23, e eu tentei driblá-la como pude. No dia 24, quando eu achei que ela ia me vencer, o skype me salvou novamente. A família toda estava lá, reunida em frente ao computador, me esperando para revelar o amigo-secreto, do qual eu fiz parte pela webcam.

O Natal, mesmo nos EUA, foi familiar. Passei com meus pais americanos, os meninos e a família paterna. Na manhã do dia 25 foram mais de duas horas abrindo presentes em frente a árvore. Nunca vi uma criança ganhar tanta coisa num dia só. E aparentemente é tradição natalina americana. Dar tantos brinquedos para uma criança, independente da idade, a ponto dela enjoar de abrir pacotes e mais pacotes. Porém Papai Noel foi bom pra mim também: meus pais americanos me deram ingresso para o show do U2, em Baltimore, no dia 22 de junho, mais conhecido como meu aniversário, e mais oito CD's da banda.

O Reveillon eu passei com duas amigas. Compramos ingressos para uma festa no New Year's Eve em um club em Arlington, uma cidade a meia hora da minha casa. Outra tradição americana é a de alugar um quarto de hotel para que ninguém se preocupe em dirigir depois da festa - e não se preocupar também com motoristas embriagados pelo caminho. Gostamos da ideia e pagamos por uma noite no hotel Hyatt, a três minutos do lugar da festa.

Pelo ingresso que pagamos, tínhamos direito a jantar, quatro drinks e champagne na hora do brinde da virada. Ganhamos tiaras e cornetas de Happy New Year, a comida estava muito boa e podíamos escolher qualquer bebida do bar. A banda e o DJ tocaram o de sempre, o que normalmente me agrada e dá pra dançar. Teve até balões caindo depois da contagem regressiva, à meia noite. Foi muito divertido e seria tudo perfeito se não fosse o meu vestido.

O incidente da virada




Como nos EUA não tem a frescura de usar branco no Reveillon e eu nunca gostei dessa tradição brasileira, aproveitei e comprei um vestido preto na Forever XXI. E devo dizer que estava encantada por ele. Pouco antes de sair para a festa, tirando fotos já arrumadas no quarto do hotel, o zíper do vestido resolve quebrar (foto 1). Minhas amigas, com muito custo, me ajudaram a consertar o infeliz. Como não tinha nenhuma outra opção de vestuário, o negócio foi arriscar a sorte e tentar não me mexer muito. É claro que não adiantou. Na festa, enquanto dançava (foto 2), o zíper deu o mesmo problema e eu tive de ir ao banheiro encostada a minha amiga, tentando disfarçar a abertura do lado do vestido.

Minha amiga, com a ajuda de três americanas - que tiveram a ideia brilhante de me conseguir uma chave de carro -, fez dois furos de cada lado da abertura do vestido e usou a faixa que eu usava na cintura para trançá-lo, dar um laço e fechar o buraco lateral (foto 3). Ficou, obviamente, bem precário. O vestido ficou retorcido e mais curto do lado esquerdo, com uma ponta do zíper quebrado ainda aberto e a mostra.

Pausa para agradecimento: obrigada, Ana, por "salvar" meu vestido e minha noite. Desculpe-me por te fazer perder um pouco da sua.

Eu não sou daquelas que tentam achar sentido no que se passa na virada e o que isso pode significar para o resto do ano. No entanto, se for interpretar o incidente pelo lado positivo, eu conseguirei dar um jeitinho bem brasileiro nos meus problemas e ligarei o foda-se. Pelo lado negativo, é melhor deixar pra lá...

Happy New Year a todos! Que 2011 seja maravilhoso!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Extension approved

Agora é oficial. Minha extensão foi aprovada!

"Hi Brenda, your extension was approved on December 16th. You should
receive a packet in the mail with your new DS 2019 very soon"

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dez meses

Desde 2006, os meus anos disputam qual foi o melhor de todos. 2006 (além de ter sido meu primeiro ano no curso de Jornalismo) já começou, logo em fevereiro, com o melhor dia da minha vida: o show do U2 no Morumbi. Pouco depois, em junho, entrei para o voluntariado do canal local Net Cidade, em Americana - que na época ainda era Vivax 21. Dediquei todo meu tempo livre em aprender - coisas que nem a faculdade me ensinou -, e conheci amigos fantásticos que quero e vou levar pra vida toda. Melhor ainda foi ter todo o tempo dedicado reconhecido em prêmios de Melhor Repórter e Revelação na nossa comemoração de fim de ano. Também foi o ano em que fiz minha tattoo.

Em 2007, eu consegui meu estágio na rádio municipal de Santa Bárbara d'Oeste. Outro ano rico em aprendizado. E foi durante ele, também, que me apaixonei de verdade pelo meu curso da faculdade.

Após morar quase a vida toda em apartamento e dividir quarto por 18 anos com meu irmão, em 2008, eu e minha família nos mudamos para a casa dos nossos sonhos. E eu pude decorar meu próprio quarto (com direito até a parede roxa). Foi o ano de assistir stand-ups em teatros municipais.

2009 já bastaria só pelo fato de eu ter realizado um dos maiores sonhos da minha vida: adotar um cachorro. Amelie entrou pra família em abril e ganhou todos nós instantaneamente. Mas além disso, eu e meu grupo da faculdade ganhamos o Prêmio Losso Netto de Jornalismo da Unimep, como melhor Trabalho de Conclusão de Curso do ano. 

Foi em 2009, também, que eu descobri o programa de au pair e passei a segunda metade dele enrolada em todos os processos necessários para fazer parte dele - no tempo que a monografia não me consumia. Teste na agência, preencher formulários, visto, match com a família... E depois de tudo estar certo para a viagem, era unânime a opinião de todos: "2010 vai ser o ano da sua vida". Eu nunca duvidei disso (bem... talvez levemente no meu primeiro mês aqui, durante a adaptação). Mas eu acho que nada que me dissessem ou que eu pudesse imaginar me prepararia para o que este ano viria a significar pra mim.

Graças a Deus, os anos têm sido bons comigo, mas 2010 me deixa sem palavras. Nunca achei que fosse possível realizar tantos sonhos em 365 dias. Desde os maiores (o de morar em outro país) aos de infância (conhecer a Disney), os culturais (os shows, as peças na Broadway, Cirque du Soleil) aos turísticos (NY, LA, Las Vegas, Washington DC), ou até mesmo os mais bobos, simples (andar em montanhas-russas loucas, dirigir numa viagem longa, conseguir entender e ser entendida em inglês, ver neve). É uma lista sem fim.

O ano acabou e, como de costume, não consigo acreditar o quão rápido tudo passou. Para todos que me avisaram: vocês estavam certos. 2010 foi o ano da minha vida.

PS: completei dez meses aqui no dia 22, estou poucos dias atrasada com o post.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

I want to be a part of it

Passei um segundo final de semana em Nova York. Um dia e meio é suficiente para colocar em prática uma lista do-que-fazer-enquanto-estiver-na-Big-Apple, pra quem está disposto a andar muito, mesmo estando muito frio.

Eis a minha lista/viagem:

1) Assistir a (mais) uma peça na Broadway. Desta vez, a escolhida foi "Chicago". É maravilhosa, engraçada, mas mesmo assim ainda não ganha de Billy Elliot.


2) Visitar os pontos da cidade famosos pelos enfeites de Natal. Esse era um sonho antigo meu, ver a árvore do prédio Rockefeller e todos aqueles cenários de filmes americanos. Verdade seja dita, não é nada de tão glamoroso, mas não deixa de ser lindo como qualquer cidade com enfeites e luzes natalinas.



3) Atravessar a ponte do Brooklyn. Foi necessário quebrar a cabeça e pedir informações pras pessoas (algumas que sabiam tanto quanto a gente) de que metrô pegar pra chegar no começo da ponte. (Metrô em Nova York é um tanto difícil de entender, bem diferente de Washington DC.) Conseguimos, então, chegar na extremidade que começa no Brooklyn e a atravessamos até Manhattan. Acredito ter sido o meu momento mais emocionante nas minhas três visitas à NY.


4) Sair a noite. A ideia inicial era balada, mas acabou não rolando. Fomos, então, passear no Village, andando de barzinho em barzinho. Paramos nuns três, fugindo da chuva. Todos bem pequenos, pouca luz, e rock/punk de fundo musical. (Não entendo por qual razão, mas não tiramos nenhuma foto por lá!)

5) Conhecer a Grand Station. É claro que é um ponto turístico famoso da cidade e um lugar muito lindo, no entanto minha vontade de visitar a estação era pelo simples motivo de ver o lugar em que Alex, Melman, Marty e Gloria, de Madagascar, resolveram fugir de NY.


6) Reencontrar pessoas queridas. Das 16 meninas que vieram comigo e com a Ana Paula no mesmo dia para os EUA, umas cinco delas moram perto de NY. Conseguimos nos encontrar com três - queridíssimas - delas. (Meninas, vocês são umas fofas! Foi ótimo revê-las! Obrigada pela estadia, Thici!)


Só faltou mesmo conhecer o prédio de Friends (que fica no Village, e eu só descobri isso hoje). Próxima viagem para NY já está marcada para abril, pra assistir ao show do My Chemical Romance. Pretendo, nesse mesmo final de semana, ver o musical "Spider Man - Turn Off the Dark", que estreou há pouquíssimo tempo, com direção de Julie Taymor (Across the Universe) e músicas de Bono Vox e Edge. Básico. Os ingressos estavam absurdamente caros por ser um espetáculo bem recente. Ficou pra próxima.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Weekend course 2 - I'm half way there

Ter dúvidas sobre a decisão de estender o programa é normal, mas incomoda. Aliás, qualquer dúvida é incômoda - e dependendo da decisão a se tomar também pode ser bastante. Nesse final de semana, no entanto, provei a mim mesma que realmente quero ficar esses seis meses extras.

Fui ao segundo e último curso para au pairs na faculdade em Baltimore. Como já mencionei, as aulas não são lá grandes coisas, e não me interessam muito a não ser o fato de que me darão os créditos exigidos pela Au Pair in America. Seis créditos completos por dois finais de semana de aulas entediantes.

Para completar o curso, cada au pair precisa comprovar dez horas de trabalho voluntário em alguma organização relacionada ao tema das aulas, mais um texto de cinco páginas sobre a experiência na área. Pratiquei todo meu talento de "encher linguíça", que deixaria qualquer dos meus professores de jornalismo de cabelo em pé (de decepção), para escrever sobre o tantinho de experiência que eu tenho em Turismo e Hospitalidade.

O trabalho não foi o problema, já que a coordenadora do curso não os lê de verdade. Só garante que cada au pair não escreva nem uma linha a menos na quinta página. O trabalho voluntário, entretanto, foi bem difícil de conseguir e só fui resolve-lo completamente - com certificado preenchido e assinado - na noite de sexta-feira anterior ao final de semana.

Como agravante, minha família americana havia recebido uma carta da Au Pair in America, na quinta-feira, dizendo que só poderia enviar nossos documentos para o governo americano autorizar a extensão após receberem o comprovante dos meus estudos. A possibilidade de não conseguir meus créditos - e por consequência a extensão - me despertou um desespero surpreendente. Esse tipo de situação - quando ainda há dúvida sobre uma decisão - sempre desperta em mim a fé no destino: o que tiver de ser será.

Mas aos poucos, eu já tinha acumulado planos para os seis meses a mais que pretendo passar aqui. Minha matrícula para as próximas aulas do curso de intérprete já está paga e elas só terminarão em março (um mês depois de completar um ano nos EUA). O ingresso para o show do My Chemical Romance em Nova York em abril já está comprado. Ainda tenho esperança de conseguir ir à premiere do último filme da série Harry Potter em julho. Não visitei nem metade da minha lista-de-cidades-americanas-que-eu-quero-conhecer, nem completei a minha lista de shows-nos-EUA.

Pensar em ir embora sem colocar tudo isso em prática me pareceu o mesmo de desistir no meio do caminho. De missão não cumprida.

Depois de um final de semana sonolento, frio de doer, passado inteiro dentro de salas de aulas, eu dei mais um passo para conseguir minha extensão. Completei meus seis créditos. Agora a decisão é do governo americano.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nove meses


Em Las Vegas, Ana Paula, Michelle e eu subimos na torre do hotel Stratosphere, de mais de 350 metros. Só percebo o quanto tenho medo de altura quando preciso passar por situações como essa. É apavorante. Foi pisar fora do elevador, e minhas pernas começaram a tremer. Prevendo meu pavor, comprei apenas um ticket para escolher entre as três atrações da torre. Já havia visto sobre os brinquedos em um documentário sobre montanhas-russas e parques de diversões. Eles são bem simples, fraquinhos, se não fosse o fato de estarem todos pendurados a beira da torre.

Cheguei a sentar na cadeira da Insanity, mas amarelei. Levantei antes mesmo de fecharem a trava, alegando "I'm a chicken" para o funcionário (quase um equivalente a "Eu sou uma covarde", termo aprendido com o McFly de "De Volta Para o Futuro" - Nobody calls me chicken). O único brinquedo que consegui ir foi o Big Shot (semelhante ao elevador do Playcenter), que é até pequeno - já fui em piores. Mas a altura do prédio me fez sofrer pra decidir realmente enfrentá-lo. Os funcionários foram bem pacientes, me esperaram "dominar" o medo, resmungar alguns palavrões em inglês, enquanto minhas amigas tentavam me encorajar (já sentadas no brinquedo).

Lembro bem de pensar que seria uma vergonha ter chegado até ali e não ter coragem o suficiente de tentar, de enfrentar o pânico. E como é difícil enfrentar o pânico. É uma sensação tão humilhante. É raiva de não conseguir me controlar mesmo sabendo que é uma oportunidade única. Quantas vezes estarei no topo do hotel mais alto de Las Vegas? E foi quase me arrastando, que consegui sentar na cadeira. Fui, gritei, xinguei, abri os olhos e, meu Deus, que vista foi aquela. Las Vegas ao anoitecer. Foi a melhor recompensa depois de ter quase chorado de medo e mesmo assim conseguido enfrentá-lo. Foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na minha vida.

Mas não mais difícil que decidir ficar nos EUA por mais seis meses. E foi por este motivo que resolvi contar o incidente na Stratosphere. As sensações são exatamente as mesmas. É uma oportunidade única. Quantas vezes terei a chance de morar fora - ainda mais nas condições em que vivo? Quantas vezes terei um visto aceito? Quantas vezes terei 20 poucos anos num outro país que não o meu? Quantas vezes poderei estudar nos EUA? Posso continuar por páginas e mais páginas...

No entanto, a saudade de tudo e de todos, o medo de estar atrasando minha vida, minha carreira, de ter tomado a decisão errada, me fizeram pensar realmente em não ficar. Eu não quero ir embora com a sensação de não ter tentado, nem que fosse pelo tempo mínimo de extensão possível. E por isso, hoje, ao completar nove meses morando nos EUA, que eu completo exatamente metade do meu caminho. Half way done.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

As quatro estações

Sempre achei estranho quando os americanos diziam que eles tinham as quatro estações do ano. Qualquer país as tem. Por este motivo, entendia a afirmação como mais uma arrogância americana. Mas, após passar nove meses aqui e presenciar todas as mudanças - no clima e "visual" - do lugar, agora entendo o que eles queriam dizer.

Cada estação é completamente diferente uma da outra, e as características são extremas. Se é inverno é muito, muito frio. E, claro, neva. A paisagem fica branquinha, as árvores desfolhadas, e todas as pessoas cobertas de camadas e mais camadas de roupa.



A primavera é levada ao pé da letra: "renovada vegetação". As árvores ganham as folhas de volta e ficam carregadas de flores. E tudo muda do branco para o extremo colorido. É o período das alergias atacadas.



O verão foi minha maior surpresa: é quente. Muito quente. Vinda de país tropical, eu não esperava sofrer com o calor que faz nos EUA. É abafado, grudento. Cada bairro tem uma piscina coletiva, e elas só são abertas durante os três meses da estação. É o único período do ano em que o bronzeado das pessoas é verdadeiro. As escolas americanas fazem as férias de verão, todos os estudantes passam os três meses de folga. E o dia acaba mais tarde com o horário de verão, como o nosso. O pôr do sol começa às 19h30. A estação é aproveitada ao máximo.

E a atual e minha preferida: o outono. No Brasil, essa estação sempre foi indiferente pra mim, mas aqui tudo vira uma palheta de cores quentes. As árvores se colorem de vermelho, laranja e amarelo - e, consequentemente, o chão e tudo que fica embaixo delas. Em poucas semanas, as árvores estarão todas peladas. Enquanto isso acontece lentamente, a temperatura cai drasticamente. É no começo dessa estação que o horário de verão acaba e o pôr do sol começa às 17h30.

As estações demarcam tudo que acontece no país: temporada de shows, períodos escolares, promoções. Matrículas para os cursos de outono. Calendário de shows de primavera. Férias de verão.

PS: Um adendo muito importante - que eu deveria ter inserido em todos os meus posts - é que todas as descrições e características que escrevo aqui são do lugar em que vivo, na Virginia. Nada pode ser generalizado, uma vez que os EUA é um país grande e diversificado, como o nosso. Ainda mais depois de conhecer Los Angeles, na outra costa do país, que é completamente diferente da região em que moro.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Parte 3: A noite de quarta-feira








A noite de quarta-feira, 3 de novembro, merece um post a parte pela sucessão de acontecimentos inesperados que nos ocorreram.


No nosso primeiro dia em L.A., depois de caminhar metade da cidade pra conseguir uma foto boa com a placa de Hollywood (e só conseguir uma meia boca - que eu postei na "Parte 2"-, conquistada a muito custo, depois de várias tentativas no meio da rua, tirada pela Juliana - Obrigada, Jú!), com os pés doloridos de andar, resolvemos parar comprar champanhe numa loja de esquina e ir beber na piscina do hotel.


Enquanto estávamos sentadas a beira da piscina, três caras passaram e começaram a puxar conversa. Aí veio a frase mais escutada da semana passada: "De onde vocês são?" (estaríamos ricas se tivessemos ganhado um dólar pra cada vez que respondemos a essa pergunta). A resposta "Brasil" causou a mesma reação de sempre com um adicional: um deles disse que era músico e que um dos singles dele vai ser trilha de uma novela brasileira e sair no CD Summer Hits em 2011. No entanto, não sabemos até agora em qual canal, porque mesmo pesquisando na internet, o cara não conseguiu lembrar o nome - nem do canal, nem da novela. Em todo caso, o cantor é Ali Pierre e a música é Live It Up. Até tiramos foto com ele caso fique famoso no Brasil. (As meninas tiraram muito sarro de mim porque não estava usando calça na foto. Era na piscina, pô! Estava de biquini.)

Logo depois, fomos nos arrumar pra ir à uma balada que um dos três nos sugeriu, na rua Hollywood Blvd, a mesma do nosso hotel. Não sabíamos, no entanto, que pra chegar até o lugar dava mais de 20 minutos de caminhada. Na andança, passamos na frente de uma festa em um albergue e um francês chamou a gente pra entrar. Entramos de bicão. As meninas cantaram "Dancing Queen" no Karaoke (foto). No final da música, fingiram que era meu aniversário e começaram a cantar Happy Birthday para mim. Até fiz uma ponta no palco quando elas resolveram cantar "As Long As You Love Me" dos Backstreet Boys. E fomos embora. Mas não antes da Michelle derrotar o campeão - até então - invicto de tênis de mesa.



Partimos então para o destino inicial, a tal balada Drai's. Pegamos a fila (um tanto pequena, pois era quarta) nos preparando mentalmente para gastar $20 de entrada, até que um tal de Nick chega na gente e diz que podiamos entrar de graça porque ele era promoter da festa. Tudo que precisavamos fazer era falar muito bem do club por aí. Pegamos o elevador com ele - a festa é na cobertura de um hotel - e uma amiga perguntou:




-Esse club é bom?

-Drai's? (Cara de incrédulo) Vocês conhecem a banda LMFAO?



Pausa para explicação: se você vai a clubs norte-americanos, já ouviu com certeza absoluta alguma música dessa banda. A "Shots" é dessas que toca em toda santa festa. Eles têm participação na música "Outta Your Mind" do Lil Jon e na "Gettin' Over You" do David Guetta.


-Conhecemos!

-Eles têm contrato com o club. Estão aqui todas as quartas.

-AAAAAHHHHHH!





E eles estavam mesmo lá. Até fizeram uma apresentação meio playback de duas músicas. No meio da balada, escutamos um cara pegar o microfone e dizer "Queriamos agradecer por terem colocado nossa música como hit número um no país" e começa a tocar "Like a G6" (outra obrigatória em playlist de festa americana). Momento para mais um berro coletivo. A banda Far East Movement (foto) também estava na Drai's. O club é daqueles bem de VIP, com piscina e mulheres de salto alto - e nós de sapatilhas. Retribuindo o favor do promoter Nick: se por acaso for para Los Angeles, vá à Drai's. É muito, muito boa. Pronto, propaganda feita.


Diferente de quase todas as festas nesse país, que acabam à 1h30, a da Drai's acabou às 2h30. Voltamos a pé na coragem. Antes, parei na rua pra tirar foto da cobertura do Hotel W do lado de fora. Um carro de polícia parou do nosso lado e os policiais, sérios, perguntaram se tinhamos permissão para tirar foto do prédio. Quiseram saber de onde eramos (mais um dólar). E quando eu já estava quase pegando meu ID para mostrar, achando que podia estar realmente encrencada, os guardas começaram a rir. Estavam tirando com a nossa cara descaradamente. Minha amiga ainda pergunta: "Se eu te comprar uma Donut, você me deixa tirar uma foto com você?".


Para finalizar a noite, vi - pela primeira vez nos EUA - uma barata. Uma não, três, na mesma rua.



PS: A novela em que a música "Live It Up" de Ali Pierre vai ser parte da trilha é a próxima Global "Insensato Coração".