Mala pronta. Claro, naquelas... Vou acabar achando espaço pra mais algumas coisinhas (talvez até desnecessárias). Já entende-se que não sou nem um pouco boa em fazer malas, mesmo quando se trata de uma viagem de uma semaninha.
Quão clichê é ter uma péssima semana antes das férias? O mais velho esqueceu a mochila no meu carro e foi pra escola sem lanche. O pai americano resolveu ficar preso no trabalho justo no dia em que eu tenho aula. Tive de trabalhar extra uns dois dias. Os meninos resolveram brigar mais do que o normal. E a paciência escorrendo ligeira pelo ralo... É tão comum sentir-se esgotada antes da folga. Faz a viagem até parecer necessidade e não opção.
Mas aí, na manhã da véspera, recebo uma mensagem no celular: "Forgot to tell you, there is something cool for you at the freezer". Abro o congelador e encontro um envelope com meu nome escrito. Dentro, um cartão de agradecimento ("Muito obrigada por cuidar tão bem dos nossos meninos. Tenha uma ótima viagem!") e o pagamento pelas horas extras - dinheirinho muito bem vindo na véspera das férias. Diga o que quiser, mas eu funciono melhor quando meu trabalho é reconhecido.
Em seguida, pergunto em voz alta "Quem vai estar na Califórnia amanhã!?" e os meninos apontam pra mim. "Quem vai sentir falta da Brenda"? Os dois apontam pra eles mesmos. Ganho ainda abraços e beijos extras de cada, pra valer por uma semana inteira ausente em casa.
São esses detalhinhos que fazem a volta a rotina não ser tão dolorosa no fim das férias.
A viagem
Sem planos concretos, pra variar. Temos hotéis e carro reservados e é isso. No entanto, estamos programando essa viagem há meses que deu pano pra umas cinco mangas. No geral, seremos seis brasileiras fazendo uma das obrigações de au pair nos EUA: conhecer Los Angeles e Las Vegas. Dirigir no deserto. E como serei eu que alugarei o carro, confesso que, por enquanto, estou mais preocupada com os detalhes de seguro, GPS, e as cinco horas no volante que ainda não aproveitei a sensação de véspera de viagem por inteiro.
É claro que vamos revezar a direção; não ter um itinerário não limita nossas opções e faz da viagem mais espontênea; e tudo se resolve no final. Mas não seria eu mesma sem me preocupar por antecedência. A gente aprende a viver com nossos defeitos imutáveis...
Halloween
Perderei o "Trick or Treats" dos meninos aqui pela vizinhança, mas já tive oportunidade de ve-los usando as fantasias de Jango Fett e Darth Vader. As meninas e eu estaremos em Las Vegas no dia 31 de Outubro. Acredito ser um lugar interessante para se passar o Halloween e é a parte da viagem que mais tem me deixado ansiosa.
Fantasia já está na mala, junto às blusas, saltos altos, câmera e o resto das coisinhas que consegui decidir levar comigo. Que o que ficar não faça falta.
Até comecinho de novembro!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Oito meses
.jpg)
Comemorei o oitavo mês aqui na maior festa de tinta do mundo, Day Glow Party, no club Ibiza em DC. Quatro ambientes diferentes, DJ's diferentes (inclusive o DJ Manifesto, do qual viramos fãs depois do sábado, dia 16), e tinta "voando" pra todos os lados. Todo o aperto e desorganização que não passei nos shows nos EUA, passei ontem. Digno de fim de show no Brasil.
A festa era under 21, o que significa que era permitida entrada de jovens acima de 18 anos. Americanos adolescentes são loucos. As meninas são drama queens. É duro generalizar, mas é o que se vê.Foi bem divertido, mesmo com todos os poréns. Parece que todos estão uniformizados, vestidos de branco. No fim da festa, não há uma única roupa não tingida de laranja, verde, pink e amarelo neon.
Flight back home
Eu não tinha intenção de escrever sobre isso hoje (22). Até porque, eu prometo a mim mesma evitar ao máximo os mimimi's ou posts emocionados. Mas foi impossível depois de receber, exatamente no meu eight-months-anniversary day, a carta do Au Pair in America com as informações para marcar meu voo de volta para o Brasil, caso eu decisa não estender o programa.
Agora não tem mais escapatória. Os meses passaram num piscar de olhos, e depois de fugir da decisão de ficar mais ou não, com a desculpa de que "ainda falta muito", eu vou ter de dar uma resposta. Tenho um mês para acertar todos os papéis, seja qual for minha decisão.
São nos aniversários da minha estadia aqui que eu caio na real o tanto que eu estou longe de família e amigos. É meio surreal. Graças às facilidades da internet e à possibilidade de ve-los pela webcam, a falta deles é um pouco enganada, o suficiente para não sofrer de saudades o tempo todo. Mas quando paro pra pensar que já estou aqui há oito meses, a distância e saudade cai que nem pedra na cabeça.
Mas pensar em ir embora, surpreendentemente, causa resultado bem semelhante agora. Deixar essas crianças não vai ser fácil.
Deixar a vida aqui não vai ser fácil.
PS: comecei a escrever esse post no dia 22, quando completei oito meses aqui nos EUA. Hoje, dia 25, completo oito meses na casa da família americana.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Weekend course

Uma das opções para as au pairs da região que precisam preencher os créditos exigidos pelo programa é um curso de final de semana na faculdade Sojourner-Douglass, em Baltimore (MD). Os temas são poucos e aleatórios.
Três motivos podem levá-lo a optar por ele: o assunto do curso realmente lhe interessa (o menos possível de todos); estudar nos EUA não é importante e você só está preocupado em preencher os créditos; ou - a minha opção - você escolheu um curso que lhe interessa, mas o maledetto não conta créditos, e então é forçado a consegui-los da maneira mais rápida.
Doeu o coração gastar minha bolsa paga pela família americana em dois desses cursos de finais de semana. O primeiro deles foi no primeiro de outubro, nos dias 9 e 10. Eu e minha amiga Cecília rumamos para Baltimore - pouco mais de uma hora de minha casa, de carro - na manhãzinha de sábado para fazer o check-in no hotel (incluso no preço do curso) e entrar a tempo na primeira aula, às 9 am.
É claro que tento tirar proveito de todas as coisas que decido fazer e não foi diferente dessa vez. Absorvi tudo o que pude das aulas, mas, infelizmente, não eram "grandes coisas". O tema Hospitality and Tourism pode ser bem interessante quando bem aproveitado. No entanto, a intenção clara dos professores era fazer com que as aulas - todas de duas horas de duração - passassem rápidas e indolores, sem muito esforço e conteúdo.
Um agravante: se deixar para selecionar suas aulas nos últimos dias (é você quem monta a programação), pode acabar tendo de frequentar temas bem desnecessários como "Money 101" (aprenda como usar as moedas e escrever cheques norte-americanos) e "Children's Literature".
Três motivos podem levá-lo a optar por ele: o assunto do curso realmente lhe interessa (o menos possível de todos); estudar nos EUA não é importante e você só está preocupado em preencher os créditos; ou - a minha opção - você escolheu um curso que lhe interessa, mas o maledetto não conta créditos, e então é forçado a consegui-los da maneira mais rápida.
Doeu o coração gastar minha bolsa paga pela família americana em dois desses cursos de finais de semana. O primeiro deles foi no primeiro de outubro, nos dias 9 e 10. Eu e minha amiga Cecília rumamos para Baltimore - pouco mais de uma hora de minha casa, de carro - na manhãzinha de sábado para fazer o check-in no hotel (incluso no preço do curso) e entrar a tempo na primeira aula, às 9 am.
É claro que tento tirar proveito de todas as coisas que decido fazer e não foi diferente dessa vez. Absorvi tudo o que pude das aulas, mas, infelizmente, não eram "grandes coisas". O tema Hospitality and Tourism pode ser bem interessante quando bem aproveitado. No entanto, a intenção clara dos professores era fazer com que as aulas - todas de duas horas de duração - passassem rápidas e indolores, sem muito esforço e conteúdo.
Um agravante: se deixar para selecionar suas aulas nos últimos dias (é você quem monta a programação), pode acabar tendo de frequentar temas bem desnecessários como "Money 101" (aprenda como usar as moedas e escrever cheques norte-americanos) e "Children's Literature".
Foi quase como uma segunda integração (das que toda au pair tem de fazer em NY). Um monte de au pairs do mundo todo tendo aulas juntas, com a diferença de ter pouquíssimas brasileiras - rara ocasião, me senti única. Foi até divertido, com direito a jogar Uno no bar do hotel com alemãs, francesa, brasileiras e um male au pair brasileiro.
Pra variar, melhor parte do fim de semana foi voltar dirigindo pra casa ao entardecer do domingo. A ponto de até gostar de ficar presa no trânsito na região de Bethesda pra ter tempo de observar o céu avermelhado. No começo de dezembro, estaremos lá de novo para o segundo e último final de semana do curso. Com roupas de inverno na mala.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Pride and Prejudice
Perdão Jane Austen, mas o título vem bem a calhar com o que está entalado na minha garganta. Na verdade, é um acúmulo de atitudes e desdém de alguns norte-americanos difícil de engolir. Eu posso apostar minha coleção de all star de que todas as au pairs vindas de um país do terceiro mundo já passaram ao menos uma vezinha por situações semelhantes de preconceito ou simplesmente ignorância. De insultar o orgulho e a inteligência. Portanto, I'm very sorry, but this post has to be in english so the people who need to read it can understand.
We are not in the USA for the money. Making a budget can be one of the reasons some of us came to be an au pair, but in just rare exceptions that's the main porpose. Being Brazilians doesn't mean we're poor.
You don't need to talk to me slowly or like I have some kind of problem. I can speak your language (unlike most of you, that doesn't even know portuguese is Brazil's oficial language). Speaking in english about me beside me, thinking that I can't get what your saying, is foolishness. And don't be afraid to get close, have a conversation with me as normal, civilized people. I don't have any contagious disease just for being a foreigner.
I've been asked if we have bears in Brazil, if we celebrate Christmas, people were surprised 'cause I knew who were the Power Rangers. You may not recognise it, but not knowing anything about other countries is ignorance. Lack of respect for the rest of the world.
And just to make things straight, I'm not talking about my host family or about their relatives. They're being really nice to me since I got here and I'll always be grateful for that.
Pronto, tendo tudo isso vomitado, prometo não escrever outro post revoltado tão cedo.
PS: I don't like to stereotype. Not all the americans act like that, of course.
We are not in the USA for the money. Making a budget can be one of the reasons some of us came to be an au pair, but in just rare exceptions that's the main porpose. Being Brazilians doesn't mean we're poor.
You don't need to talk to me slowly or like I have some kind of problem. I can speak your language (unlike most of you, that doesn't even know portuguese is Brazil's oficial language). Speaking in english about me beside me, thinking that I can't get what your saying, is foolishness. And don't be afraid to get close, have a conversation with me as normal, civilized people. I don't have any contagious disease just for being a foreigner.
I've been asked if we have bears in Brazil, if we celebrate Christmas, people were surprised 'cause I knew who were the Power Rangers. You may not recognise it, but not knowing anything about other countries is ignorance. Lack of respect for the rest of the world.
And just to make things straight, I'm not talking about my host family or about their relatives. They're being really nice to me since I got here and I'll always be grateful for that.
Pronto, tendo tudo isso vomitado, prometo não escrever outro post revoltado tão cedo.
PS: I don't like to stereotype. Not all the americans act like that, of course.
domingo, 3 de outubro de 2010
C'est la vie
As vezes o destino dá um sopro de sorte na rotina, e você vai parar num resort digno de cinema em Palm Beach, Flórida, sem gastar um tostão. Estava a trabalho, é verdade. Mas quem se importa em trabalhar de cara para o mar, depois de passar uma manhã tostando no sol e calor pegajoso do sul americano?
É daquelas situações que sempre quis estar mas nem pensava em sonhar por ser um tanto fora do alcance (ou orçamento). Deixar acontecer nem sempre é tão ruim ou conformista. Aos poucos vou aprendendo a não sofrer por antecendência.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Tecla SAP
Essa é para mim a magia das línguas...
Estávamos em onze pessoas, e na sala ao lado uma mulher falava alto. A voz era clara mesmo separados pela parede. Todos escutávamos a mesma coisa, no entanto, eu era a única que conseguia compreender o que a voz dizia. Meu cérebro era o único a dar significado às palavras, a decodificá-las.
A mulher falava em português. Eu era a única brasileira na sala.
Todos nós temos o mesmo vocabulário em nossas línguas. Palavras. Significados. Verbos, substantivos, adjetivos, advérbios. Objetos, cores, dias da semana, meses. É no modo que movemos os lábios, movemos a língua, puxamos o som da garganta... Pronunciamos. E pronto! O resultado pode ser absolutamente irreconhecível.
É quase como se o ouvido fosse treinado. Num dia, o que você ouve é só uma sequência de sons desconhecidos. E depois de estudar, o ouvido converte o barulho em linguagem. É apertar a tecla SAP na mente.
Uma das metas na minha vida - porque isso exige tempo e esforço absurdos - é conseguir treinar meu ouvido em pelo menos três línguas diferentes. Viajar pelo mundo, entender e ser entendida.
Estávamos em onze pessoas, e na sala ao lado uma mulher falava alto. A voz era clara mesmo separados pela parede. Todos escutávamos a mesma coisa, no entanto, eu era a única que conseguia compreender o que a voz dizia. Meu cérebro era o único a dar significado às palavras, a decodificá-las.
A mulher falava em português. Eu era a única brasileira na sala.
Todos nós temos o mesmo vocabulário em nossas línguas. Palavras. Significados. Verbos, substantivos, adjetivos, advérbios. Objetos, cores, dias da semana, meses. É no modo que movemos os lábios, movemos a língua, puxamos o som da garganta... Pronunciamos. E pronto! O resultado pode ser absolutamente irreconhecível.
É quase como se o ouvido fosse treinado. Num dia, o que você ouve é só uma sequência de sons desconhecidos. E depois de estudar, o ouvido converte o barulho em linguagem. É apertar a tecla SAP na mente.
Uma das metas na minha vida - porque isso exige tempo e esforço absurdos - é conseguir treinar meu ouvido em pelo menos três línguas diferentes. Viajar pelo mundo, entender e ser entendida.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Além da capa

Eu e todas as amigas brasileiras que tenho aqui temos poucas semelhanças. Somos e fazemos partes de diferentes grupos sociais. Diferimos em gostos, culturas, costumes, gírias, personalidades, humor e, principalmente, Estados. Só nos conhecemos porque - por várias razões - compartilhamos o mesmo desejo de morar fora.
O destino fez com que nos conhecessemos em outro país, porque de maneira nenhuma nossos caminhos se encontrariam no Brasil. E mesmo que, por uma ventura do acaso, nos esbarrassemos por lá, não passaríamos das primeiras impressões, tão acostumadas estamos em julgar o livro pela capa. Buscamos semelhanças nas possíveis novas amigas, e dificilmente fugimos do conhecido, do seguro.
Estando em outro país, no entanto, as opções são limitadas e somos forçadas a superar as primeiras impressões. Não estou dizendo que sou obrigada a tolerar as amizades que conquistei aqui, ou que elas são obrigadas a me aturar. Pelo contrário, não só aprendemos a aceitar as nossas diferenças, como passamos a achá-las fatores de unicidade. São elas que tornam as meninas que conheci aqui tão especiais.
E esse é um dos meus principais aprendizados adquiridos na experiência de ser au pair.
O destino fez com que nos conhecessemos em outro país, porque de maneira nenhuma nossos caminhos se encontrariam no Brasil. E mesmo que, por uma ventura do acaso, nos esbarrassemos por lá, não passaríamos das primeiras impressões, tão acostumadas estamos em julgar o livro pela capa. Buscamos semelhanças nas possíveis novas amigas, e dificilmente fugimos do conhecido, do seguro.
Estando em outro país, no entanto, as opções são limitadas e somos forçadas a superar as primeiras impressões. Não estou dizendo que sou obrigada a tolerar as amizades que conquistei aqui, ou que elas são obrigadas a me aturar. Pelo contrário, não só aprendemos a aceitar as nossas diferenças, como passamos a achá-las fatores de unicidade. São elas que tornam as meninas que conheci aqui tão especiais.
E esse é um dos meus principais aprendizados adquiridos na experiência de ser au pair.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Sete meses
Completo hoje sete meses nos EUA. E o menino mais velho que eu cuido completa hoje cinco anos de vida. É emocionante o quanto se presencia no crescimento de uma criança em poucos meses. Ele sabe escrever agora e me enche de orgulho. Foram horas copiosamente, tarde após tarde, praticando letras juntos na mesa da cozinha. Eu estava lá, no ponto de ônibus, esperando com ele no primeiro dia do prézinho. Ele entrou, foi e voltou sozinho que nem gente grande.
O mais novo tem três anos. Idadezinha complicada. Cheia de "conquistas", no entanto. Eu o vi aprender a nadar, a usar a privada (e, graças ao bom Pai, não precisar mais de fraldas), a escrever o próprio nome (esse por mérito exclusivamente meu), ir ao primeiro dia de aula na vida dele.
Já vi o gosto dessas crianças mudar a cada mês, em relação a brincadeira, comida, medo, filmes, amigos... E até o fim da minha estadia, vou presenciar mais umas centenas de mudanças. E apesar de soar exagero, as vezes, eu sinto amor de mãe (ou talvez de irmã mais velha) por esses meninos. São nove horas diárias de convívio como au pair - e o resto das horas como membro da família. E querendo ou não, pra se realizar um bom trabalho é necessário se passar por mãe e cuidar deles como filhos. Com o carinho e broncas e proteção e castigos e incentivos. Tudo no seu devido momento. E, sem falsa modéstia, I am a hell of a good au pair!
A maioria de meninas au pairs que conheço diz que, depois dessa experiência, começaram a pensar seriamente se querem ou não ter filhos. Eu tenho certeza que sim.
Estudos
Finalmente, comecei a estudar. Nunca pensei que os estudos seriam um dos meus maiores problemas aqui, mas, aparentemente, ter o inglês bom limita as opções. Entende-se como quase fato que au pair vem para os EUA com o objetivo de aprender inglês, e não aperfeiçoá-lo. De qualquer forma, minha intenção inicial era, sim, estudar inglês. Quando cheguei aqui, no entanto, tanto meus pais americanos quanto a minha counselor me disseram que seria perda de tempo. As aulas de "inglês como segunda língua" que praticamente toda au pair da região frequenta, infelizmente (e isso é unanimidade), não são boas.
Foi uma batalha para conciliar preço, horário, créditos (aqueles que toda au pair tem obrigação de estudar durante o ano e não é qualquer escola/curso que conta) e, a parte mais difícil, algo que me interessasse. Não há muitos cursos em comunicação na região, e as universidades que os têm são absurdamente caras. Para agravar, a counselor, que supostamente está aqui para nos dar auxílio, não foi de muita ajuda. No final das contas, decidi satisfazer um dos meus interesses particulares/profissionais e comecei hoje um curso de intérprete, Spoken Language Interpreter. As aulas, entretanto, não valerão créditos, o que significa que eu ainda preciso preenche-los de alguma forma que eu ainda estou trabalhando para resolver.
Mudaram as estações
De qualquer forma, tive um verão incrível - que infelizmente acabou ontem. Agora é começar a se preparar para o frio.
O mais novo tem três anos. Idadezinha complicada. Cheia de "conquistas", no entanto. Eu o vi aprender a nadar, a usar a privada (e, graças ao bom Pai, não precisar mais de fraldas), a escrever o próprio nome (esse por mérito exclusivamente meu), ir ao primeiro dia de aula na vida dele.
Já vi o gosto dessas crianças mudar a cada mês, em relação a brincadeira, comida, medo, filmes, amigos... E até o fim da minha estadia, vou presenciar mais umas centenas de mudanças. E apesar de soar exagero, as vezes, eu sinto amor de mãe (ou talvez de irmã mais velha) por esses meninos. São nove horas diárias de convívio como au pair - e o resto das horas como membro da família. E querendo ou não, pra se realizar um bom trabalho é necessário se passar por mãe e cuidar deles como filhos. Com o carinho e broncas e proteção e castigos e incentivos. Tudo no seu devido momento. E, sem falsa modéstia, I am a hell of a good au pair!
A maioria de meninas au pairs que conheço diz que, depois dessa experiência, começaram a pensar seriamente se querem ou não ter filhos. Eu tenho certeza que sim.
Estudos
Finalmente, comecei a estudar. Nunca pensei que os estudos seriam um dos meus maiores problemas aqui, mas, aparentemente, ter o inglês bom limita as opções. Entende-se como quase fato que au pair vem para os EUA com o objetivo de aprender inglês, e não aperfeiçoá-lo. De qualquer forma, minha intenção inicial era, sim, estudar inglês. Quando cheguei aqui, no entanto, tanto meus pais americanos quanto a minha counselor me disseram que seria perda de tempo. As aulas de "inglês como segunda língua" que praticamente toda au pair da região frequenta, infelizmente (e isso é unanimidade), não são boas.
Foi uma batalha para conciliar preço, horário, créditos (aqueles que toda au pair tem obrigação de estudar durante o ano e não é qualquer escola/curso que conta) e, a parte mais difícil, algo que me interessasse. Não há muitos cursos em comunicação na região, e as universidades que os têm são absurdamente caras. Para agravar, a counselor, que supostamente está aqui para nos dar auxílio, não foi de muita ajuda. No final das contas, decidi satisfazer um dos meus interesses particulares/profissionais e comecei hoje um curso de intérprete, Spoken Language Interpreter. As aulas, entretanto, não valerão créditos, o que significa que eu ainda preciso preenche-los de alguma forma que eu ainda estou trabalhando para resolver.
Mudaram as estações
De qualquer forma, tive um verão incrível - que infelizmente acabou ontem. Agora é começar a se preparar para o frio.
domingo, 12 de setembro de 2010
Gaga Uh Lala
Vi a Lady Gaga pela primeira vez no dia 13 de julho de 2008, apresentando ao vivo a música "Just Dance" no concurso Miss Universo. Lembro-me de pensar "Que doida é essa?" com aquela calça colada, blusa amarela berrante com ombreiras. Toda plastificada. Mas também me lembro de A-DO-RAR a música (até hoje a minha preferida dela). Pouquíssimo tempo depois, assistindo no youtube, ao, na época, lançamento das Pussycat Dolls "I Hate This Part", achei sem querer o vídeo da cantora que estava abrindo os shows da turnê delas: "Just Dance", da Lady gaga. Levei alguns minutos pra me lembrar de onde conhecia aquela música.
A partir daquele momento, viciei. Procurei vídeos com outras músicas e letras dela. No mesmo dia, ouvi "Love Game", "Poker Face", "Paparazzi" e "Beautiful Dirty Rich". Gostei de todas. Consequentemente, baixei o álbum "The Fame". Em uma semana o sabia todo de cor e salteado. Assisti a todos os episódeos do canal dela no youtube, enquanto ainda tentava se divulgar e ganhar espaço na mídia, fazendo showzinhos em clubs. Posso dizer que sou fã da Gaga antes da fama monstro.
Ela significou a quebra de um dos meus preconceitos: mulheres na música (um tanto contraditório de minha parte, pra quem tocou bateria por quatro anos). Depois dela, passei a ouvir PCD e Paramore - sem o pensamento machista de que mulher em bandas é tudo poser.
Eu sei que muito do que se atribui à Gaga se atribui a outros grandes nomes da música - como à Madonna. A receita não é inédita. No entanto, ela se encaixa no que pode se classificar na categoria "artista". O pacote completo. Ela é cantora, escreve as próprias músicas, é estilista das próprias roupas... As letras das músicas delas são tão pessoais e transparentes que chega a ser constrangedor, invasivo ouvi-las. Confissões descaradas sobre a obsessão pela fama, dinheiro e sexualidade. Até mesmo nas letras mais bobas como a de "Boys Boys Boys", acerta na medida perfeita na futilidade.
Lady Gaga é um dos melhores exemplos da força d'O Segredo: quando se acredita em algo com todo o coração, um dia, vai se realizar. Ela simplesmente queria ser star. É prova também de que quem tem talento, não desiste dos sonhos, acredita no próprio potencial e sabe se promover vai acabar sendo famoso. Um monte de clichê, eu sei. Mas é assim que eu a enxergo.
Essa visão só se for
tificou depois de assistir ao show, em Charlottesville, VA. Além de ser uma mega produção, diferente de qualquer um que eu já tenha assistido (só não perde pra U2, é claro), a Gaga é uma front woman fantástica. É emocionante ve-la onde está hoje. Nasceu para estar em um palco. Ela pergunta durante o show para a platéia: "Do you think I'm sexy?" e emenda dizendo que nem sempre ela foi popular, que sofria bullying na escola. É sincero a emoção dela de ter conseguido atingir a posição em que está e ver a ovação dos fãs. E os fãs são um show a parte, fantasiados de Lady Gaga.
Uma das músicas do repertório é uma inédita do CD que está pra ser lançado, "You and I". Depois de ouvi-la ao vivo, eu só tenho a dizer que estou na espera ansiosa pela próxima bizarrice de Lady Gaga, por que ela é capaz de muito mais e "she's not going anywhere".
domingo, 5 de setembro de 2010
Dame mas gasolina!
.jpg)
Frentista é uma profissão inexistente nos EUA. Você coloca gasolina no seu próprio carro. É só passar o cartão de crédito, esperar a bomba ser liberada e começar a abastecer. E pronto, tanque cheio. Se tiver de pagar com dinheiro é só pedir para o atendente da loja de conveniência liberar a bomba pra você. Parece super simples - e é -, mas desastrada que sou, precisei de ajuda nas duas primeiras vezes que abasteci meu carro.
E como vai dinheiro em gasolina... O preço do combustível regular varia entre $2,44 e $2,80. E foi em busca desse valor mais baixo que eu e uma amiga, Vivi, paramos num posto na cidade vizinha hoje. Saí do carro, passei meu cartão e de repente me assustei com um barulho alto. O homem abastacendo ao lado esqueceu de retirar a bomba do carro e arrebentou a máquina. Ia levando a bomba com ele.
Eu falei alto, em português, para Vivi o que tinha acontecido e rimos. No intervalo do homem entrar na loja de convenência e voltar com um funcionário para ajudá-lo, eu paguei pela risada. Quando acabei de abastecer, tirei a bomba do carro, mas o gatilho enroscou e o combustível continuou a sair. Tomei um banho de gasolina e não conseguia desenroscar o negócio. Gritei pra Vivi me ajudar e na hora do desespero, saiu "socorro" ao invés de "help". Até que uma alma bondosa, um senhor que tinha acabado de estacionar, veio me ajudar e fez a gasolina parar de vazar - esguichar seria a palavra mais correta. E a pior parte é que paguei pelo combustível desperdiçado.
Quando o homem voltou com o funcionário do posto, o chão estava lavado de gasolina e foi a vez dele de rir. E aposto que pensamos a mesma coisa: "Ainda bem que outro atrapalhado me ajudou a não passar tanto ridículo".
Só rindo...
PS: A foto é uma típica de au pair, nas primeiras vezes abastecendo o próprio carro.
Marcadores:
abastecer,
combustivel,
gasolina
Assinar:
Postagens (Atom)
