terça-feira, 22 de março de 2011

Um ano e um mês


Depois de percorrer um looping completo no ano e começar a repetir os meses, o número 13 me trouxe sorte e uma experiência inédita nos EUA. O melhor ocorrido no meu 13° mês de intercâmbio - e uma das melhores desde que cheguei - foi, com a licença de Hannah Montana, misturar um pouco dos meus dois mundos. Recebi a visita relâmpago de duas primas na minha casa na Virginia. A visita foi quase uma prova de amor de prima: cinco horas dentro de um ônibus de Nova York a Washington DC na quinta e mais cinco horas na volta na sexta, sem nem completar um dia pelas bandas de cá.

Procurei aproveitar o pouco tempo que tínhamos para mostrá-las o máximo do lugar em que vivo. Apresentá-las à minha realidade e rotina desses treze meses. A casa, a família americana, os pequenos, a vizinhança, biblioteca, shopping, laguinho, Dunkin Donuts, cinema... Quase um tour mesmo. Passava de carro e apontava os lugares. Como eu previa, elas se apaixonaram pelos meninos que eu cuido. E quem não se apaixonaria?

Na sexta (12), viajei para NY com elas para encontrar meus tios/padrinhos. Como é bom rever parte da família, um pedacinho de casa. Fui recebida com um abraço enorme e apertado da minha tia, quase de mãe, como não recebia há mais de um ano. E pela primeira vez em NY, fiquei no aconchego e hospitalidade de um hotel de verdade. Bem diferente dos outros finais de semana, que tiveram mais cara de mochilão, esse teve sensação de viagem em família - mesmo eu estando de gaiato na viagem a serviço deles.

Conheci o bairro Soho, almoçamos e jantamos em diferentes restaurantes, e colocamos em dia o papo e as fofocas acumulados nesse ano que passamos distantes. Sábado a noite, assistimos ao musical da Broadway "Rain: A Tribute to the Beatles", que é maravilhoso.

E o domingo chegou rapidinho, pra que me forçasse a mais uma despedida. E o coração revoltou-se comigo: "Quanto mais você vai me forçar a aguentar?". Falta pouco, coração, e vai rever a todos sem precisar se despedir logo em seguida. No entanto, senti um gostinho do que será me despedir dos meninos. Sexta, ao me ver sair de mala com minhas primas brasileiras, o pequeno me abraçou e me pedia pra ficar. Acredito que imaginou que eu estava voltando para o Brasil com elas. E me partiu o coração. Nas cinco horas de ócio dentro do ônibus, na ida, inevitavelmente imaginei como vai ser ter de deixar esses pequenos e não ve-los mais todos os dias. Com certeza, a coisa mais triste que já fiz na vida... Foi no 13° mês que a ideia de voltar me causou um leve desespero. A sensação de "ainda não".


Mas, de volta a Virginia e a rotina de au pair... Para a minha felicidade, começou o Daylight Savings Time (o nosso horário de verão) e a PRIMAVERA. As árvores já estão carregando de flores e o tempo esquentando. Já era tempo!

terça-feira, 8 de março de 2011

Biscoito ou bolacha?

Uma situação que aconteceu comigo há uns dois meses que ilustra bem as diferenças sutis que eu tanto adoro entre os estados brasileiros em cultura, vocabulário e sotaque.

Brasileira 1: Vocês estavam na balada?
Brasileiro 1: Estávamos!
Brasileira 2: Nossa, nem vimos vocês.
Brasileiro 1: De que parte do Brasil vocês são?
Brasileiro 2: É claro que elas são paulistas! Elas falam "balada"!
Brasileira 2: Por quê? O que vocês falam?
Brasileiro 1: Noitada!
Brasileira 2: Ah, cariocas! Mas o seu sotaque nem é tão carregado. Fala "mesmo"!
Brasileiro 2: MeSSSmo.
Brasileira 2: Haha! Aí sim.
Brasileira 1: Vocês falam biscoito ou bolacha?
Brasileiros 1 e 2: Bolacha? HAHAHAHA!
Brasileiro 1: Biscoito, lógico.

sábado, 5 de março de 2011

Let it snow


Agora que dei uma volta completa no ano e nas estações, e estou revendo o clima dos Estados Unidos da mesma forma de que cheguei aqui, não me espanta que tenha ficado um tanto deprê nas primeiras semanas. O frio já bastaria. Eu odeio frio. Mas o visual de fevereiro é melancólico, cinzento, nebuloso. Nos dias que antecedem a neve, chega a ser até um tanto sombrio. O céu fica inteiro branco gelo, sem nuvem nenhuma.

O inverno de verdade pode ser bem incômodo. A bolsa ganha um peso a mais porque passa a ser obrigada a carregar luvas, toca, cachecol (e sendo au pair, deve multiplicar isso pelo número de crianças que cuida), e perde alguns minutos a mais no dia colocando todos esses acessórios (em você e nas crianças) toda vez que vai sair de casa.

As casas e todos os lugares fechados têm aquecedores. Os carros também, inclusive aquecedores de assento. O problema é o caminho lugar/carro/lugar. Precisei, uma noite, ficar mais de 15 minutos numa temperatura de -10°C e é extremamente doloroso. Em certo ponto, o corpo, amortecido, já não sente mais nada. Ou não se sente mais o corpo. E em todas as vezes que eu precisei fazer esse caminho, me passava a mesma coisa na cabeça: "Como é que alguém consegue se acostumar a viver em qualquer país do mundo que tenha um inverno como esse?".

No começo do ano passado, só vi a neve suja. A que resta da última tempestade (e foram muitas de 2009 pra 2010, alguns dias antes de me mudar) e demora pra derreter nos poucos dias de sol. Em dezembro, no entanto, eu vi a única de todas as razões possíveis pra se acostumar com o inverno de verdade: a neve. Aquela branquinha que cai em flocos que parecem purpurina no sol. Foi a coisa mais linda que eu já vi na vida. E foi na quantidade perfeita, uma ou outra, de leve. Uma só tempestade. O suficiente pra ver, tocar, provar, brincar de guerra, fazer anjo, boneco, forte, cavar a garagem e a calçada. Mas sem ficar presa em casa ou sem poder dirigir, sem acidentes.

A menos de 20 dias da primavera, não verei mais neve esse ano. Mas o frio já vai tarde.

terça-feira, 1 de março de 2011

Conversa nonsense que au pair é obrigada a ouvir

Sentados na mesa do almoço.

Pequeno: I can carry a car.
Grande: I can carry a truck.
Pequeno: I can carry a whole house.
Grande: I can beat you.
Pequeno: I can break you.
Brenda: Baby, I can break you down. There's so many ways to love ya... (*singing*)
Grande: I can carry a planet.
Pequeno: I can carry a whole house.
Brenda: Sorry, honey. But a planet is bigger than a whole house.
Grande: I can carry the whole outer space!
Pequeno:...
Brenda: Yeah... I don't think you can find something bigger than that...

E voltamos a comer.

Pronunciation and Converse

No último sábado (26), assisti à uma aula de Teaching Pronunciation como parte dos créditos que preciso para meu semestre extra no programa de Au Pair. O curso de sete horas (das 9h às 16h) na Northern Virginia Community College, a Nova, foi mais interessante do que imaginava. No entanto, foi quase um balde de água fria no meu inglês falado: há muito em pronúncia que ainda precisa ser aperfeiçoado. Detalhinhos que só são percebidos na prática, lendo em voz alta e sendo corrigida.

Aprendi que pronuncio quase todos os verbos regulares no passado de forma errada. Alguns soam com apenas um /t/ mudo, uns com /d/, e apenas alguns poucos devem ser ditos com o /ed/ de forma clara, como eu costumava usar em todos.

A professora, uma senhora beirando os 60, insistia em dizer que brasileros quando falam em inglês "comem" o fim das palavras. Como era uma aula pra aprender a ensinar pronunciação, ela estranhou quando nos viu (eu e mais duas amigas, de longe as mais novas entre os alunos) entrar na sala. "Vocês não parecem que são professoras, então eu acredito que sejam au pairs, estou certa? Vocês estão cientes que essa é uma aula para aprender a ensinar ESL (English as a Second Language) e não para aprender a falar em inglês, né?" Sim, querida, nós sabemos.

No próximo sábado tem mais sete horas de aulas, mas com tema diferente: Strategies for Teaching Entry-Level Students.

Sonho consumista de colecionadora


No domingo (27), colocamos em prática um dos nossos planos mais esperados (lê-se quando todas tivessem dinheiro sobrando pra gastar): ida ao outlet da Converse.

Um fato importante para a compreensão do que isso significa. Nunca liguei para marcas e nunca gastaria o preço absurdo que se paga em tênis de Nike, Adidas ou whatever. Mas eu tenho a-do-ra-ção por All Star. Gosto tanto que, aos poucos, desde 2002 (ano do meu par de All Star mais velho), criei minha própria coleção, que no último final de semana aumentou em dois números. Sem brincadeira, eu perdi a conta. Mas acredito que já passa de 20 pares.

Convenhamos, nenhuma coleção é sensata. Um ajuntamento desnecessário de diferentes modelos de objetos nem sempre úteis pra alguma coisa. Colecionar pares da Converse, no entanto, é bem mais interessante que manter [insira qualquer coisa comum colecionável] numa caixa ou prateleira. E não importa o que me digam, nunca é demais.

Aí, junte minha adoração pela marca e uma sale no outlet, de dois pares por $40, e tenha como resultado algo semelhante a uma criança de olhos brilhando dentro de uma loja de brinquedos. Saí com o anseio consumista saciado momentaneamente, com planos de dar mais umas passadinhas na wonderland antes de voltar pro Brasil.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

UM ANO



Um ano de intercâmbio, de vida de au pair, de cultura americana. Um ano sem a presença real (porque a virtual faz muito bem a parte dela) de família e amigos. Um ano adquirindo amizades, experiências, memórias pra guardar pra vida inteira.


Sem transformar o post em um discurso de agradecimento de Academy Awards, mas aproveitando a oportunidade pra dizer um MUITO OBRIGADO... Aos meus pais que não só nunca questionaram minha decisão, como me deram todo o apoio possível. Aguentaram a barra mesmo quando a saudade apertava e isso me deu a força necessária pra permanecer longe em paz de espírito. Foi a melhor decisão que já tomei. (And the Oscar goes to...) Um ano sem ve-los (e meu irmão incluído) ainda me soa completamente estranho, mas eu consegui. Fui capaz de muita coisa que antes da viagem acreditava não ser, e é muito bom desafiar e derrotar a si mesmo.


Sinto falta da minha cidade, minha casa, meu quarto, do conhecido, mas não sinto falta do meu país. Não sou e nunca vou ser patriota, e considero, sim, aqui melhor que aí. Esses 365 dias me proporcionaram mais causos do que o resto dos meus quase 23 anos. Aprendi a viver plena e intensamente, por mais brega que possa soar. Há sempre algo novo a explorar, pessoas novas a encontrar, lugares novos pra ir. E o melhor de tudo é saber que isso pode - e deve - continuar da mesma forma quando voltar para o Brasil. Meu mundo foi quase sempre uma cidadezinha de 180 mil habitantes e seus arredores. Nem mesmo a capital de São Paulo eu conheço da forma que deveria. Se em um ano consegui visitar o mesmo (ou até mais) dos EUA, anseio por conhecer o meu próprio país ao máximo. Viver no Brasil tem suas desvantagens, mas é nele que se encontra todas as razões para me fazer querer voltar quando essa fantasia toda acabar. Difícil vai ser me convencer de tudo realmente aconteceu (outra breguisse real).


Entendo agora aquelas frases bem "hollywoodianas" do estilo "preciso sumir/viajar para me encontrar". A minha estadia na América me ajudou a definir quem eu sou e a me conhecer melhor de que qualquer outro ano da minha vida. É fevereiro de 2011 e não posso dizer que nem vi passar. Passou rápido, não nego. Mas os meses nunca foram tão bem marcados e demarcados, seja pelas estações, viagens ou posts no blog. Troquei a frase "Tenho mais X meses aqui" por "Tenho SÓ mais seis meses". Agora é countdown. Colocar em prática tudo que ainda precisa ser feito, visto e visitado. As vezes, eu preciso relembrar a listinha de motivos que me fizeram estender o programa por só mais seis meses, porque me pego pensando que o tempo restante possa não ser suficiente... Um ano não é.


No entanto, tenho só a agradecer por tudo que já fiz, vi e visitei. Abusando das breguices roteirísticas de filme: "Life is a highway"... and I am traveling.





PS: Pra fechar o one-year-anniversary, eu ganhei um presente dos meus pais. Eles adotaram mais uma cachorrinha! =´D

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A "thank you" and "see you soon" note


É claro que eu iria tentar rascunhar algo para você, mas resolvi escrever a cartinha "a caneta" na internet, pra dar o tom que ela (e você) merece na minha vida: para sempre. Então, desculpem-me todos que a lê, este post é dedicado à Ana Paula.

O medo de viajar "sozinha" para os EUA no dia 22 de fevereiro de 2010 foi logo transformado em uma viagem coletiva de 16 brasileiras. Todas trocando histórias e tentando acalmar os nervos poucos minutos antes de embarcar. Dentre elas, dei sorte de encontrar alguém que também viria para a Virginia. Dividimos quarto de hotel na orientação de au pair, viagem de trem para encontrar as host families, e, a partir daí, dividimos a estadia na terra do Tio Sam.

Viagem para a Disney, para Califórnia e Las Vegas. A noite mais fria das nossas vidas no hostel em NY. Os tombos esquiando na Pennsylvania. O tempo a toa deitadas na grama do Mall de Washington DC, olhando o céu. As (poucas) cluster meetings miadas. As baladas, as sessões de cinema, as bads, as brisas. Nós passeamos, viajamos, colorimos o cabelo, comemos e bebemos, ficamos bêbadas, dançamos, fomos a shows, nos perdemos, aprendemos a usar o metrô da VA, tomamos chuva, falamos em inglês, brigamos, fizemos compras, ouvimos muita música, choramos, rimos. E rimos. E rimos mais um pouquinho. E abalamos. Tudo em um ano.


É por esse motivo que EUA, até então, foram sinônimo de Ana Paula. Mas agora, prestes a completar os 365 dias de intercâmbio, eu escolhi ficar, você escolheu voltar. E eu nem sei como será continuar a estadia sem compartilhá-la com você.

Mas, depois daqui, aguardo para sermos amigas na vida real. Conhecer e apresentar família e amigos, de quem tanto conversamos e contamos causos. O interior de São Paulo tem casa e planos a sua espera a qualquer hora que quiser aparecer. E a capital só será visita completa se dividida com você. Afinal, no Brasil, só 50 minutos a mais dos 40 daqui separam as nossas casas.

E eu devo uma quantia de "obrigada" absurda por simplesmente estar aqui e me deixar aprender a ser um pouco como você: de bem com a vida, ver o melhor em cada pessoa e não ter vergonha de compartilhar as ideias mais viajadas que passa na cabeça.

Boa viagem e a gente se vê em agosto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Onze meses

Acordei depois de uma rara noite de 10 horas de sono e agradeci mentalmente por absolutamente tudo. Aproveito dias como esses, em que eu acordo consciente de tudo a minha volta e dos pequenos detalhes. No simples 'ser feliz' ou na sorte que se tem. De viver, de morar fora, de ser satisfeita em ser quem é.

A um mês de completar um ano nos EUA, eu me sinto em casa. Essa semana, ao estacionar em frente a garagem com a pequeno, perguntei:

-Onde estamos?
-Na nossa casa! (O "nossa" sempre me espanta. Sim, eu MORO aqui.)
-Nossa casa! Eu tenho duas: uma aqui e uma no Brasil.

Nos primeiros meses, quando ainda não tinha dado para acostumar chamar a casa de minha, eu planejava o final de semana todo para sair na sexta e voltar domingo a noite. Hoje, eu não me importo dizer não pra uma programação e ficar a toa em casa. Ainda mais com o frio de -5°C que tem feito. É não ter a pressa de viver tudo num só final de semana, porque ainda tenho tempo para gastar antes de ir embora.

Quando imaginaria um dia ter receio de voltar pra casa. Quanto mais fica, mais se enraiza e mais assustador é a volta. A rotina antiga, a vida real, ao deixado, ao mal-terminado, e a tudo que precisa ser criado do zero. Eu tenho sete meses para adiar o arrumar de malas, o planejar da vida, as despedidas. Mas, ao mesmo tempo, tenho mais sete meses pra crescer raízes. Pra me acostumar a chamar aqui de casa.

Anyway, enquanto o tempo passa...


Minhas aulas do curso de Spoken Language Interpreter - o qual se eu quisesse terminar inteiro, infelizmente, teria de ficar aqui até 2013 - essa semana. Dessa vez o tema é "Vocabulary and Terminology". Essas são as que eu realmente queria cursar. Já preciso começar a decidir como conseguirei os três créditos de estudos exigidos pela Au Pair in America para os próximos seis meses.

Algumas meninas partiram (para tão esperada e temida "volta pra casa"), outras chegaram. Não é tão simples ocupar lugares das amigas, mas essa é uma das únicas certezas em ser au pair. O "tchau" e o "bem-vinda" constantes. Felizmente, nos últimos dois casos - na despedida que está por vir - foi só um "até logo", porque elas são de São Paulo.

Já começam os planos para a próxima e última semana de férias que terei, a lista-do-que-fazer-antes-de-ir-embora já está escrita, espero ansiosamente pela primavera...

E a vida continua.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Arts and Crafts

Preocupada em ter com o que distrair os meninos durante as curtas férias de final de ano, eu pesquisei alguns sites de artes, recortes e artesanatos para crianças. Os pequenos se empolgaram com as ideias que eu achei e acabamos fazendo algumas coisinhas no nosso tempo livre. Muito bonitinho os ver orgulhosos com os resultados. São coisas bem simples e fáceis de fazer, e que não exigem talento em artes - escasso, no meu caso. Muito diferente do caso da minha tia Sandra, super talentosa, que me passou o site Family Fun (de onde tirei a maioria dos "projetos"), e a quem esse post é dedicado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Holidays


De alguns anos pra cá, a magia natalina deixou de aparecer com a força de antigamente e deu lugar a deprê de fim de ano. O Natal sempre foi minha data preferida - mais do que meu próprio aniversário -, e é, pra mim, sinônimo de família. Achei que por estar longe de casa e de todos a bad ia ser pior, mas inexplicavelmente não foi. Resolveu dar uma pontinha no dia 23, e eu tentei driblá-la como pude. No dia 24, quando eu achei que ela ia me vencer, o skype me salvou novamente. A família toda estava lá, reunida em frente ao computador, me esperando para revelar o amigo-secreto, do qual eu fiz parte pela webcam.

O Natal, mesmo nos EUA, foi familiar. Passei com meus pais americanos, os meninos e a família paterna. Na manhã do dia 25 foram mais de duas horas abrindo presentes em frente a árvore. Nunca vi uma criança ganhar tanta coisa num dia só. E aparentemente é tradição natalina americana. Dar tantos brinquedos para uma criança, independente da idade, a ponto dela enjoar de abrir pacotes e mais pacotes. Porém Papai Noel foi bom pra mim também: meus pais americanos me deram ingresso para o show do U2, em Baltimore, no dia 22 de junho, mais conhecido como meu aniversário, e mais oito CD's da banda.

O Reveillon eu passei com duas amigas. Compramos ingressos para uma festa no New Year's Eve em um club em Arlington, uma cidade a meia hora da minha casa. Outra tradição americana é a de alugar um quarto de hotel para que ninguém se preocupe em dirigir depois da festa - e não se preocupar também com motoristas embriagados pelo caminho. Gostamos da ideia e pagamos por uma noite no hotel Hyatt, a três minutos do lugar da festa.

Pelo ingresso que pagamos, tínhamos direito a jantar, quatro drinks e champagne na hora do brinde da virada. Ganhamos tiaras e cornetas de Happy New Year, a comida estava muito boa e podíamos escolher qualquer bebida do bar. A banda e o DJ tocaram o de sempre, o que normalmente me agrada e dá pra dançar. Teve até balões caindo depois da contagem regressiva, à meia noite. Foi muito divertido e seria tudo perfeito se não fosse o meu vestido.

O incidente da virada




Como nos EUA não tem a frescura de usar branco no Reveillon e eu nunca gostei dessa tradição brasileira, aproveitei e comprei um vestido preto na Forever XXI. E devo dizer que estava encantada por ele. Pouco antes de sair para a festa, tirando fotos já arrumadas no quarto do hotel, o zíper do vestido resolve quebrar (foto 1). Minhas amigas, com muito custo, me ajudaram a consertar o infeliz. Como não tinha nenhuma outra opção de vestuário, o negócio foi arriscar a sorte e tentar não me mexer muito. É claro que não adiantou. Na festa, enquanto dançava (foto 2), o zíper deu o mesmo problema e eu tive de ir ao banheiro encostada a minha amiga, tentando disfarçar a abertura do lado do vestido.

Minha amiga, com a ajuda de três americanas - que tiveram a ideia brilhante de me conseguir uma chave de carro -, fez dois furos de cada lado da abertura do vestido e usou a faixa que eu usava na cintura para trançá-lo, dar um laço e fechar o buraco lateral (foto 3). Ficou, obviamente, bem precário. O vestido ficou retorcido e mais curto do lado esquerdo, com uma ponta do zíper quebrado ainda aberto e a mostra.

Pausa para agradecimento: obrigada, Ana, por "salvar" meu vestido e minha noite. Desculpe-me por te fazer perder um pouco da sua.

Eu não sou daquelas que tentam achar sentido no que se passa na virada e o que isso pode significar para o resto do ano. No entanto, se for interpretar o incidente pelo lado positivo, eu conseguirei dar um jeitinho bem brasileiro nos meus problemas e ligarei o foda-se. Pelo lado negativo, é melhor deixar pra lá...

Happy New Year a todos! Que 2011 seja maravilhoso!