Essa é para mim a magia das línguas...
Estávamos em onze pessoas, e na sala ao lado uma mulher falava alto. A voz era clara mesmo separados pela parede. Todos escutávamos a mesma coisa, no entanto, eu era a única que conseguia compreender o que a voz dizia. Meu cérebro era o único a dar significado às palavras, a decodificá-las.
A mulher falava em português. Eu era a única brasileira na sala.
Todos nós temos o mesmo vocabulário em nossas línguas. Palavras. Significados. Verbos, substantivos, adjetivos, advérbios. Objetos, cores, dias da semana, meses. É no modo que movemos os lábios, movemos a língua, puxamos o som da garganta... Pronunciamos. E pronto! O resultado pode ser absolutamente irreconhecível.
É quase como se o ouvido fosse treinado. Num dia, o que você ouve é só uma sequência de sons desconhecidos. E depois de estudar, o ouvido converte o barulho em linguagem. É apertar a tecla SAP na mente.
Uma das metas na minha vida - porque isso exige tempo e esforço absurdos - é conseguir treinar meu ouvido em pelo menos três línguas diferentes. Viajar pelo mundo, entender e ser entendida.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Além da capa

Eu e todas as amigas brasileiras que tenho aqui temos poucas semelhanças. Somos e fazemos partes de diferentes grupos sociais. Diferimos em gostos, culturas, costumes, gírias, personalidades, humor e, principalmente, Estados. Só nos conhecemos porque - por várias razões - compartilhamos o mesmo desejo de morar fora.
O destino fez com que nos conhecessemos em outro país, porque de maneira nenhuma nossos caminhos se encontrariam no Brasil. E mesmo que, por uma ventura do acaso, nos esbarrassemos por lá, não passaríamos das primeiras impressões, tão acostumadas estamos em julgar o livro pela capa. Buscamos semelhanças nas possíveis novas amigas, e dificilmente fugimos do conhecido, do seguro.
Estando em outro país, no entanto, as opções são limitadas e somos forçadas a superar as primeiras impressões. Não estou dizendo que sou obrigada a tolerar as amizades que conquistei aqui, ou que elas são obrigadas a me aturar. Pelo contrário, não só aprendemos a aceitar as nossas diferenças, como passamos a achá-las fatores de unicidade. São elas que tornam as meninas que conheci aqui tão especiais.
E esse é um dos meus principais aprendizados adquiridos na experiência de ser au pair.
O destino fez com que nos conhecessemos em outro país, porque de maneira nenhuma nossos caminhos se encontrariam no Brasil. E mesmo que, por uma ventura do acaso, nos esbarrassemos por lá, não passaríamos das primeiras impressões, tão acostumadas estamos em julgar o livro pela capa. Buscamos semelhanças nas possíveis novas amigas, e dificilmente fugimos do conhecido, do seguro.
Estando em outro país, no entanto, as opções são limitadas e somos forçadas a superar as primeiras impressões. Não estou dizendo que sou obrigada a tolerar as amizades que conquistei aqui, ou que elas são obrigadas a me aturar. Pelo contrário, não só aprendemos a aceitar as nossas diferenças, como passamos a achá-las fatores de unicidade. São elas que tornam as meninas que conheci aqui tão especiais.
E esse é um dos meus principais aprendizados adquiridos na experiência de ser au pair.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Sete meses
Completo hoje sete meses nos EUA. E o menino mais velho que eu cuido completa hoje cinco anos de vida. É emocionante o quanto se presencia no crescimento de uma criança em poucos meses. Ele sabe escrever agora e me enche de orgulho. Foram horas copiosamente, tarde após tarde, praticando letras juntos na mesa da cozinha. Eu estava lá, no ponto de ônibus, esperando com ele no primeiro dia do prézinho. Ele entrou, foi e voltou sozinho que nem gente grande.
O mais novo tem três anos. Idadezinha complicada. Cheia de "conquistas", no entanto. Eu o vi aprender a nadar, a usar a privada (e, graças ao bom Pai, não precisar mais de fraldas), a escrever o próprio nome (esse por mérito exclusivamente meu), ir ao primeiro dia de aula na vida dele.
Já vi o gosto dessas crianças mudar a cada mês, em relação a brincadeira, comida, medo, filmes, amigos... E até o fim da minha estadia, vou presenciar mais umas centenas de mudanças. E apesar de soar exagero, as vezes, eu sinto amor de mãe (ou talvez de irmã mais velha) por esses meninos. São nove horas diárias de convívio como au pair - e o resto das horas como membro da família. E querendo ou não, pra se realizar um bom trabalho é necessário se passar por mãe e cuidar deles como filhos. Com o carinho e broncas e proteção e castigos e incentivos. Tudo no seu devido momento. E, sem falsa modéstia, I am a hell of a good au pair!
A maioria de meninas au pairs que conheço diz que, depois dessa experiência, começaram a pensar seriamente se querem ou não ter filhos. Eu tenho certeza que sim.
Estudos
Finalmente, comecei a estudar. Nunca pensei que os estudos seriam um dos meus maiores problemas aqui, mas, aparentemente, ter o inglês bom limita as opções. Entende-se como quase fato que au pair vem para os EUA com o objetivo de aprender inglês, e não aperfeiçoá-lo. De qualquer forma, minha intenção inicial era, sim, estudar inglês. Quando cheguei aqui, no entanto, tanto meus pais americanos quanto a minha counselor me disseram que seria perda de tempo. As aulas de "inglês como segunda língua" que praticamente toda au pair da região frequenta, infelizmente (e isso é unanimidade), não são boas.
Foi uma batalha para conciliar preço, horário, créditos (aqueles que toda au pair tem obrigação de estudar durante o ano e não é qualquer escola/curso que conta) e, a parte mais difícil, algo que me interessasse. Não há muitos cursos em comunicação na região, e as universidades que os têm são absurdamente caras. Para agravar, a counselor, que supostamente está aqui para nos dar auxílio, não foi de muita ajuda. No final das contas, decidi satisfazer um dos meus interesses particulares/profissionais e comecei hoje um curso de intérprete, Spoken Language Interpreter. As aulas, entretanto, não valerão créditos, o que significa que eu ainda preciso preenche-los de alguma forma que eu ainda estou trabalhando para resolver.
Mudaram as estações
De qualquer forma, tive um verão incrível - que infelizmente acabou ontem. Agora é começar a se preparar para o frio.
O mais novo tem três anos. Idadezinha complicada. Cheia de "conquistas", no entanto. Eu o vi aprender a nadar, a usar a privada (e, graças ao bom Pai, não precisar mais de fraldas), a escrever o próprio nome (esse por mérito exclusivamente meu), ir ao primeiro dia de aula na vida dele.
Já vi o gosto dessas crianças mudar a cada mês, em relação a brincadeira, comida, medo, filmes, amigos... E até o fim da minha estadia, vou presenciar mais umas centenas de mudanças. E apesar de soar exagero, as vezes, eu sinto amor de mãe (ou talvez de irmã mais velha) por esses meninos. São nove horas diárias de convívio como au pair - e o resto das horas como membro da família. E querendo ou não, pra se realizar um bom trabalho é necessário se passar por mãe e cuidar deles como filhos. Com o carinho e broncas e proteção e castigos e incentivos. Tudo no seu devido momento. E, sem falsa modéstia, I am a hell of a good au pair!
A maioria de meninas au pairs que conheço diz que, depois dessa experiência, começaram a pensar seriamente se querem ou não ter filhos. Eu tenho certeza que sim.
Estudos
Finalmente, comecei a estudar. Nunca pensei que os estudos seriam um dos meus maiores problemas aqui, mas, aparentemente, ter o inglês bom limita as opções. Entende-se como quase fato que au pair vem para os EUA com o objetivo de aprender inglês, e não aperfeiçoá-lo. De qualquer forma, minha intenção inicial era, sim, estudar inglês. Quando cheguei aqui, no entanto, tanto meus pais americanos quanto a minha counselor me disseram que seria perda de tempo. As aulas de "inglês como segunda língua" que praticamente toda au pair da região frequenta, infelizmente (e isso é unanimidade), não são boas.
Foi uma batalha para conciliar preço, horário, créditos (aqueles que toda au pair tem obrigação de estudar durante o ano e não é qualquer escola/curso que conta) e, a parte mais difícil, algo que me interessasse. Não há muitos cursos em comunicação na região, e as universidades que os têm são absurdamente caras. Para agravar, a counselor, que supostamente está aqui para nos dar auxílio, não foi de muita ajuda. No final das contas, decidi satisfazer um dos meus interesses particulares/profissionais e comecei hoje um curso de intérprete, Spoken Language Interpreter. As aulas, entretanto, não valerão créditos, o que significa que eu ainda preciso preenche-los de alguma forma que eu ainda estou trabalhando para resolver.
Mudaram as estações
De qualquer forma, tive um verão incrível - que infelizmente acabou ontem. Agora é começar a se preparar para o frio.
domingo, 12 de setembro de 2010
Gaga Uh Lala
Vi a Lady Gaga pela primeira vez no dia 13 de julho de 2008, apresentando ao vivo a música "Just Dance" no concurso Miss Universo. Lembro-me de pensar "Que doida é essa?" com aquela calça colada, blusa amarela berrante com ombreiras. Toda plastificada. Mas também me lembro de A-DO-RAR a música (até hoje a minha preferida dela). Pouquíssimo tempo depois, assistindo no youtube, ao, na época, lançamento das Pussycat Dolls "I Hate This Part", achei sem querer o vídeo da cantora que estava abrindo os shows da turnê delas: "Just Dance", da Lady gaga. Levei alguns minutos pra me lembrar de onde conhecia aquela música.
A partir daquele momento, viciei. Procurei vídeos com outras músicas e letras dela. No mesmo dia, ouvi "Love Game", "Poker Face", "Paparazzi" e "Beautiful Dirty Rich". Gostei de todas. Consequentemente, baixei o álbum "The Fame". Em uma semana o sabia todo de cor e salteado. Assisti a todos os episódeos do canal dela no youtube, enquanto ainda tentava se divulgar e ganhar espaço na mídia, fazendo showzinhos em clubs. Posso dizer que sou fã da Gaga antes da fama monstro.
Ela significou a quebra de um dos meus preconceitos: mulheres na música (um tanto contraditório de minha parte, pra quem tocou bateria por quatro anos). Depois dela, passei a ouvir PCD e Paramore - sem o pensamento machista de que mulher em bandas é tudo poser.
Eu sei que muito do que se atribui à Gaga se atribui a outros grandes nomes da música - como à Madonna. A receita não é inédita. No entanto, ela se encaixa no que pode se classificar na categoria "artista". O pacote completo. Ela é cantora, escreve as próprias músicas, é estilista das próprias roupas... As letras das músicas delas são tão pessoais e transparentes que chega a ser constrangedor, invasivo ouvi-las. Confissões descaradas sobre a obsessão pela fama, dinheiro e sexualidade. Até mesmo nas letras mais bobas como a de "Boys Boys Boys", acerta na medida perfeita na futilidade.
Lady Gaga é um dos melhores exemplos da força d'O Segredo: quando se acredita em algo com todo o coração, um dia, vai se realizar. Ela simplesmente queria ser star. É prova também de que quem tem talento, não desiste dos sonhos, acredita no próprio potencial e sabe se promover vai acabar sendo famoso. Um monte de clichê, eu sei. Mas é assim que eu a enxergo.
Essa visão só se for
tificou depois de assistir ao show, em Charlottesville, VA. Além de ser uma mega produção, diferente de qualquer um que eu já tenha assistido (só não perde pra U2, é claro), a Gaga é uma front woman fantástica. É emocionante ve-la onde está hoje. Nasceu para estar em um palco. Ela pergunta durante o show para a platéia: "Do you think I'm sexy?" e emenda dizendo que nem sempre ela foi popular, que sofria bullying na escola. É sincero a emoção dela de ter conseguido atingir a posição em que está e ver a ovação dos fãs. E os fãs são um show a parte, fantasiados de Lady Gaga.
Uma das músicas do repertório é uma inédita do CD que está pra ser lançado, "You and I". Depois de ouvi-la ao vivo, eu só tenho a dizer que estou na espera ansiosa pela próxima bizarrice de Lady Gaga, por que ela é capaz de muito mais e "she's not going anywhere".
domingo, 5 de setembro de 2010
Dame mas gasolina!
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Frentista é uma profissão inexistente nos EUA. Você coloca gasolina no seu próprio carro. É só passar o cartão de crédito, esperar a bomba ser liberada e começar a abastecer. E pronto, tanque cheio. Se tiver de pagar com dinheiro é só pedir para o atendente da loja de conveniência liberar a bomba pra você. Parece super simples - e é -, mas desastrada que sou, precisei de ajuda nas duas primeiras vezes que abasteci meu carro.
E como vai dinheiro em gasolina... O preço do combustível regular varia entre $2,44 e $2,80. E foi em busca desse valor mais baixo que eu e uma amiga, Vivi, paramos num posto na cidade vizinha hoje. Saí do carro, passei meu cartão e de repente me assustei com um barulho alto. O homem abastacendo ao lado esqueceu de retirar a bomba do carro e arrebentou a máquina. Ia levando a bomba com ele.
Eu falei alto, em português, para Vivi o que tinha acontecido e rimos. No intervalo do homem entrar na loja de convenência e voltar com um funcionário para ajudá-lo, eu paguei pela risada. Quando acabei de abastecer, tirei a bomba do carro, mas o gatilho enroscou e o combustível continuou a sair. Tomei um banho de gasolina e não conseguia desenroscar o negócio. Gritei pra Vivi me ajudar e na hora do desespero, saiu "socorro" ao invés de "help". Até que uma alma bondosa, um senhor que tinha acabado de estacionar, veio me ajudar e fez a gasolina parar de vazar - esguichar seria a palavra mais correta. E a pior parte é que paguei pelo combustível desperdiçado.
Quando o homem voltou com o funcionário do posto, o chão estava lavado de gasolina e foi a vez dele de rir. E aposto que pensamos a mesma coisa: "Ainda bem que outro atrapalhado me ajudou a não passar tanto ridículo".
Só rindo...
PS: A foto é uma típica de au pair, nas primeiras vezes abastecendo o próprio carro.
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domingo, 22 de agosto de 2010
Seis meses
Meio ano. Metade do caminho. Para comemorar a data, um prego resolveu se atarracar no pneu traseiro do meu carro. Precisei ligar pros pais americanos irem me socorrer, esperando por quase uma hora na cidade do lado da minha. Para manter o costume, Ana Paula estava comigo. Chegamos juntas aqui e comemoramos juntas - dentro do carro inabilitado embaixo de um sol infernal - os seis meses na terra do tio Sam. Com a gente, a nova au pair húngara que completou 24 anos (pelo horário na Hungria) enquanto esperávamos pela ajuda mecânica. Que situação!
Time goes by so fast
As vezes parece que passou tão rápido, as vezes parece que estou aqui há uma eternidade. Certas coisas são tão fáceis de acostumar. Sempre me pego pensando em situações e conversas que me aconteceram no Brasil, antes de me mudar, como se tivessem sido em inglês. Parei de converter mentalmente o dólar pro real antes de comprar algo. Quando voltar, terei de reaprender a dirigir um carro manual, e a cama de solteiro vai parecer pequena depois de passar um ano dormindo numa queen size. O arroz e o feijão, tão simplezinhos, me fazem muita falta. O closet já tem coisas suficientes pra umas três malas.
Half way done. Seria o momento pra fechar pra balanço. Lembrar dos bons e maus momentos, o que me motiva e desmotiva. Pesar os prós e contras de ficar mais um ano. Sim, eu preciso tomar essa decisão o quanto antes possível. Vai ser a decisão mais difícil da minha vida.
Enquanto não preciso dar a resposta, aproveito como se não houvesse amanhã.
Time goes by so fast
As vezes parece que passou tão rápido, as vezes parece que estou aqui há uma eternidade. Certas coisas são tão fáceis de acostumar. Sempre me pego pensando em situações e conversas que me aconteceram no Brasil, antes de me mudar, como se tivessem sido em inglês. Parei de converter mentalmente o dólar pro real antes de comprar algo. Quando voltar, terei de reaprender a dirigir um carro manual, e a cama de solteiro vai parecer pequena depois de passar um ano dormindo numa queen size. O arroz e o feijão, tão simplezinhos, me fazem muita falta. O closet já tem coisas suficientes pra umas três malas.
Half way done. Seria o momento pra fechar pra balanço. Lembrar dos bons e maus momentos, o que me motiva e desmotiva. Pesar os prós e contras de ficar mais um ano. Sim, eu preciso tomar essa decisão o quanto antes possível. Vai ser a decisão mais difícil da minha vida.
Enquanto não preciso dar a resposta, aproveito como se não houvesse amanhã.
domingo, 15 de agosto de 2010
It's all about the music, baby
Sempre acreditei que dinheiro gasto em shows é dinheiro bem gasto. É uma das coisas mais sensacionais do mundo. Pulo, grito, canto junto, pareço louca. No dia seguinte, minhas canelas doem e eu não tenho voz, mas minha alma está lavada. E tenho a sorte de poder dizer que já vi quase todas as minhas bandas preferidas ao vivo.
Cada show que consegui ir no Brasil foi uma vitória. Os ingressos estão cada vez mais caros, e ainda precisei arranjar transporte já que não dirijo até São Paulo, uma hora e meia longe da minha cidade. Mas cada um deles significou um sonho realizado. Vi Backstreet Boys aos 12 anos no auge do meu vício por boy bands. Linkin Park aos 15.
O melhor dia da minha vida: show do U2 aos 17. Eu e meus tios fomos pra São P
aulo de manhãzinha, conseguimos comprar ingressos de cambistas enquanto esperávamos na fila. Entramos no Morumbi e descobrimos que a Hot Area estava aberta. Assistimos ao show na grade do palco, vi o Bono Vox a um metro de distância. Inacreditável! Ah, e com Franz Ferdinand como banda de abertura (antes mesmo de eu virar fã deles). Coisa básica.
aulo de manhãzinha, conseguimos comprar ingressos de cambistas enquanto esperávamos na fila. Entramos no Morumbi e descobrimos que a Hot Area estava aberta. Assistimos ao show na grade do palco, vi o Bono Vox a um metro de distância. Inacreditável! Ah, e com Franz Ferdinand como banda de abertura (antes mesmo de eu virar fã deles). Coisa básica.Aos 19, consegui ir ver The Used, -
uma banda de Utah, EUA, que quase ninguém conhece pela qual fui um tanto viciada - em São Bernardo do Campo. Foi uma luta achar com quem e como ir, uma vez que todo mundo que eu conhecia não sabia sobre a banda ou simplesmente não gostava nadinha deles. Aliás, foi um choque saber que iriam tocar no Brasil, no ABC Pró HC. Lembro que saí gritando que nem doida pela casa quando li sobre o show na internet.
Em 2008, vi o Iron Maiden pela
primeira vez, no estádio Palestra Itália, com a família toda. Essa é uma das bandas preferidas do meu pai, cresci escutando o som deles. No mesmo ano, consegui, finalmente, - depois de mais de quatro vindas deles pro Brasil - ver The Calling, em Campinas. Na verdade, era quase o show solo do Alex Band, mas valeu muito a pena, com direito a foto e CD autografado.
primeira vez, no estádio Palestra Itália, com a família toda. Essa é uma das bandas preferidas do meu pai, cresci escutando o som deles. No mesmo ano, consegui, finalmente, - depois de mais de quatro vindas deles pro Brasil - ver The Calling, em Campinas. Na verdade, era quase o show solo do Alex Band, mas valeu muito a pena, com direito a foto e CD autografado. EUA
Pelas bandas de cá, consegui assistir a quatro shows até agora: Pearl Jam, Iron Maiden, Kings of Leon e Maroon 5. A diferença
entre assistir a um show no Brasil e um aqui é bem gritante. Pra começar, eu consigo ir dirigindo, já que a local de shows é a 20 minutos da minha casa, e os ingressos são bem mais baratos. As pessoas chegam no lugar sempre na hora marcada e é na hora marcada que o show vai começar. Fui no mesmo lugar pra assistir aos quatro shows, Jiffy Lube, e mesmo no gargarejo, as pessoas tem cadeiras pra sentar. Não existe aperto, empurra-empurra, briga por lugar perto do palco... No quesito organização, é uma lavada!
No entanto, é um tanto entediante. Se você está nas cadeiras mais pro fundo do lugar, não pode levantar pra assistir ao show, porque um sem graça atrás de você pode te pedir pra sentar. Afinal, se tem cadeira, é pra assistir sentado. As pessoas não pulam ou gritam como no Brasil. (Simplesmente não me entra na cabeça como alguém pode ver um show SENTADO!!!!). E se estão em pé, eles dançam.
Já ouvi o Bruce Dickinson pedir "Scream for me, São Paulo" e "Scream for me, Washington D.C." e não há como negar que a resposta no Brasil foi bem mais animada. A platéia acompanha cada solo de guitarra da banda com um coro de "Ôooo". Aqui, nada.
No show do Pearl Jam - o primeiro que eu fui nos EUA - comecei a pular e cantar junto e consegui sentir olhares virando pra mim. Com certeza, pensaram que eu estava bêbada, mas não, esse é o jeito que eu sei curtir um show. Aqui, parece tudo muito formal. Não é a toa que os artistas gostam de se apresentar no Brasil. É uma loucura.
Fan service
Uma menina uma vez me ensinou a expressão "fan service": coisas que os integrantes da banda fazem durante o show só pelo entretenimento da platéia. Vi um fan service em plena forma no show do The Used, quando o vocalista, Bert, beijou o guitarrista, Quinn, na boca. São gestos, brincadeiras, piadas com a única intenção de deixar os fãs loucos.
Adam Levine, vocalista do Maroon 5, é master nessa a
rte. É um front man completo daqueles que conversam com as fãs das primeiras fileiras, faz piada do nada, separa a platéia em duas partes e pede pra cantarem frases separadas da música. Extremamente carismático (e sexy, diga-se de passagem). Ele é o Maroon 5. Uma única coisa que me implica nessa banda é a mesma em relação a Nickelback: são muito comuns. As músicas são feitas na receita certa pra tocar na rádio e grudar na cabeça e é isso. Não é nada que se sobressai e vai ficar pra sempre. Não quer dizer que eu não curta o som deles, só realmente acho comum.
rte. É um front man completo daqueles que conversam com as fãs das primeiras fileiras, faz piada do nada, separa a platéia em duas partes e pede pra cantarem frases separadas da música. Extremamente carismático (e sexy, diga-se de passagem). Ele é o Maroon 5. Uma única coisa que me implica nessa banda é a mesma em relação a Nickelback: são muito comuns. As músicas são feitas na receita certa pra tocar na rádio e grudar na cabeça e é isso. Não é nada que se sobressai e vai ficar pra sempre. Não quer dizer que eu não curta o som deles, só realmente acho comum.Ao contrário de Kings of Leon nas duas formas: eles têm um som bem único mas não são nada carismáticos. A única frase qu
e eu lembro de ouvir o Caleb Followill dizer durante todo o show foi "Are you ready to sing?" antes de começarem a tocar "Sex on Fire". Mas não tem como negar que foi um dos melhores shows que eu já vi. Tudo combina perfeitamente, até mesmo o distanciamento deles com a platéia. Parece que você está assistindo a uma sessão de jam deles, meio como um intruso. Estão ali pra tocar pelo gosto que eles têm por isso e é só. Uma palavra para definir a banda e a música que fazem: sexy. Simples assim.
Independente do lugar, os shows que eu fui foram algumas das melhores experiências que eu já vivenciei.
PS: Dream Theater abriu o show do Iron Maiden nos EUA; Owl City abriu o do Maroon 5. As fotos e os vídeos linkados nesse post são dos shows que eu fui. Minha voz está misturada na gritaria!
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Era uma casa muito engraçada...
As casas americanas são quase como blocos de montar. As paredes são de madeira e vem pré-preparadas, só colocá-las de pé. Exatamente como é mostrado no Extreme Makeover Home Edition. Eu acreditava que aquilo era feito porque o programa tem exatamente sete dias para reconstruir uma casa. Mas não. Todas são daquele jeito. Paredes de um material fino e aparentemente tão inseguro. Ouve-se cada passo no andar de cima.
As casas de bairro de classe média são todas sobrados e ainda têm o basement, que seria, ao pé da letra, o porão, mas na verdade é um andar inteiro embaixo da casa. Todas com ar condicionado e aquecedor, e carpete no chão. As cozinhas têm sempre ilha no meio, lava louças, forno elétrico separado do fogão, geladeira de duas portas com dispenser de água e gelo. Todas elas têm o quarto da laundry, o que seria a lavanderia, com máquina de lavar e secar roupas - que saem quentinhas e supostamente sem vincos. Não se passa roupas. E não existe tanquinho, aquele pra se esfregar roupa na mão ou colocar de molho.
As casas não têm muros nem portões. Uma menina de cinco anos que uma amiga cuida, quando veio em casa, perguntou por que nós precisamos de cerca no quintal se não temos cachorros. Uma dúvida sensata pra quem está acostumada a abrir a porta dos fundos e dar de cara com o quintal do vizinho. Mas com a piscina aqui de casa, uma cerca meia-boca era o mínimo de privacidade que se pode conseguir. Além disso, a casa é toda cheia de janelas enormes, cortinas abertas. Quando cheguei, me sentia exposta!
A expressão "A grama do vizinho é sempre mais verde" deve ter sido inventada aqui. É uma disputa de quem tem o jardim mais bonito, com gramado cortado meticulosamente, uma vez por semana. Pode ter o tanto de flores que quiser, que nenhum vândalo vai passar e arrancar. Pode largar brinquedos espalhados na frente da casa, carro estacionado na rua, que vão amanhecer no mesmo lugar. Mesmo assim, todas as casas têm sistema de alarme.
Caminhar na rua, quando não se conhece bem o bairro, é pedir pra se perder. As casas parecem todas iguais. Para agravar, além de sinuosa, a mesma rua tem dois nomes, um sentido west outro sentido east (ou south e north).
Quando se acostuma com a falta de privacidade e em dar de cara com vizinho toda vez que sai pro quintal, é até bonito ver todas as casas enormes, sem aqueles muros altos as separando. Tenho até receio de me sentir muito emparedada quando voltar pro Brasil.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Cinco meses
O celular desperta às 8 am. 8:30 am (porque é assim que os americanos escrevem as horas) não é um horário ruim para se começar a trabalhar. Até porque tem sido difícil deitar antes da meia noite. Arrumar-me, dar uma olhadinha rápida na internet para não perder o costume. Mandar e-mail diário para a mãe. Subir para o andar de cima.
Preparar café da manhã. Meu e deles. As crianças. Passar o dia com duas criaturinhas que mal batem na cintura. Tem horas tão gratificantes, que a vontade é apertá-los até a bochecha cair da cara.
- Eu quero doce!!! (Em inglês)
- Como se diz??? (Em inglês)
- POR FAVOR! (Em um português de "R" puxado)
E tem hora que a vontade é descabelar-me. Exige muita paciência, não nego. Acreditarei até o fim que esse é meu maior aprendizado dessa experiência toda. Deixar de ser uma pessoa impaciente.
Quebrar as unhas brincando de Lego. Tomar um solzinho na piscina. Dirigir mais de meia hora para nos juntarmos às crianças de outras amigas au pairs.
Dirigir. São nas horas que estou dentro do carro, de janelas fechadas, ar condicionado ligado, minha playlist tocando, cantando, vendo aquele monte de árvores, áreas verdes, casas... que eu mais agradeço por estar aqui.
Gastar meus fins de tarde e as noites da semana com diversos passatempos: correr, fazer as unhas, Wal Mart, Hallmark, Target, junk food, cozinhar, shopping, TV, So You Think You Can Dance, e, é claro, minha fiel companheira internet. Reservo esse período do dia para matar quem me mata. A saudade. Msn, redes sociais e o salva-vidas Skype.
E então, chegam eles. Os finais de semana. Eu adoro minhas semanas, mas são os findes que fazem tudo valer a pena. Ter um estado (e por que não um país?) inteirinho pra conhecer. Qualquer lugar que vá é novidade. E mesmo que visite pela segunda (terceira, quarta...) vez, a sensação de viagem, de turista realizado, vai estar sempre presente. É surreal estar na capital da maior potência mundial. Ver de perto o que só conhecia por TV, foto, imaginação. Ouvir o DJ na balada dizer: "We are in the most powerful city in the world"! Balada. Nunca fui muito de ir em clubs, mas aqui parece ser exigência. Fim de semana e balada são quase sinônimos. E isso me diverte. São nesses ambientes que é possível reparar na cultura e comportamento americanos na melhor de suas formas. São delas que saem as melhores histórias.
E o domingo será sempre o mesmo em qualquer parte do país: melancólico, nostálgico, com cara de fim de festa.
E começa tudo de novo...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Where dreams come true
Nunca achei que teria problemas em escrever sobre uma das únicas certezas na minha vida: de que um dia eu iria para a Disney. Quando se sonha com algo desde criança, a consequência natural é uma hora - seja lá quando - concretizá-lo. Mas tudo que rascunhava aqui me parecia clichê demais. Dizer que é preciso acreditar nos sonhos, que eles não envelhecem, ou tentar explicar o quão mágico é aquele império de Walt Disney - e que também não há idade para viajar pra lá - seria repetir o já falado.
Portanto, direi apenas - um dos clichês - que a Disney é, literalmente, um lugar onde os sonhos se tornam realidade.
Essa viagem me ensinou muito sobre realizações de sonhos. Não me preocupo mais em quando se concretizarão, mas sim em continuar a acreditar neles. Eles virão na hora ideial e de forma natural. E assim que tem de ser.
Brenda
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