sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um ano e dois meses

Pela primeira vez nesse tempo todo, eu gostaria de não "precisar" escrever aqui sobre mais um mês vivido. Tudo que rascunhar vai soar repetitivo. O pacote da Au Pair In America chegou e eu preciso fechar data e detalhes sobre meu voo de volta até meio de maio. Minha família americana também já recebeu as informações necessárias para começar o próximo processo de match. O meu coração está apertado e eu estou apreensiva por diversos motivos que já divaguei a exaustão neste blog. Portanto, evitarei-os neste post. Até quando conseguir...

Neste 14º mês consegui fazer algumas coisas diferentes que acabei perdendo ano passado. Por ser muito verde ainda na região, recém chegada, tentando me adaptar a mudança e rotina, deixei de participar de alguns programas. Este ano, consegui riscá-los da minha lista de coisas-a-serem-feitas-antes-de-voltar.


A primeira delas foi ir à Washington D.C. durante o Cherry Blossom Festival, que marca o início da primavera. Todas as árvores florescem e uma programação de shows, feiras, paradas toma as ruas da cidade por duas semanas. Qualquer lugar que vá, encontrará cherry blossoms brancas e rosas, de deixar qualquer foto maravilhosa. O National Mall, no entanto, é o ápice do evento. Estive em D.C. em todas as épocas do ano, mas esta é a mais bonita para se visitar a cidade (disputa acirrada com o outono, quando a cidade é tingida de vermelho e laranja).

O segundo item riscado foi o baile da Academia Naval de Annapolis, capital de Maryland - estado vizinho, que divide Washington D.C. com a Virginia. Uma festa com banda e DJ no ginásio da escola para os alunos e qualquer um que comprar os ingressos de $10. Este evento merece uma explicação a mais.


Os futuros oficiais da Academia são, na maioria esmagadora, meninos entre 18 e 22 dois anos de idade, presos a uma rotina rígida de aulas e treinamentos. O baile é um dos eventos realizados pela escola para que eles possam ter um pouco de diversão durante o ano. E é comum que todos os clusters de au pairs da região sejam convidados para a festa. Por quê? Um monte de meninas estrangeiras.


A minha certeza sobre a insistência na participação das au pairs foi confirmada quando uma amiga me enviou o e-mail que a counselor dela mandou para todas as meninas do cluster, intitulado "Naval Academy Ball tips". Dentre as dicas dela:

-Mantenha em mente que estes aspirantes da marinha não podem casar ou assumir filhos enquanto alunos da escola. Baseada nesse fato, tome decisões seguras.


-Os aspirantes da marinha estarão de uniforme. Quanto mais listas no ombro do uniforme, a mais tempo eles estão na escola. Um aluno com nenhuma lista terá, provavelmente, 18 ou 19 anos. Isso significa que não terá acesso a carro e é sujeito a regras rígidas para os finais de semana, o que o dificultará de visitá-la.


-Converse/socialize com alunos com mais listas na manga do uniforme. Eles são os veteranos da escola e têm carros MUITO legais - isso é símbolo de status pra eles.


-Os aspirantes da marinha são típicos meninos: levemente arrogantes e convencidos. Eles são assim porque acreditam ser o melhor que o exército americano tem a oferecer. Escute a tudo que eles têm a dizer, mas acredite na metade.


-Divirta-se, mas lembre-se de que garotos são garotos mesmo que pareçam DEMAIS em uniforme da marinha.


Quase desisti de ir de tão ridículas estas dicas são. Mas ignorando a parte fútil do evento e focando nas partes boas: Annapolis é uma cidadezinha histórica muito bonita dos EUA. A Academia Naval - a qual já havia feito uma breve visita em julho de 2010 - é um lugar grande e encantador. E o baile seria, com certeza, uma programação completamente diferente para o final de semana. Liguei o botão do foda-se, comprei um vestido novo na Forever XXI, e resolvi ir com mais três amigas.
(Detalhe: entramos de graça. Um blog publicou a informação errônea de que era possível comprar ingressos na entrada do evento, mesmo estando esgotados na venda online. O aspirante da porta teve "piedade" das quatro au pairs sem ingressos e nos deixou entrar sem pagar.)

Como a maioria dos alunos são menores de 21, bebidas alcóolicas não são permitidas na festa. E como eles têm uma rotina rígida de aulas, o baile termina à meia noite em ponto. Todos os aspirantes da marinha têm de estar (e manter-se, durante toda a noite) uniformizados. Foi quase uma volta aos bailinhos do ensino fundamental. Os meninos ficam confabulando em grupinhos, decidindo quais meninas pedirão pra dançar. E até agora a única festa black tie americana de qual fiz parte. Foi divertido mudar os ares e valeu a experiência, mas o baile não é grandes coisas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Return Flight Information‏

Praqueles que diziam cedo pra pensar na volta, a Au Pair in America acaba de prová-los errados. Recebi o e-mail "Return Flight Information": "Since it's almost time to select your flight home, you will soon receive information about your return flight in the mail. Please read all the information and request your Flight no later than the deadline listed".

Em pouco tempo, terei a data exata da volta ao Brasil. E agora não há extensão que adie.

Departure flight

Por coincidência, hoje, reencontrei a pasta de fotos que meu pai tirou pelo celular no aeroporto em São Paulo, no dia da minha viagem, em fevereiro de 2010. As últimas tiradas com minha família e a primeira tirada com as brasileiras tão queridas. Parece que foi há décadas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Minha vira-lata


Dia 4 de abril fez dois anos que eu adotei Amelie, a minha vira-lata. E eu comemoro a data, porque foi, além de um dos dias mais felizes da minha vida, uma das minhas maiores conquistas. Desde que me conheço por gente tentava convencer meu pai a me deixar adotar um cachorro, mas, com o agravante de morar em apartamento por mais da metade da minha vida, passei muito tempo perdendo a batalha. Tantas foram as tentativas frustradas que acabei aceitando, lá pelos 11 anos, a me contentar com hamsters. Tive nove em um intervalo de seis anos, aproximadamente, e os amei muito. No entanto, ter estes bichinhos como pet judia muito do coração. Vivem entre dois e três anos. Sempre me apegava a eles e depois os perdia.

Em 2008, mudamos para uma casa e eu voltei com todos os meus argumentos e insistência. Em uma tarde de abril de 2009, sem sinal de que eu estava prestes a conseguir, saindo do shopping com minha mãe, ela me diz: "Seu pai te deixou adotar uma cachorra". Foi, sem dúvida, uma das melhores surpresas da minha vida. Dirigimos até uma clínica veterinária de um conhecido da família (que, inclusive, era o "médico" dos meus hamsters) que sempre tem cachorros pra adoção.

Naquela mesma tarde, um filhotinho macho encontrado na rua tinha sido levado à clínica. Já havia sido vacinado e acabava de sair do banho. Eu o carreguei e ele tremia muito. O outro cachorro pra adoção era uma fêmea, já adulta, de porte pequeno, vira-lata. O veterinário a encontrou perdida atravessando uma pista no fim de dezembro e, desde então, ela vivia num cubículo da clínica, esperando alguém quere-la. O que me fez realmente decidir por ela foi a resposta à minha pergunta "Qual tem mais chance de ser adotado?": "Quase sempre, as pessoas querem filhotes". E foi aí que resolvi acabar com a espera de quatro meses da cachorrinha e levei pra casa a criatura que se tornou o amor da minha vida.

O nome veio do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", um dos meus preferidos. Amelie é a recompensa por todos os anos de espera. Nem precisou ser ensinada e só fazia as sujeiras no quintal. É calma, pouco late (a não ser que o cachorro vizinho, inimigo número um dela, lata na casa da frente), carinhosa e engraçada. Sinceridade, ela é feinha, uma mistura de várias raças, acredito. Orelhas enormes, focinho longo, pêlo descontrolado, costelas saltadas. Mas como boa dona, é, pra mim, a cachorra mais fofa do mundo.

Qualquer pessoa que tenha um cachorro sabe quanto o amor por essas criaturas cresce e toma conta do coração. Sabe o lugar e a importância que eles acabam tendo na vida e tornando-se membros da família. Entretanto, acredito que só quem adota consegue sentir a gratidão transparente e o apego dos adotados. É emocionante e uma das sensações mais gratificantes. De tal forma que até meu pai é, hoje, apaixonado pela Amelie. A ponto de, quase dois anos depois, resolver adotar uma segunda cachorra.


Lola (nomeada contra minha vontade) foi abandonada no bairro do serviço dele e tinha acabado de perder um filhote recém nascido atropelado. Chegou em casa assustada e demorou um pouco a se acostumar. Ela e Amelie já estão amigas e têm, hoje, o amor e atenção que todo cachorro merece ter. E eu que por tantos anos lutei por ter uma cachorra, tenho duas, sem nem ainda conhecer a segunda. Somos agora uma família de seis membros.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Disney 2011


E pra quem sonhava em conhecer a Disney, tê-la como destino de viagem duas vezes em menos de um ano não é pouca coisa. É resultado da minha fé no Segredo, diria minha mãe. Pode ser. Dessa vez, de "gaiato", meio a serviço, meio a passeio, com a família americana. Por este motivo, as acomodações foram um pouco melhores as da viagem anterior (bancada totalmente pelo meu bolso). Ficamos hospedados num dos Resorts do parque Animal Kingdom, a Kidani Village, dentro do complexo da Disney.

Passamos cinco dias e quatro noites, visitamos o Magic e Animal Kingdom. No primeiro, passeamos por quase seis horas, da manhã à tarde. Como o nosso ingresso permitia que voltassemos no mesmo dia a hora que quisessemos, resolvemos assistir a Main Street Electrical Parade às 23h, depois de um breve descanso. O Magic Kingdom ficaria aberto até às 3h para hóspedes de hotéis da Disney, o que resultou em brinquedos sem fila de espera. Saímos do parque às 2h, com os meninos capotados no vigésimo sono. Deu para ir a diversas atrações que não havia conseguido na primeira visita ao parque no verão de 2010.

O Magic Kingdom é um lugar encantador e um completo must-do em Orlando, Flórida. É o parque principal entre quatro dentro do complexo Disney (Animal Kingdom, Hollywood Studios e Epcot). Pode ser aproveitado por todas a idades, mas foi feito em todos os aspectos para agradar as crianças, portanto, não espere por atrações mais radicais. E é enorme, impossível de faze-lo em um só dia por completo. (Para os melhores brinquedos, visite os dois parques da Universal.)


Aproveitamos dois dos dias na piscina do hotel, nos 30°C da Flórida. O resort é lindo, e cerca uma área chamada de Savannah, onde vivem diversos animais, entre eles zebras, girafas e avestruzes. Era abrir as portas das sacadas e dar de cara com os bichos. Conheci nesta viagem a Downtown Disney, centro comercial do complexo, com diferentes restaurantes (dentre eles, o T-Rex, onde almoçamos), a loja - lo.ta.da - da Lego, Planet Hollywood, e o espetáculo La Nouba do Cirque du Soleil.

E é claro que para encerrar a viagem algum causo tinha de acontecer. No aeroporto em Orlando, comprando nossa janta, eu parei antes de entrar na fila do restaurante de fast food Chick-fil-a, esperando a mãe americana. Uma mulher, acompanhada da filha, parou atrás de mim, achando que eu já estivesse na fila. Virei e falei: "Pode passar, não estou na fila". E assim que a mulher me respondeu "Ah tá, obrigada" e passou, eu notei que estava falando com a Courtney Cox, a Monica do seriado Friends. Meus olhos arregalaram e eu comecei a tremer. A mãe americana que precisou pedir para tirar as fotos porque eu travei. Só consegui dizer o "Thank you so much" para agradecer pela foto. Eu simplesmente AMO Friends de paixão. Foi um fim digno de uma viagem à Disney.

terça-feira, 29 de março de 2011

My first entry-level English student


O menino mais velho que cuido tem cinco anos e como qualquer criança no Pré está em processo de alfabetização. Desde que começamos a praticar letras juntos, todas as manhãs, há alguns meses, ele progrediu absurdamente na leitura, e por consequência, na escrita.

A professora da escolinha manda na mochila, toda sexta-feira, dois livros que devem ser lidos em casa. Até então, os escolhidos por ela eram para principiantes, com muita repetição de sight words (palavras mais simples e comuns no vocabulário inglês que devem ser logo memorizadas), poucas mudanças nos finais das sentenças, e que podiam ser obviamente lidos apenas observando as figuras.

Adotei na nossa rotina, um momento para sentarmos no sofá, com um menino de cada lado, e lermos juntos os livros. O mais velho leria a primeira vez; e a segunda eu leria, fazendo perguntas e tentando incluir o pequeno, de três anos, na atividade.

Na última sexta-feira (26), no entanto, os livros na mochila vieram com um bilhetinho da professora (foto). O mais velho passou para o próximo nível de leitura e está preparado para novos desafios literários. E a au pair aqui quase morreu de orgulho.

terça-feira, 22 de março de 2011

Um ano e um mês


Depois de percorrer um looping completo no ano e começar a repetir os meses, o número 13 me trouxe sorte e uma experiência inédita nos EUA. O melhor ocorrido no meu 13° mês de intercâmbio - e uma das melhores desde que cheguei - foi, com a licença de Hannah Montana, misturar um pouco dos meus dois mundos. Recebi a visita relâmpago de duas primas na minha casa na Virginia. A visita foi quase uma prova de amor de prima: cinco horas dentro de um ônibus de Nova York a Washington DC na quinta e mais cinco horas na volta na sexta, sem nem completar um dia pelas bandas de cá.

Procurei aproveitar o pouco tempo que tínhamos para mostrá-las o máximo do lugar em que vivo. Apresentá-las à minha realidade e rotina desses treze meses. A casa, a família americana, os pequenos, a vizinhança, biblioteca, shopping, laguinho, Dunkin Donuts, cinema... Quase um tour mesmo. Passava de carro e apontava os lugares. Como eu previa, elas se apaixonaram pelos meninos que eu cuido. E quem não se apaixonaria?

Na sexta (12), viajei para NY com elas para encontrar meus tios/padrinhos. Como é bom rever parte da família, um pedacinho de casa. Fui recebida com um abraço enorme e apertado da minha tia, quase de mãe, como não recebia há mais de um ano. E pela primeira vez em NY, fiquei no aconchego e hospitalidade de um hotel de verdade. Bem diferente dos outros finais de semana, que tiveram mais cara de mochilão, esse teve sensação de viagem em família - mesmo eu estando de gaiato na viagem a serviço deles.

Conheci o bairro Soho, almoçamos e jantamos em diferentes restaurantes, e colocamos em dia o papo e as fofocas acumulados nesse ano que passamos distantes. Sábado a noite, assistimos ao musical da Broadway "Rain: A Tribute to the Beatles", que é maravilhoso.

E o domingo chegou rapidinho, pra que me forçasse a mais uma despedida. E o coração revoltou-se comigo: "Quanto mais você vai me forçar a aguentar?". Falta pouco, coração, e vai rever a todos sem precisar se despedir logo em seguida. No entanto, senti um gostinho do que será me despedir dos meninos. Sexta, ao me ver sair de mala com minhas primas brasileiras, o pequeno me abraçou e me pedia pra ficar. Acredito que imaginou que eu estava voltando para o Brasil com elas. E me partiu o coração. Nas cinco horas de ócio dentro do ônibus, na ida, inevitavelmente imaginei como vai ser ter de deixar esses pequenos e não ve-los mais todos os dias. Com certeza, a coisa mais triste que já fiz na vida... Foi no 13° mês que a ideia de voltar me causou um leve desespero. A sensação de "ainda não".


Mas, de volta a Virginia e a rotina de au pair... Para a minha felicidade, começou o Daylight Savings Time (o nosso horário de verão) e a PRIMAVERA. As árvores já estão carregando de flores e o tempo esquentando. Já era tempo!

terça-feira, 8 de março de 2011

Biscoito ou bolacha?

Uma situação que aconteceu comigo há uns dois meses que ilustra bem as diferenças sutis que eu tanto adoro entre os estados brasileiros em cultura, vocabulário e sotaque.

Brasileira 1: Vocês estavam na balada?
Brasileiro 1: Estávamos!
Brasileira 2: Nossa, nem vimos vocês.
Brasileiro 1: De que parte do Brasil vocês são?
Brasileiro 2: É claro que elas são paulistas! Elas falam "balada"!
Brasileira 2: Por quê? O que vocês falam?
Brasileiro 1: Noitada!
Brasileira 2: Ah, cariocas! Mas o seu sotaque nem é tão carregado. Fala "mesmo"!
Brasileiro 2: MeSSSmo.
Brasileira 2: Haha! Aí sim.
Brasileira 1: Vocês falam biscoito ou bolacha?
Brasileiros 1 e 2: Bolacha? HAHAHAHA!
Brasileiro 1: Biscoito, lógico.

sábado, 5 de março de 2011

Let it snow


Agora que dei uma volta completa no ano e nas estações, e estou revendo o clima dos Estados Unidos da mesma forma de que cheguei aqui, não me espanta que tenha ficado um tanto deprê nas primeiras semanas. O frio já bastaria. Eu odeio frio. Mas o visual de fevereiro é melancólico, cinzento, nebuloso. Nos dias que antecedem a neve, chega a ser até um tanto sombrio. O céu fica inteiro branco gelo, sem nuvem nenhuma.

O inverno de verdade pode ser bem incômodo. A bolsa ganha um peso a mais porque passa a ser obrigada a carregar luvas, toca, cachecol (e sendo au pair, deve multiplicar isso pelo número de crianças que cuida), e perde alguns minutos a mais no dia colocando todos esses acessórios (em você e nas crianças) toda vez que vai sair de casa.

As casas e todos os lugares fechados têm aquecedores. Os carros também, inclusive aquecedores de assento. O problema é o caminho lugar/carro/lugar. Precisei, uma noite, ficar mais de 15 minutos numa temperatura de -10°C e é extremamente doloroso. Em certo ponto, o corpo, amortecido, já não sente mais nada. Ou não se sente mais o corpo. E em todas as vezes que eu precisei fazer esse caminho, me passava a mesma coisa na cabeça: "Como é que alguém consegue se acostumar a viver em qualquer país do mundo que tenha um inverno como esse?".

No começo do ano passado, só vi a neve suja. A que resta da última tempestade (e foram muitas de 2009 pra 2010, alguns dias antes de me mudar) e demora pra derreter nos poucos dias de sol. Em dezembro, no entanto, eu vi a única de todas as razões possíveis pra se acostumar com o inverno de verdade: a neve. Aquela branquinha que cai em flocos que parecem purpurina no sol. Foi a coisa mais linda que eu já vi na vida. E foi na quantidade perfeita, uma ou outra, de leve. Uma só tempestade. O suficiente pra ver, tocar, provar, brincar de guerra, fazer anjo, boneco, forte, cavar a garagem e a calçada. Mas sem ficar presa em casa ou sem poder dirigir, sem acidentes.

A menos de 20 dias da primavera, não verei mais neve esse ano. Mas o frio já vai tarde.

terça-feira, 1 de março de 2011

Conversa nonsense que au pair é obrigada a ouvir

Sentados na mesa do almoço.

Pequeno: I can carry a car.
Grande: I can carry a truck.
Pequeno: I can carry a whole house.
Grande: I can beat you.
Pequeno: I can break you.
Brenda: Baby, I can break you down. There's so many ways to love ya... (*singing*)
Grande: I can carry a planet.
Pequeno: I can carry a whole house.
Brenda: Sorry, honey. But a planet is bigger than a whole house.
Grande: I can carry the whole outer space!
Pequeno:...
Brenda: Yeah... I don't think you can find something bigger than that...

E voltamos a comer.

Pronunciation and Converse

No último sábado (26), assisti à uma aula de Teaching Pronunciation como parte dos créditos que preciso para meu semestre extra no programa de Au Pair. O curso de sete horas (das 9h às 16h) na Northern Virginia Community College, a Nova, foi mais interessante do que imaginava. No entanto, foi quase um balde de água fria no meu inglês falado: há muito em pronúncia que ainda precisa ser aperfeiçoado. Detalhinhos que só são percebidos na prática, lendo em voz alta e sendo corrigida.

Aprendi que pronuncio quase todos os verbos regulares no passado de forma errada. Alguns soam com apenas um /t/ mudo, uns com /d/, e apenas alguns poucos devem ser ditos com o /ed/ de forma clara, como eu costumava usar em todos.

A professora, uma senhora beirando os 60, insistia em dizer que brasileros quando falam em inglês "comem" o fim das palavras. Como era uma aula pra aprender a ensinar pronunciação, ela estranhou quando nos viu (eu e mais duas amigas, de longe as mais novas entre os alunos) entrar na sala. "Vocês não parecem que são professoras, então eu acredito que sejam au pairs, estou certa? Vocês estão cientes que essa é uma aula para aprender a ensinar ESL (English as a Second Language) e não para aprender a falar em inglês, né?" Sim, querida, nós sabemos.

No próximo sábado tem mais sete horas de aulas, mas com tema diferente: Strategies for Teaching Entry-Level Students.

Sonho consumista de colecionadora


No domingo (27), colocamos em prática um dos nossos planos mais esperados (lê-se quando todas tivessem dinheiro sobrando pra gastar): ida ao outlet da Converse.

Um fato importante para a compreensão do que isso significa. Nunca liguei para marcas e nunca gastaria o preço absurdo que se paga em tênis de Nike, Adidas ou whatever. Mas eu tenho a-do-ra-ção por All Star. Gosto tanto que, aos poucos, desde 2002 (ano do meu par de All Star mais velho), criei minha própria coleção, que no último final de semana aumentou em dois números. Sem brincadeira, eu perdi a conta. Mas acredito que já passa de 20 pares.

Convenhamos, nenhuma coleção é sensata. Um ajuntamento desnecessário de diferentes modelos de objetos nem sempre úteis pra alguma coisa. Colecionar pares da Converse, no entanto, é bem mais interessante que manter [insira qualquer coisa comum colecionável] numa caixa ou prateleira. E não importa o que me digam, nunca é demais.

Aí, junte minha adoração pela marca e uma sale no outlet, de dois pares por $40, e tenha como resultado algo semelhante a uma criança de olhos brilhando dentro de uma loja de brinquedos. Saí com o anseio consumista saciado momentaneamente, com planos de dar mais umas passadinhas na wonderland antes de voltar pro Brasil.